Livro de Sócrates afinal não é de Sócrates

José Sena Goulão / Wikimedia

Ex-primeiro-ministro e ex-líder do PS, José Sócrates

Ex-primeiro-ministro e ex-líder do PS, José Sócrates

O livro “A Confiança no Mundo – Sobre a Tortura em Democracia” foi publicado em outubro de 2013 sob a assinatura de José Sócrates, mas os investigadores da Operação Marquês acreditam, com base em escutas telefónicas, que foi um professor catedrático a escrever a obra.

A informação é noticiada pelo semanário Sol, que escreve que as escutas telefónicas levaram os investigadores do Ministério Público a concluir que terá sido um professor universitário português da mesma geração de Sócrates a escrever a obra que o ex-PM apresentou como trabalho académico.

Na altura do lançamento do livro, em 2013, o ex-primeiro-ministro descrevia que o texto correspondia ao trabalho académico que realizara para o Instituto de Estudos Políticos (Sciences Po) de Paris, depois de ter abandonado o Governo em 2011.

Em entrevista ao semanário Expresso, na ocasião, chegou mesmo a afirmar que tinha escrito o livro em francês e que depois o teria traduzido para português.

Citando uma fonte próxima do processo, o semanário descreve que o livro terá sido, na verdade, escrito por um professor catedrático da mesma geração de José Sócrates que terá abdicado dos seus direitos intelectuais, e que teria a missão de escrever uma nova obra, também sob a suposta autoria do antigo primeiro-ministro, cujo título seria “Carisma”, o que acabou por não se concretizar por causa da prisão preventiva de Sócrates, em novembro.

Com prefácio de Lula da Silva e posfácio de Eduardo Lourenço, o livro foi lançado em outubro de 2013 pela editora Verbo.

ZAP

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11 COMENTÁRIOS

  1. “A Confiança no Mundo – Sobre a Tortura em Democracia” O cúmulo da ironia. Rascunhado em francês e depois traduzido para português (entrevista do próprio ao Expreso), esgotado à 1ª – compras por atacado – e 44 feito, não daquela “honestidade intelectual” mas pela outra que ora se afima mais integrante fundamental do estado de direito democrático… Se não houvesse transcriçoes e fugas estariam os povos à distancia dos silêncios de gabinete…
    Acresece: Como reagirá a Sorbone ao PhD atribuído? Em tese o direito intelectual é inalienável

    • Viés, tu com o teu estilo surrealístico-pedante não sabes que o homem não fez PhD nenhum na Sorbonne, mas sim um reles mestrado?

      • O tempo tem curvatura, aqui tem cronologia – Se desatempadamente (como diria o outro) meta mais um tuberculo e torne-se plural de alcunha

  2. Num trabalho de curso (não numa tese), um plágio dá direito a que o aluno seja convidado a abandonar o doutoramento…
    Oh xôr dr. (c/ ou s/ agregação), deveria ser irradiado de qualquer meio académico ou convidado a abdicar e restar-lhe percepcionar o silêncio dos seus discentes.

  3. Fico indignado com o que se passa . Porque vejo coisas imagináveis . Entendo a situação porque conheço esses casos vou relatar a pintura em cada leilão de Arte tem Picassos, ou Mirós para venda , e outros artistas bem cotados , enfim se eles tivessem tempo para pintar tanto quadro nem dormiam a vida toda . O que este senhor estava a vêr se passava , lá com uns livros , contratou esse Professor alegadamente catedrático e foi para o prelo . Podia ter passado enfim … Se tem prefácio de Lula , o Lula não é doutor nem Engenheiro , bem se vem a Portugal faz num fim de semana curso, provas , tudo , como já alguns o fizeram em universidades portuguesas All in One . E marcha Samba com diploma na mão . Abraços e boa disposição !

  4. Calma meu caro Viés, a Sorbonne não atribuiu nenhum doutoramento a Sócrates. O que ele lá foi fazer foi um mestrado ou algo a isso equivalente.
    No caso de haver uma tese (de mestrado ou de doutoramento) e se se comprovar que houve plágio (ou que o autor não é o candidato ao grau) o grau académico é-lhe retirado.

    • Supondo que o pormaior respondia ao penúltimo comentário, o detalhe perdeu-se no rascunhado! (… em francês e depois traduzido…)” !
      Rascunhos, línguas e graus à parte, além da transparência do espelho dágua, não havia espuma, quase à tona “honestidade intelectual” mais fundo “integrante fundamental do estado de direito democrático” e mesmo ao lado “…transcriçoes e fugas estariam os povos à distancia dos silêncios de gabinete”.
      Caro: Se tem acesso a arraiolos não perca tempo com alcatifas

  5. exijo que se averigue a veracidade do nome do ex- PM!

    Não vá o diabo tecê-las e até o pp nome ter falsificado,
    Não se dará o caso de o seu verdadeiro ser algo parecido com:

    YUSSEF HUGO FIDEL DE MUHAMAR KADAHAFI & CHAVEZ CASTRO….????

  6. A ser verdadeira esta noticia, estamos perante mais uma inadmissível faceta na personalidade deste fulano e vem comprovar a classificação de Pinóquio que lhe era atribuída enquanto primeiro ministro. Só isto envergonha, para além dos lamentáveis casos anteriores à sua volta, todos os portugueses e principalmente todos os socialistas, sendo que alguns destes ainda acreditam na sua honestidade. Acabemos, pois, com as peregrinações a Évora, pois ele não merece outra, após todo o mal que fez aos portugueses.

    • Transcrições ipsis verbis!?! Não conheço ‘GPS’ ao telefone tipo “olha qdo vires a tasca do quim vira à direita e é a 3º vivenda em frente. Oh Pá, podes estacionar na garagem para não te verem… Olha arranja-me daquilo… e deixa uma parte à florentina. Olha, prontos, eu estou na varanda à tua espera”. Até pode tratar-se de aconselhamento matrimonial! se a coisa for ‘pizangambom’
      JOÃO CRAVINHO tentou em 2007… Palavras dele: “corrupção em Portugal é uma questão tumular, dos cemitérios” ou “… instituições democráticas estejam como os três macaquinhos, cegas, surdas e mudas?” O projecto anti-corrupção não passou.
      Afinal não é só a independência das magistraturas é tb o poder legislativo no estado de direito democrático – Assembleia da República. Cravinho ainda incomoda memórias curtas

  7. A certeza que temos é que não foi ele a escrever o Livro.
    Como diz o Ricardo A. Pereira, ele (Sócrates) comprou o Livro para saber o que lá estava escrito. Isto não é censurável.

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