Há um ano, 12 jovens ficaram presos numa caverna da Tailândia. Hoje, é um local turístico

(h) Royal Thai Navy

Há um ano, 11 meninos foram explorar a província de Chiang Rai, na Tailândia, com o seu treinador de futebol, e acabaram presos no fundo de uma caverna sob uma montanha.

Depois de terminar o treino de futebol, os membros da equipa juvenil local, os Wild Boars, e o seu treinador, Ekkapol “Ake” Chantawong, pegaram nas bicicletas e subiram as colinas cobertas de florestas ainda húmidas das recentes chuvas.

Tinham como destino a gruta de Tham Luang, um dos locais favoritos dos rapazes, onde esconderam as bicicletas e as malas. O grupo já tinha entrado várias vezes na gruta, aventurando-se vários quilómetros, para realizarem rituais de iniciação, como escrever os nomes dos novos membros da equipa numa parede. Levavam apenas tochas.

Enquanto pais e amigos procuravam por todo o lado até encontrarem as bicicletas e malas à porta da gruta, lá dentro, a chuva tinha caído nos últimos dias ia parar ali e a gruta inundou rapidamente. O grupo foi obrigado a ir mais fundo na gruta até ficar em plena escuridão e isolamento.

Apesar do medo que não podiam deixar de sentir, os rapazes procuraram manter-se quentes e o treinador, um antigo monge budista, ensinou-lhes técnicas de meditação, para os manter calmos e para que gastassem a menor quantidade possível de ar. Não tinham comida, mas tinham água potável, que caía de uma das paredes da gruta, o que significava condições para sobreviver por algum tempo.

Fora da gruta, uma verdadeira operação de resgate foi posta em ação. As autoridades chamaram a elite tailandesa Thai Navy Seals, a polícia nacional e outras forças de resgate. A cada hora juntavam-se mais e mais voluntários para ajudar a salvar os rapazes.

Explorar a gruta mostrou-se rapidamente um desafio perigoso e quase impossível, já que o nível da água e o facto de a água estar barrenta impediam qualquer avanço. O drama espalhou-se e a história ganhou a atenção primeiro do país e depois do mundo. A primeira equipa internacional de resgate chegou no dia 28 de junho.

Especialistas norte-americanos em mergulho, exploradores profissionais de grutas do Reino Unido, da Bélgica, da Austrália, da Escandinávia e de muitos outros países reuniram-se à porta da gruta para lutar contra os elementos e salvar os rapazes.

Em 1 de julho, uma semana depois do desaparecimento do grupo, as equipas de resgate conseguiram a sua primeira pequena vitória: chegar a uma parte larga da gruta que passou a servir de base para os mergulhadores.

No dia seguinte, encontraram uma “bolsa de ar” na gruta e gritaram. “Sempre que há um espaço com ar, vimos à superfície e gritámos e cheiramos”, explicou um dos mergulhadores, acrescentando que a equipa cheirou os rapazes antes de os ver.

Rapidamente uma tocha foi acesa e vários rapazes emagrecidos e com os olhos a piscar perante a luz caminhavam para eles. Os Wild Boars tinham sido encontrados. Os dois mergulhadores que os encontraram passaram algum tempo com os meninos, dando-lhes apoio moral e fornecendo luz. O encontro foi filmado pelas câmaras dos mergulhadores e o mundo rejubilou.

Nessa noite, jornalistas de todos os cantos do mundo reuniram-se naquele pequeno lugar da Tailândia e a zona da entrada da gruta transformou-se numa espécie de acampamento, com vários tipos de comida – alguma da qual preparada por cozinheiros da Casa Real tailandesa – sempre pronta.

Os especialistas identificaram três opções: treinar os rapazes para mergulhar nas áreas inundadas da gruta, um processo com um grande potencial de se tornar um desastre; bombear água para fora da gruta e esperar que os níveis recuassem naturalmente, o que podia levar cerca de quatro meses a acontecer; ou encontrar outras passagens para dentro da gruta. Mas nenhum cenário era fácil.

Em 6 de julho, a equipa de resgate conseguiu uma outra grande vitória: montaram um sistema de fornecimento de oxigénio e puseram os rapazes a falar com os pais por carta.

O Dia D do salvamento aconteceu em 7 de julho, duas semanas depois do desaparecimento do grupo. De repente e sem que ninguém o esperasse, as autoridades tailandesas anunciaram que iam retirar o grupo de dentro da gruta. No dia anterior, um antigo membro da marinha tailandesa tinha morrido por falta de oxigénio, depois de ter entregado uma reserva de ar às crianças.

“Não podemos continuar à espera de ter condições porque as circunstâncias estão a pressionar-nos”, disse na altura o comandante dos fuzileiros tailandeses Arpakorn Yookongkaew. “Hoje é o grande dia. Os rapazes estão prontos para enfrentar todos os desafios”, garantiu.

Jornalistas e curiosos foram afastados do local, onde dezenas de mergulhadores estavam a chegar e os responsáveis criaram uma zona de operações, que isolaram com lonas.

A primeira etapa da operação de resgate foi concluída no dia 8 de julho com a retirada confirmada de quatro crianças, tendo a operação sido suspensa durante algumas horas para repor as reservas de ar das equipas ao longo do trajeto. No dia seguinte, foram retirados mais quatro rapazes da gruta, todos com vida, mas enviados de imediato para hospitais da zona.

As saídas foram feitas numa operação urgente e perigosa, na qual os rapazes tiveram de mergulhar e atravessar diversas passagens apertadas e tortuosas da caverna.

Na manhã do dia 10 de julho, mais uma das crianças foi retirada, e no final do dia estavam todos fora de Tham Luang, onde ficaram a saber que o futebolista Paul Pogba lhes dedicava o triunfo diante da Bélgica e o apuramento para a final do Mundial 2018.

Tham Luang-Khun Nam Nang, na província de Chiang Rai, era um local pacífico até junho de 2018. Hoje, o local tornou-se um dos pontos turísticos mais visitados da Tailândia e está já em construção um resort de tendas perto da entrada da gruta.

ZAP // Lusa

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