Governo quer dar portáteis de serviço a todos os funcionários públicos. Medida vai custar 4 milhões por ano

José Sena Goulão / Lusa

A ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão

O Governo estima que sejam necessários “cerca de quatro milhões de euros” anualmente para que todos os funcionários públicos tenham um computador portátil do serviço para trabalharem a partir de casa, disse esta quinta-feira a ministra da Administração Pública.

“No teletrabalho [ao nível da administração pública], estimamos em cerca de quatro milhões de euros ao ano o valor necessário para que toda a gente tenha um portátil do serviço para poder ir trabalhar para casa”, disse Alexandra Leitão, em entrevista ao podcast “Política com Palavra”, do PS.

A ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública afirmou que muitos trabalhadores “já têm [portáteis do serviço], mas para que todos tenham” este é o valor que o Governo prevê ser necessário para a aquisição dos equipamentos.

A governante acrescentou que “há muita gente a querer” trabalhar em regime de teletrabalho, por “razões de conciliação pessoal” ou “por conforto”.

Para Alexandra Leitão, a pandemia da doença provocada pelo novo coronavírus “trouxe uma grande noção do papel do Estado” e da “necessidade de o cidadão interagir mais facilmente” com este.

A responsável pela Administração Pública admitiu ainda que é necessário “mais e melhor” Estado. “Sempre defendi que o Estado que existia não era demais, como sempre defendi que não há trabalhadores da administração pública a mais“, vincou a governante ao podcast do PS.

A ministra reconheceu ainda que Portugal “vai viver uma situação difícil do ponto de vista económico” e isso “nunca é amigo de nenhuma reforma”. Contudo, retirar “rendimentos às pessoas não vai ser o caminho” para enfrentar esta crise, garantiu Alexandra Leitão.

“O caminho da valorização [dos funcionários da administração pública] é que pode ser um pouco mais lento do que tínhamos planeado”, explicitou a ministra.

Alexandra Leitão assinalou ainda que “não haverá congelamentos, nem perdas de rendimento”, mas as atualizações e os aumentos dos salários terão de ser ponderados “no quadro da discussão do próximo” Orçamento do Estado.

No início de maio, a ministra disse no Parlamento que, apesar de ser um compromisso “que gostaria de conseguir honrar”, não garantia aumentos salariais de 1% na Função Pública em 2021. No final do mês, a ministra admitiu ainda que, num cenário de austeridade, fazer cortes salariais “não será a primeira opção” do Governo, mas o congelamento de carreiras depende do evoluir da situação económica e não pode ser excluída “liminarmente”.

Os sindicatos que representam a Função Pública reagiram de imediato, recusando “liminarmente” a hipótese de congelamento de carreiras e a travagem nos aumentos salariais prometidos para o próximo ano.

Dias depois, Alexandra Leitão alinhou-se ao discurso do primeiro-ministro de que a recuperação económica não será feita através de uma linha de austeridade.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 579 mil mortos e infetou mais de 13,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Em Portugal, morreram 1.676 pessoas das 47.426 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

ZAP // Lusa

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