Uma semana depois, 12 crianças continuam desaparecidas numa gruta na Tailândia

Akkapol Chanthawong / Facebook

As 12 crianças desaparecidas numa gruta na Tailândia

Há oito dias, 12 jovens de uma equipa de futebol e o respetivo treinador desapareceram na caverna Tham Luan Nang, na Tailândia.

Os 12 membros da equipa de futebol e o treinador, de 25 anos, deixaram as suas bicicletas junto ao local, levaram as suas mochilas e entraram na gruta, no norte da Tailândia, para explorar as suas profundezas. Não foram mais vistos desde então.

O lugar, na província de Chiang Rai, é a quarta caverna mais longa da Tailândia e bastante popular entre os turistas e moradores pelas suas impressionantes formações rochosas de pedra calcária.

Estas formações tanto originam um ambiente amplo e alto, parecido com o de um grande anfiteatro, como formam passagens estreitas que levam a uma rede de cavernas menores nas quais os locais dizem não ser seguro se aventurar, especialmente durante a temporada de chuvas, que normalmente começa em julho.

Algumas horas depois do grupo entrar, um guarda notou que as bicicletas ainda estavam por ali, mesmo depois do horário de encerramento do parque.

Deu-se então o início de uma angustiante busca pelos jovens, que têm idades entre 11 e 16 anos, e o respetivo técnico. A grande mobilização de esforços está a comover o mundo em torno de uma corrente de apoio e esperança de que o grupo irá encontrado.

Em declarações à BBC, especialistas em cavernas afirmam que, se estiverem num local acima do nível da água que inundou a caverna, há possibilidade de sobreviverem. Tudo depende se o grupo encontrou um local com água potável.

A equipa poderia sobreviver oito dias sem comida, disse, por sua vez, o diretor do Departamento de Serviços Médicos, Somsak Akkasilp. Mas correm outros riscos: podem contrair uma infeção devido às águas sujas ou serem surpreendidos por um animal no interior da caverna, acrescentou.

Os maiores riscos são também a hipotermia e a falta de oxigénio. Acredita-se que a temperatura no interior da caverna seja de 20°C a 25°C, relativamente quente, por isso não deverá ser um problema se as roupas não estiverem molhadas.

A natureza porosa da pedra calcária também favorece que haja oxigénio suficiente no interior, mas sabe-se que as cavernas na região podem conter bolsões de ar de má qualidade, com um alto nível de dióxido de carbono.

“O que inundou foi uma passagem estreita de cerca de 2 km que leva para dentro da caverna. Se os meninos estiverem do outro lado, podem estar numa câmara mais elevada que ainda pode estar seca”, disse Joshua Morris, que organiza tours por montanhas e cavernas na Tailândia e que colocou duas das suas equipas a ajudar no resgate.

Existe ainda a necessidade de controlar o medo e o lado psicológico. “Estar preso numa caverna assim é provavelmente uma das coisas mais aterrorizantes pelas quais uma pessoa pode passar”, afirmou Morris.

Interior da caverna inundado

Grandes níveis de precipitação podem fazer com que o interior da caverna seja inundado em até cinco metros, por isso recomenda-se que seja explorada apenas entre novembro e abril, como informou um guia local à BBC.

Começou a chover não muito tempo depois de a equipa ter entrado na caverna e esse tem sido um dos principais obstáculos até agora. A chuva tornou impossível passar pela entrada principal da caverna e acredita-se que isso tenha sido o que impediu o grupo de voltar.

As equipas de resgate estão a usar bombas industriais para drenar a água, mas o nível sobe mais rápido do que o volume que é possível retirar. Perante esse problema, foi necessário encontrar uma outra forma de entrar. Especialistas acreditam que a rede de cavernas tem outras passagens para o seu interior, mas encontra-las no meio da floresta é bastante difícil.

A chuva intensa também prejudica o trabalho a partir do ar, em helicópteros, para encontrar novas entradas. Também limita o alcance de drones, usados para detetar sinais de calor dentro da rocha que poderiam indicar onde estão os desaparecidos.

Também está a ser utilizado um robô subaquático para enviar informações sobre o nível de água no interior da caverna e as condições do local.

Enquanto isso, mergulhadores da marinha tailandesa foram acionados para sair em busca do grupo na rede de cavernas inundada. Quatro mergulhadores britânicos e militares norte-americanos também estão a auxiliar no resgate.

Porém, os mergulhadores têm de passar por locais muito apertados e não podem ir muito longe, pois podem ficar sem ar. A escuridão quase completa dentro da rede de cavernas e o acumular de destroços e lama também prejudicam a sua visibilidade, que é de apenas alguns centímetros. A sensação de navegar pelas passagens inundadas foi descrita como “nadar em café quente”.

Pegadas de esperança

Na terça-feira, foram vistas pegadas recentes dentro do complexo de cavernas, o que deu esperança de que os desaparecidos estariam em segurança. Mensagens enviadas pelos jovens antes de começar a visita indicam que tinham levado lanternas e comida, mas é improvável que estivessem preparados para passar mais do que algumas horas ali dentro.

O caso mobilizou o país. Tailandeses formaram pelas redes sociais uma corrente de esperança com uma hashtag que pode ser traduzida como “os estranhos que queremos conhecer melhor”. Outras hashtags que se traduzem em frases como “13 vidas devem sobreviver” e “tragam para casa os jogadores Moo Pa” também estão a ser usadas.

No local do resgate, passados os primeiros dias, como voluntários e equipas não haviam até então conseguido encontrar uma outra entrada para a caverna, as autoridades elaboraram um plano: perfurar a pedra para criar uma passagem alternativa.

Mas encontrar um local adequado para posicionar a maquinaria pesada no meio de uma mata na encosta repleta de lama e, ao mesmo tempo, garantir que as rochas à volta não desmoronariam tornaram essa ideia impraticável.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro Prayut Chan-o visitou a base de resgate, no estacionamento da entrada da caverna, onde estão 840 soldados, 90 integrantes de forças especiais, quatro helicópteros, escavadores e equipamentos para situações de desastre. Os familiares dos desaparecidos também estão acampados do lado de fora da caverna.

No mesmo dia, foi identificada uma pequena abertura nas montanhas sobre a caverna. Especialistas britânicos entraram através dela e conseguiram chegar a uma profundidade de 20 metros. Polícias também a usaram para atingir uma grande câmara que ainda está seca e que esperam que leve a outras partes do complexo de cavernas.

“Caixas de sobrevivência”

Esta é a solução considerada mais promissora enquanto a chuva não der tréguas. O excesso de precipitação chegou a fazer com que o bombeamento de água tivesse de ser suspenso na quinta-feira. Os mergulhadores interromperam os seus esforços diversas vezes pelo mesmo motivo.

A quantidade de chuva que cai neste momento é “incomum” mesmo para esta época, disse o governador de Chiang Rai, Narongsak Osotthanakorn, à CNN. “As nossas equipas tiveram de retroceder para a boca da caverna. Não podemos lutar contra a água“.

Dezenas de “caixas de sobrevivência” com comida, mapas e telefones foram enviadas para a caverna, de acordo com a polícia. O plano é que sejam mandadas para o seu interior por passagens que sejam encontradas nas rochas e, se não chegarem diretamente até à equipa de futebol, flutuem pelos rios formados lá dentro e atinjam o local onde estão.

As caixas levam ainda uma mensagem: “Se for recebida, enviem-nos uma resposta e mostrem no mapa onde estão”. Também há planos de enviar câmaras para as áreas profundas da caverna e, assim, elaborar quais serão os próximos passos ou até mesmo fazer contacto com os meninos desaparecidos.

Numa conferência de imprensa este sábado, Osotthanakorn disse que o país tem uma lição a aprender com este tipo de operação, até então inédita. Enquanto isso, as equipas treinavam a retirada de pessoas em macas para estarem prontas caso o grupo seja encontrado.

ZAP // Ciberia

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