Marcelo não irá cumprimentar pessoalmente Greta Thunberg para evitar “aproveitamento político”

José Sena Goulão / Lusa

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República saudou na noite de domingo a breve passagem por Portugal da ativista ambiental Greta Thunberg, mas não irá cumprimentá-la à Doca de Alcântara, em Lisboa, por considerar que poderia “ser considerado aproveitamento político”.

À margem de uma visita à sede nacional do Banco Alimentar Contra a Fome, na reta final da campanha de recolha de alimentos deste fim de semana, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado sobre a passagem por Portugal da ativista sueca, que deverá chegar a Lisboa na manhã de terça-feira, antes de viajar para Madrid para participar na cimeira sobre as Alterações Climáticas (COP25).

“O presidente da Câmara de Lisboa, e bem, vai recebê-la, tal como os deputados que patrocinam a sua vinda devem receber. Eu aí tenho uma posição mais discreta, que é de entender que é uma grande alegria tê-la entre nós, é um fator de mobilização de todos”, afirmou.

Instado se tenciona ir cumprimentar pessoalmente Greta Thunberg, cujo veleiro irá atracar na Doca de Alcântara, onde dará uma conferência de imprensa, o chefe de Estado admitiu ter hesitado, mas decidido não o fazer. “Pensei duas vezes, estar a misturar podia ser considerado um aproveitamento político por mim de uma realidade mais ampla e mais vasta e acho que não tenho esse direito”, justificou.

Na véspera da cimeira de Madrid, o Presidente da República sublinhou que as alterações climáticas são “um tema que interessa a toda a humanidade, não só aos mais jovens”.

“O facto de um dos símbolos dos mais jovens estar entre nós é bom, mas tem de atravessar toda a sociedade. Não podemos fazer disto uma guerra entre mais novos e menos novos, todos têm de perceber que é um problema comum, que tem de ser enfrentado em conjunto”, defendeu.

Em Lisboa, a jovem estará em Portugal durante cerca de 24 horas, tempo suficiente para conhecer alguns líderes portugueses dos movimentos pró-clima e para uma breve conferência de imprensa, na Doca de Alcântara, em Lisboa.

A jovem sueca esteve nas últimas semanas nos Estados Unidos para participar numa conferência climática das Nações Unidas, além de outras iniciativas, e onde chegou depois de ter conseguido um meio de transporte ecológico: viajou num veleiro de competição que não emite carbono para a atmosfera.

Uma vez chegada, repreendeu vivamente os líderes do mundo, lembrando-lhes que em condições normais, devia estar na escola, não ali. Depois da ONU, a adolescente sueca seguiu para outros lugares por via terrestre – comboio e automóvel elétrico.

Dos Estados Unidos, Greta Thunberg deveria ter seguido para o Chile, para participar na COP25, a 25.ª Conferência das Partes (COP25) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, mas a tensão política e social que se vive no país sul-americano levou a que o governo chileno cancelasse a organização da cimeira e a que esta fosse transferida para a capital espanhola, Madrid.

A mudança de planos obrigou a jovem sueca a encontrar uma alternativa de transporte que a trouxesse a tempo de regresso à Europa para a cimeira que decorre entre 2 e 13 de dezembro, tendo a opção recaído na oferta de um casal australiano que disponibilizou o seu catamarã para transportar Greta Thunberg numa segunda travessia do Atlântico. A ambientalista partiu em 13 de novembro do porto norte-americano Salt Ponds, no Estado de Virgínia.

A jovem iniciou sozinha uma greve à escola em setembro de 2018 em frente ao parlamento sueco para apelar à tomada de medidas contra as alterações climáticas, a qual inspirou um movimento global que a levou a ser recebida pelos líderes mundiais e a falar em conferências.

ZAP // Lusa

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5 COMENTÁRIOS

  1. Digam o que disserem, concorde-se com ela ou não, o rastilho está aceso.
    Ainda bem que os jovens querem tomar posição no assunto. E não é questão de moda ou de fanatismo, é consciência, aquela que tem faltado aos pais e avós.
    Já vi comentadores, daqueles que sabem sempre muito de tudo, estarem contra ela e depois encostarem-se e concordarem com ela, porque querem estar com a maioria.
    Perceberam que ela tem razão, que o caminho é aquele e não há volta a dar.
    É preciso fazer qualquer coisa, e começa em cada um de nós, numa escolha entre o egoísmo e a inteligência…
    Não há Planeta B

    • Caro manel, como diz, não há volta a dar!
      Só que tudo o que se diga e tudo o que se pense fazer já não chega.
      As medidas teriam de ser radicais, e mesmo assim já não seria fácil. Porque ninguém está disposto a tomá-las, resta-nos esperar pelo fim.
      Há mais de 40 anos que ando a “mandar bocas” sobre esta questão. Não faltou quem se risse das minhas conjecturas, como ainda há quem por aqui passe a defender o statu quo vigente. A estes desejo que tenham muitos anos de vida para provarem que até tinham razão.

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