Investigadores criam IA que se replica com base na seleção natural

Investigadores do Canadá publicaram um estudo no qual explicam como conseguiram construir um sistema de inteligência virtual auto-replicante.

Geralmente, o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial envolve a construção de camadas de uma rede neural e a orientação do seu desenvolvimento para a aprendizagem da máquina.

Mas essa verdade não se aplica aos investigadores Oscar Chang e Hod Lipson, da Universidade de Columbia, no Canadá, que publicaram em março o estudo intitulado “Neural network Quine”, no arXiv. No documento, a dupla explica como conseguiu construir um sistema de inteligência artifical auto-replicante.

Em entrevista, Chang afirmou que a “principal motivação aqui é que os agentes da Inteligência Artificial ​​são alimentados por deep learning, além de um mecanismo de auto-replicação que permite que a seleção natural darwiniana ocorra, de modo que uma população de agentes da IA ​​possa se aperfeiçoar apenas através da seleção natural – exatamente como na natureza“.

Usando o que as inteligências artificiais fazem de melhor – a análise de dados em busca de padrões -, essas redes neurais auto-replicantes podem se aperfeiçoar de milhões de formas distintas. Criando novas versões de si mesma, essa IA pode determinar o seu próprio crescimento, prevendo como será no futuro, após aprender novas informações.

Claro que isso nos leva diretamente ao maior medo que o debate sobre as IAs traz: a possibilidade de, com a replicação de si mesma, a mente robótica tornar-se resistente ao domínio humano.

Pelo menos em teoria, os humanos poderiam falhar em excluir todo o programa, que se poderia armazenar numa nuvem segura, e trazer todo o sistema de volta à rede numa questão de segundos.

Entretanto, os cientistas garantem que não há razões para temer uma revolta ciborgue. Até porque, o desempenho do sistema capaz de auto-replicação é curiosamente mais baixo que os das IAs tradicionais. Em tarefas como reconhecimentos de imagem, as inteligências tradicionais conseguem resultados próximos de 100%, enquanto o sistema de IA capaz de auto-réplica apresenta rendimento cerca de 10% menor.

Sobre isso, Chang comentou: “Não é totalmente claro por que isso acontece. Mas notamos que isso é semelhante ao balanço feito entre a reprodução e outras tarefas na natureza. Por exemplo, as nossas hormonas ajudam-nos a adaptarmo-nos ao nosso ambiente e em tempos de escassez de alimentos, o nosso impulso sexual é regulado para priorizar a sobrevivência sobre a reprodução“.

Ainda há muito trabalho a ser feito antes de esse modelo de IA estar pronto para ser usado, com certeza. Os estudos da dupla de Columbia estão apenas no começo.

Mas dá um frio na barriga imaginar um futuro onde as inteligências artificiais têm o poder de criar outras inteligências artificiais e aprimorá-las para melhor se adaptarem às regras do jogo que nós também jogamos, não é?

ZAP // Canal Tech

PARTILHAR

RESPONDER

Cientistas criam hidrogel que se cura a si mesmo como a pele humana

A carne artificial, que pode vir a ser essencial para futuros desenvolvimentos em robótica e dispositivos médicos, está cada vez mais próxima de se tornar realidade. Cientistas na Austrália criaram um novo material gelatinoso que, asseguram, …

As estranhas "riscas de tigre" de Encélado foram finalmente explicadas

A lua gelada de Saturno, Encélado, tem despertado especial interesse na comunidade científica desde que foi observada em detalhe pela sonda espacial da NASA Cassini em 2005. Agora, uma equipa de cientistas encontrou resposta para …

Nicolas Bourbaki foi o maior matemático de sempre (mas nunca existiu)

Considerado como um dos maiores matemáticos de sempre, Nicolas Bourbaki não passava de um pseudónimo adotado por um grupo de grandes matemáticos, que revolucionou a matemática como a conhecemos. Nicolas Bourbaki está entre os maiores matemáticos …

No aquário do Tennessee, é uma enguia que acende as luzes da árvore de Natal

A enguia Miguel Wattson é a responsável pelo espírito natalício que se vive no Aquário do Tennessee, nos Estados Unidos. O Aquário do Tennessee, nos Estados Unidos, encontrou uma forma inusitada de celebrar esta época festiva: …

Há 34 anos, Diana dançou com Travolta. Agora, o seu vestido foi vendido por 261 mil euros

O vestido que a Princesa Diana usou para jantar na Casa Branca, em 1985, foi vendido por mais de 261 mil euros. O vestido azul que a Princesa Diana usou num jantar na Casa Branca, em …

Doentes crónicos com baixo nível de literacia em saúde recorrem mais às urgências

Os doentes crónicos e com um nível de literacia em saúde mais baixo utilizam mais vezes os serviços de urgência hospitalares e dos centros de saúde, bem como as consultas de medicina geral e familiar, …

Ártico viveu em 2019 o segundo ano mais quente em 119 anos

O Ártico viveu em 2019 o seu segundo ano mais quente desde 1900, de acordo com um relatório publicado na terça-feira, aumentando receios de degelo e aumento do nível da água. O Polo Norte está a …

Jardineiro encontra por acaso a obra mais procurada de Gustav Klimt. Estava no galeria onde foi roubada

Um funcionário da galeria de arte Ricci Oddi, na cidade italiana de Piacenza, encontrou por acaso a obra mais procurado do pintor austríaco Gustav Klimt. Estava na própria galeria, onde a obra terá sido roubada …

YouTube reforça políticas contra assédio online

O YouTube anunciou, esta quarta-feira, um conjunto de alterações às políticas que visam combater o assédio que existe na plataforma. O YouTube anunciou esta quarta-feira o reforço das suas políticas contra o assédio online, que preveem …

Deus bebé indiano vence caso em tribunal e reinvindica território sagrado

O Supremo Tribunal Indiano declarou Ram Lalla Virajman, um deus bebé, como o legítimo proprietário de Ayodhya, uma terra no norte da Índia considerada sagrada por muçulmanos e hindus. O tribunal decidiu que o Governo …