País em duodécimos seria uma “irresponsabilidade”. Bloco acusa Governo de chantagem “inaceitável”

Bloco de Esquerda / Flickr

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, falou, em entrevista à Rádio Observador, sobre as negociações com o Governo para a aprovação do Orçamento de Estado para 2021.

Em entrevista à Rádio Observador, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, disse que, como está, o documento “não tem condições para ser viabilizado” pelo partido. Porém, a líder bloquisra afasta a ideia de que o país possa chegar ao próximo ano em duodécimos, o que seria uma “irresponsabilidade”.

“Espero que o primeiro-ministro não queira um país em duodécimos”, disse Catarina Martins, numa altura em que o Governo tenta chegar a um acordo com os parceiros da esquerda para viabilizar a proposta de OE 2021.

O “BE tem estado a defender soluções para o país. Mesmo quando o Governo recusa as propostas apresentadas, o BE tem apresentado contrapropostas“, notou.

Catarina Martins disse que está “muito concentrada em ter um OE que responda aos problemas” que o país atravessa. “A proposta, tal como está, é má”, reiterou.

Questionada se seria melhor duodécimos, em resultado de um chumbo da proposta do Governo, Catarina Martins diz que o que é “preferível é sermos sérios.

Catarina Martins criticou, na mesma entrevista, que, “em vez de se enfrentar os problemas, há a chantagem da crise politica”.

Na entrevista à TVI de segunda-feira, o primeiro-ministro António Costa disse que a esquerda se juntou “à direita”. “Acho inaceitável. Agora, cada vez que o PS não negoceia diz que a esquerda se juntou à direita? Isto não é sério em democracia”, respondeu Catarina Martins.

A coordenadora bloquista quis “desmontar a chantagem da crise política”. “Ninguém está aqui para deitar a toalha ao chão. Há uma forma terrível de fazer política nos momentos difíceis, que é arranjar pretextos para falhar. Espero que não seja isso [que António Costa está a fazer]”, avisou.

Bloco exige três mudanças chave

“Surpreendido” pela negativa com o desenho da sua proposta para uma nova prestação social para trabalhadores desprotegidos, Catarina Martins aponta três pontos que teriam de mudar no novo apoio.

Um dos problemas do partido com a nova prestação social é o tempo, sendo que tem um período máximo de 12 meses para os trabalhadores dependentes ou independentes cuja prestação de proteção no desemprego tenha terminado após 1 de janeiro do próximo ano, e para os demais, a ajuda é atribuída, no máximo, por seis meses, consecutivos ou interpolados.

Por outro lado, há discordância nas condições de acesso ao apoio, que, como estão definidas atualmente, “deixam quase toda a gente de fora”, defendeu Catarina Martins. “Temos de fazer uma condição de recurso em que nenhum membro do agregado fique em situação de pobreza”.

Por fim, há problemas no valor. O Bloco queria definir um limite mínimo mais alto, de um Indexante dos apoios sociais (IAS). “O mínimo dos mínimos” é garantir que, para o ano, “não cortem para metade” a prestação para quem agora teve acesso a apoios extraordinários e não tem atividade.

Bloco quer que seja Parlamento a investigar Novo Banco

Catarina Martins disse que, apesar de confiar no Ministério Público (MP), prefere que seja o Parlamento a liderar a investigação ao Novo Banco para não ter de esperar 10 anos para saber o que se está a passar no banco.

“Se entregarmos isto aos tempos do Ministério Público e o Parlamento não fizer nada para investigar para saber o que se está a passar, vamos ter pago tudo à Lone Star, a Lone Star vende o Novo Banco, até pode destruir o banco, que passarão dez anos sem sabermos o que se passou”, disse Catarina Martins.

A líder bloquista disse ainda que “há indícios muito fortes de que a Lone Star está a vender ativos a preço de saldo e não se sabe muito bem a quem”.

Assim, Catarina Martins voltou a instar o Governo a não dar mais dinheiro para o Fundo de Resolução injetar no Novo Banco sem serem conhecidos os resultados da auditoria que a Assembleia da República já pediu ao Tribunal de Contas.

ZAP //

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