Imagens de satélite mostram mais de 12 mil polícias e militares chineses próximos de Hong Kong

(h) Satellite Image ©2019 / Maxar Technologies / EPA

Imagens de satélite difundidas nesta quarta-feira mostram veículos do exército e da polícia chineses reunidos em Shenzhen, cidade que faz fronteira com Hong Kong, que há dois meses é palco de protestos antigovernamentais.

De acordo com as imagens, difundidas pela Maxar Technologies, veículos militares e de segurança estão estacionados no Centro de Desportos da Marinha de Shenzhen, na fronteira com Hong Kong.

Um comunicado da polícia chinesa, difundido pela imprensa, informou que mais de 12 mil polícias estão reunidos em Shenzhen, para exercícios antimotim. Os exercícios são parte dos preparativos de segurança para o 70.º aniversário da República Popular da China, em 1 de outubro.

“O exercício será realizado para aumentar o moral das tropas, praticar e preparar a segurança das celebrações e manter a segurança política nacional e a estabilidade social”, disse a polícia.

A imprensa oficial chinesa advertiu que os manifestantes em Hong Kong caminham para “a autodestruição”, ao mesmo tempo que são divulgados vídeos com veículos militares a aproximarem-se da fronteira da cidade.

Entretanto o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu na rede social Twitter que foi informado pelos serviços secretos norte-americanos de que tropas chinesas estão a ser transferidas para a fronteira com Hong Kong.

Na terça-feira, a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, disse à imprensa que “atividades ilegais em nome da liberdade” estão a prejudicar o Estado de Direito na região administrativa especial chinesa, e que a recuperação do centro financeiro asiático pode demorar muito tempo.

O governo chinês afirmou esta semana que há “sinais de terrorismo” nos protestos antigovernamentais em Hong Kong, agravando assim o tom sobre as manifestações.

Inicialmente, as autoridades chinesas optaram por censurar qualquer informação sobre os protestos, que decorrem há dez semanas, mas, nos últimos dias, optaram por caracterizá-los como tumultos violentos, perpetuados por mercenários pagos por forças externas.

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU assegurou que há evidências de que as autoridades de Hong Kong aplicaram medidas antidistúrbios que vão contra as normas internacionais e pediu uma investigação imparcial às ocorrências.

“Por exemplo, foram vistos polícias a lançar gases lacrimogéneos diretamente a manifestantes, sobre zonas fechadas, com graves riscos de provocar feridos ou mortos”, disse o porta-voz da ONU, Rupert Colville, numa conferência de imprensa.

As autoridades de Hong Kong “devem investigar estes incidentes imediatamente e mudar as suas práticas antidistúrbios quando vão contra as normas internacionais“, sublinhou o porta-voz da alta comissária, Michelle Bachelet.

Colville acrescentou que a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos “está preocupada com a escalada de violência” nos últimos dias, naquele território, cujo aeroporto, um dos mais concorridos do mundo, suspendeu as operações durante dois dias, devido aos protestos no recinto.

As declarações do porta-voz da ONU geraram, por seu turno, protestos na diplomacia chinesa, que, num comunicado, classificou de “interferência nos assuntos internos da China, enviando uma mensagem errada dos violentos delinquentes”. “Os protestos em Hong Kong recentemente tomaram uma forma tal que alguns criminosos estão deliberadamente a perpetuar a violência”, indica a nota oficial enviada a partir da missão da China em Genebra.

Estas pessoas “usaram bombas de fumo, coquetéis molotov e pistolas de grande calibre”, e “não só perpetraram graves delitos violentos, como mostraram uma tendência para recorrer a ações terroristas“, acrescenta.

Tribunal proíbe manifestações em zonas do aeroporto

Um tribunal de Hong Kong proibiu a presença de manifestantes fora de “zonas designadas” no aeroporto da região administrativa especial chinesa, anunciou esta quarta-feira, em comunicado, a Autoridade Aeroportuária.

A ordem judicial temporária vai servir para impedir que “as pessoas impeçam ou interfiram de maneira voluntária e ilegal com a operação normal do aeroporto internacional de Hong Kong”, acrescentou a nota.

Dezenas de voos foram retomados esta manhã em Hong Kong, depois do segundo dia consecutivo de cancelamento das operações, que deixaram milhares de passageiros em terra.

Hong Kong vive um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e reivindicam agora medidas para a implementação do sufrágio universal no território, a demissão da atual chefe do Governo, uma investigação independente à violência policial e a libertação dos detidos ao longo dos protestos.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio de “um país, dois sistemas”, precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

ZAP // Lusa

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