Matemática portuguesa diz que basta 20% da população infetada para atingir imunidade de grupo

Sebastião Moreira / Lusa

A matemática portuguesa Gabriela Gomes sugere que basta que apenas 20% da população fique infetada com o novo coronavírus para atingir a imunidade de grupo.

Vários especialistas sugerem que para atingir a imunidade de grupo é necessário que 70% da população portuguesa fique infetada com o novo coronavírus. Agora, a matemática Gabriela Gomes defende que basta apenas 20% da população para o conseguir. Se, no início da pandemia, mostrava-se algo cética, agora, com a evolução da doença, tem ainda mais confiança nos seus cálculos.

“Os indivíduos não são igualmente suscetíveis, nem estão expostos ao mesmo volume de contactos. Entre as diferentes pessoas não é igual o grau de infecciosidade caso sejam infetadas”, explicou a matemática portuguesa em declarações ao Expresso.

É com base nesta heterogeneidade que o seu modelo oferece uma perspetiva mais otimista, diferenciando-se dos outros cálculos que usam a sigla SEIR – suscetibilidade, pessoas expostas não infecciosas, pessoas já infecciosas e pessoas recuperadas. O modelo adotado pela investigadora da Universidade de Strathclyde, na Escócia, “divide cada um desses grupos em milhares de outros”.

A equipa de Gabriela Gomes limitou-se a aplicar aos dados da covid-19 os modelos cujos princípios foram anteriormente estudados em doenças como a malária, dengue e outras.

“De acordo com as previsões tradicionais, o levantamento das restrições mais duras levaria a uma subida imediata do número de casos, de forma igualmente agressiva, o que não aconteceu”, explicou ao Expresso.

Os dados de maio e junho deram ainda mais certezas à especialista de que o seu modelo, que prevê uma percentagem que é cerca de um terço daquela que os modelos tradicionais estimam, estava correto.

“Com um liminar de imunidade a rondar os 10%, como nós estimamos para Portugal, a infeção já terá pouca força e o risco será baixo. Espera-se que a força de infeção aumente um pouco no inverno, mas esse aumento será sempre proporcional ao número de pessoas que permanecerem suscetíveis. Ou seja, quando mais a suscetibilidade diminuir por infeção natural no verão menores serão os surtos no inverno”, acrescentou.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. A ideia de “Imunidade de Grupo”, em respeito a uma colectividade com alta taxa de idosos, teria efeitos colaterais, que se traduziriam em perca de vidas humanas desnecessárias, além de por em risco todo o sistema de Saúde que seria rapidamente sobrecarregado e impotente em enfrentar a situação. Não só considero esta ideia perigosa como criminosa !

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