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Governo quer retomar comboios que ligavam Portugal à Europa. Mas há um problema e chama-se Espanha

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José Coelho / Lusa

Espanha anunciou na semana passada a decisão de não retomar as linhas férreas internacionais que ligavam a Península Ibérica ao resto da Europa. O ministro dos Transportes português, Pedro Nuno Santos, procura soluções.

Até março do ano passado circulavam comboios noturnos que ligavam Madrid e Barcelona com a Galiza, França e Portugal, sendo que a relação Madrid–Lisboa (Lusitânia Expresso) era feita em conjunto com a CP. Sem consultar o sócio português, a espanhola Renfe decidiu unilateralmente não retomar este serviço internacional.

Em declarações ao jornal Público, fonte do gabinete de Pedro Nuno Santos, ministro dos Transportes, disse que o Governo “está a estudar com a CP possíveis modelos de operação ferroviária internacional com a devida articulação com Espanha”.

A mesma fonte explicou ao matutino que o Executivo de António Costa “tem mantido uma cooperação positiva com o governo de Espanha nos assuntos relacionados com o desenvolvimento da rede ferroviária e continua a fazer esse trabalho de articulação, incluindo sobre os serviços ferroviários internacionais”.

Assim, Portugal está à procura de soluções para retomar os únicos comboios internacionais que ligavam Portugal ao resto da Europa. Sem eles, o país fica isolado nas linhas férreas.

O problema é que, na semana passada, María José Rallo, secretária-geral dos Transportes e Mobilidade em Espanha, anunciou que os comboios noturnos que cruzavam a Península Ibérica antes da pandemia não deverão voltar aos carris.

Esta decisão foi justificada com o facto de a alta velocidade ter tempos de viagem tão competitivos que já não faz sentido manter comboios que demoram uma noite a ligar duas cidades.

A decisão espanhola também não agrada à Coordenação Espanhola para o Comboio Público, Social e Sustentável. “A posição do Ministério dos Transportes, dizendo que Espanha não necessita dos transportes noturnos, não está de acordo com o interesse da sociedade espanhola”, garantiu o porta-voz da organização, José Luiz Ordoñez, em declarações ao Público. “Espanha necessita comboios noturnos tanto nas deslocações no interior do seu território como para as ligações com Portugal e o resto da Europa”.

Espanha possui a segunda maior rede de linhas de alta velocidade do mundo e a Renfe quer rentabilizar estes serviços através, por exemplo, da redução no serviço convencionals. Portugal pode continuar o serviço sozinho, mas o custo seria muito superior.

  Maria Campos, ZAP //

5 Comments

  1. solução facil… vai-se de comboio até à fronteira com espanha, depois um transbordo de autocarro até à fronteira com Franca e a partir dai continua-se de comboio…
    é o que dá cada um olhar para o seu quintal… são algumas das nossas politicas que ao longo dos anos foram esvaziando os bolsos do tua para encher os bolsos dos amigo tipo BES, Socrates, etc…

    • Portugal é um dos piores países da Europa em transporte ferroviário ….quando se falava em linhas de férias para nós incluir no eixo Europeu , alguns por interesse ocultos…falavam que não era preciso ….
      Assim se engana ( com engodo ) os infelizes que pouco viajaram e nada conhecem do outro lado ….
      ESTAMOS ATRASADOS….em muitos anos da Europa , por esta visão “ tacanha “ ….de muitos Portugueses…..
      enfim…

  2. Este PRR vai ser uma festança… Ele é comboios, aeroportos, TAP, hidrogénio, digitalização, etc etc. Tudo coisas de extrema importância para recuperar as pequenas e médias empresas que estão em dificuldades, para as quais os fundos foram cedidos e que são quem move a fraca economia do nosso país….

  3. Chamem o Nuno Álvares Pereira para resolver a situação, os bascos e catalães mais a norte darão uma pequena ajuda!

  4. Somos um país periférico mas, aparentemente, o nosso inimigo chama-se Espanha eu por mim evito em absoluto comprar bens ou serviços “made in spain”, é o meu contributo simbólico. Se muitos Portugueses fizerem isso? Talvez a central nuclear espanhola, a gestão da água e dos transportes ou outras tentativas de colonização espanhola não fossem tão bem sucedidas.

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