CGD vai ter 3 mil milhões de prejuízo (e Macedo mantém salário milionário de Domingues)

Miguel A. Lopes / Lusa

O antigo Ministro da Saúde, Paulo Macedo

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai apresentar, neste ano, um prejuízo de três mil milhões de euros. O valor é revelado quando é também notícia que o novo presidente do banco, Paulo Macedo, manterá o salário de 423 mil euros anuais.

Paulo Macedo, que sucede a António Domingues como novo presidente da CGD, vai começar a sua gestão do banco público com um prejuízo de três mil milhões de euros. A notícia é avançada pelo jornal Expresso que salienta que este valor consta do plano estratégico do banco público.

Estes números estão em consonância com aquilo que Mário Centeno, ministro das Finanças, já tinha dito, denunciando um desvio de 3 mil milhões de euros na Caixa e culpando o governo PSD-CDS por estes valores.

O plano estratégico também contabiliza os empréstimos de risco concedidos, sem garantias, que dificilmente serão pagos, que são da ordem dos 2,7 mil milhões de euros, um valor que o Estado injectará directamente na CGD.

No total, a capitalização do banco situar-se-á nos 5 mil milhões de euros, entre investimento público e dos privado.

Para os próximos quatro anos, a CGD prevê sempre lucros, vaticinando que em 2020, se situarão nos 670 milhões de euros, conforme os dados divulgados pelo Expresso.

Do plano estratégico do banco, faz ainda parte a saída de 2.240 trabalhadores e o encerramento de 180 balcões nos próximos quatro anos.

Governo resiste e mantém salário milionário

O futuro presidente da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, vai ganhar tanto como António Domingues, o ocupante demissionário do cargo. O governo resiste assim às pressões para baixar o ordenado de 423 mil euros anuais.

Este dado é avançado pelo Jornal de Negócios que aponta que o governo vai manter o salário de 423 mil euros anuais, para o futuro presidente da CGD, “apesar da pressão política dos últimos dias” para que esse valor fosse reduzido.

O PSD é um dos partidos que tem apelado à descida do ordenado do presidente da CGD, a par de PCP e Bloco de Esquerda, parceiros do governo.

O próprio Presidente da República também manifestou que o ordenado deveria ser inferior, mas o Executivo mantém a fasquia nos 423 mil euros anuais de ordenado, o que dá algo como 30 mil euros por mês.

PSD estima Macedo, mas não vai abrandar críticas

Entretanto, o PSD já fez saber que não vai abrandar as críticas ao governo, embora estimando e respeitando Paulo Macedo, conforme sublinhou o deputado Leitão Amaro.

“Todas as trapalhadas que aconteceram na CGD há quase um ano nunca foram uma questão de pessoas, foram uma questão de escolhas, de más decisões, de incompetência do Governo“, afirmou Leitão Amaro aos jornalistas no parlamento.

“O dr. Paulo Macedo é um independente que respeitamos e estimamos, mas as regras, os princípios básicos de transparência, boa gestão pública, escrupuloso cuidado na aplicação do dinheiro dos contribuintes, valem independentemente das pessoas, por mais estimadas que elas sejam”, afirmou o deputado do PSD.

PCP contesta escolha de Macedo

Entretanto, o PCP defendeu que Paulo Macedo não reúne as condições para ser presidente da CGD devido ao seu percurso anterior como ministro da Saúde do governo do PSD/CDS.

“O Governo decidiu, a responsabilidade é do Governo, na nossa opinião não decidiu de acordo com estes critérios [de competência e de identificação com o serviço público]. O doutor Paulo Macedo oferece-nos muitas reservas para vir a ocupar este cargo, particularmente pelo seu percurso anterior, nomeadamente um homem dos mais importantes ministros do governo PSD/CDS“, declarou o dirigente comunista Jorge Pires.

ZAP / Lusa

6 COMENTÁRIOS

  1. Ou o sr. Paulo Macedo mostra obra de se lhe tirar o chapéu ou o povo português é novamente roubado ao pagar monstruosidades que lhe são impostas, sem fundamento algum. O que poderá justificar que um presidente de um banco público falido ganhe por ano 450.000Euros + 50% deste montante em prémios quando as primeiras medidas que vai tomar é fechar balcões, despedir trabalhadores e aumentar comissões em 100% para quem não tenha na conta pelo menos 50.000 € em depósitos a prazo, embora eles digam que não é assim? – Portugal precisa de uma política de depuração, que limpe de uma vez a agiotagem e uns tantos que vivem acima da lei e da grei, que são os políticos e grupos chamados económicos e financeiros, muitos deles falidos há anos ou embrulhados em esquemas como o BES. Aguenta zé, baixa a cabeça para te porem a canga de mais e mais impostos e no fim ainda ires todo contente votar neles e nos seus partidos. Portugal tornou-se inviável!

  2. E com esta nomeação fica concluída a trapalhada ?!
    E quem foi responsável pelo “buracão” de 3 mil milhões de euros, mais 2,7 mil milhões em imparidades ???
    Ninguém ? E quem foram os beneficiários desse colossal roubo ?
    É uma república bananal, onde um mendigo responde na justiça por “roubar” um pão no supermercado, e aos antigos administradores da CGD nenhuma responsabilidade é pedida !
    Só uma coisa temos a certeza – quem vai pagar isso tudo, nós sabemos !
    Até pessoas que nunca precisaram da CGD para nada.

  3. Um ordenado milionário equiparável ao dos bancos privados que estão quase todos falidos, pago pelo povo mais pobre da Europa muitas vezes obrigado a emigrar para fugir da fome e da miséria, a pouca vergonha continua, enfim…

  4. Só gostava de saber o porquê da contratação a peso de ouro de gestores cheios de títulos académicos mas que, no final, se revelam uns autenticos burros. Para gerir desta forma até eu. Se apresentasse lucros reclamava os premios. Se o resultado fosse prejuizo apresentava a conta ao Estado e tratava da reforma milionaria para acumular com outro tacho arranjado pelos meus amigos da politica. Razão tinha o Otelo. E não era preciso o Campo Pequeno. Porque a cambada são 500 ou 600 gajos, ligados à politica, às finanças e aos escritorios de advogados que circulam entre os restaurantes da moda, a assembleia da republica e os conselhos de administração das grandes empresas sediadas em Lisboa.

  5. Isto só é possivel porque não há justiça neste país. Mesmo nos que havia, acabaram cpm a ETA.
    Andam aí a RAPAR os tostões a milhões para dar os milhões a estes gajos. Depois veem os outros, (que são eles hamanhã) com a mania que são os salvadores da PÁTRIA, quando são os salvadores dos seus próprios bolsos. Quando estão no poleiro só vêm cortes, quando estão na oposição, criticom (dizem precisamente o contrário do que fizeram).
    (Brejeiro) A carneirada papa tudo.

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