Costa diz que impacto do Natal só será conhecido nos próximos 15 dias. Estado de emergência irá durar apenas uma semana

José Coelho / Lusa

António Costa diz que ainda é cedo para avaliar o impacto do Natal na pandemia. O primeiro-ministro sugere ainda que o aumento do número de infeções pode ser o resultado de um menor número de testes realizados durante o período de Natal. Marcelo vai receber os partidos, mas já equaciona diminuir o tempo de duração do novo estado de emergência.

Nas primeiras declarações aos jornalistas depois de ter cumprido um período de isolamento profilático, António Costa afirmou que só nos próximos 15 dias “será possível avaliar o impacto do Natal” nos números da pandemia.

“Esperamos que não tenha tido o efeito nefasto que teve noutros países mas ainda é cedo para saber os verdadeiros efeitos do Natal. Esses efeitos chegarão entre a próxima semana e a seguinte”, sublinhou o primeiro-ministro, que falou durante a inauguração de uma nova ala de cuidados intensivos no hospital Amadora-Sintra.

Relativamente ao aumento dos casos de infeção por covid-19 em Portugal, Costa disse que “muito provavelmente” são a compensação de um menor número de testes de deteção realizados durante o período das festividades.

O líder do PS também adiantou que não será concedida tolerância de ponto no dia 31 de dezembro aos funcionários da Administração Central, ao contrário do que aconteceu no dia de Natal. Isto porque é “necessário um período de contenção para que tudo possa correr bem”, adiantou.

Em relação a uma possível data de aprovação da vacina da AstraZeneca e da Universidade de Oxford por parte da Agência Europeia de Medicamentos (foi esta quarta-feira aprovada no Reino Unido), Costa não avançou qualquer informação, limitando-se a afirmar que “todos ansiamos que as vacinas possam ser licenciadas”.

Também não se pronunciou sobre a chegada de mais 2,2 milhões de doses da vacina da Pfizer-BioNTech a Portugal, e sobre o impacto disso no plano de vacinação da covid-19 definido para o país.

No entanto, admitiu “que são necessárias outras vacinas”, além das desenvolvidas pela Pfizer e pela Moderna, “para assegurar uma cobertura total do país”. “Para que possamos completar o processo de vacinação não nos basta a vacina da Pfizer nem da Moderna, precisamos das outras.”

Para o primeiro-ministro o mais importante neste momento é “não baixar a guarda”, mesmo com a chegada de vacinas contra a covid-19 a Portugal. “O processo de vacinação vai ser longo, demorará vários meses. Apesar de tudo isso, a covid irá continuar entre nós, por isso não podemos baixar a guarda”, afirmou.

Marcelo sem dados para decidir estado de emergência

Tal como afirmou António Costa, a redução para metade do número de testes no Natal impede peritos de avaliar a real situação da epidemia. Sem informações suficientes, Marcelo Rebelo de Sousa pondera prolongar as restrições só por uma semana.

Na segunda-feira, o chefe do Executivo irá ouvir os partidos sobre mais uma renovação do estado de emergência, mas desta vez considera não ter dados suficientes para decidir o futuro. Isto porque, com muitos laboratórios fechados ou a meio gás no período de Natal, “os testes diminuíram de forma drástica”.

Segundo avança o jornal Expresso, o Presidente quer saber se os partidos aceitam uma “miniprorrogação” do estado de emergência a partir de 7 de janeiro prolongando as limitações por apenas uma semana, e não pelos 15 dias máximos permitidos por lei, como tem acontecido.

Marcelo deverá voltar a refletir sobre a situação por volta do dia 11 ou 12 de janeiro, quando os níveis de testagem tiverem regressado ao normal.

De acordo com o Observador, o Governo partilha da mesma opinião. Ou seja, deverá ser o PSD a decidir se aprova a renovação, uma vez que os outros partidos já deixaram de apoiar o Presidente e Executivo nesta matéria.

Esta solução encontrada pelo primeiro-ministro e pelo Presidente da República vai permitir arrumar o assunto da emergência na primeira semana de campanha eleitoral.

Desta forma o próximo estado de emergência vai estender-se entre 8 e 15 de janeiro, a primeira semana das Presidenciais.

Ana Moura, ZAP //

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