Governo começa hoje a discutir aumento do salário mínimo. CGTP insiste em 650 euros

Manuel de Almeida / Lusa

Vieira da Silva, ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social

O Governo e os parceiros sociais dão início esta terça-feira à discussão sobre o aumento do salário mínimo para o próximo ano, com as centrais sindicais a exigirem um valor superior a 600 euros.

Na reunião, marcada para as 15h30 no Conselho Económico e Social (CES) em Lisboa, o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, irá ainda apresentar o décimo relatório de acompanhamento do acordo sobre a retribuição mínima.

Segundo o último relatório, em março havia 764,2 mil trabalhadores a receberem o salário mínimo (580 euros), um aumento de 4,2% face ao mesmo período do ano anterior. Pela primeira vez, não se verificou um aumento da percentagem de trabalhadores abrangidos, que se manteve em 22,9% em março.

Para o próximo ano, a UGT exige a fixação do salário mínimo nos 615 euros, um aumento de 6%, enquanto a CGTP insiste em 650 euros.

Do lado das confederações patronais, o presidente da CIP (Confederação Empresarial de Portugal), António Saraiva, admitiu, em junho, vir a propor um valor de salário mínimo superior a 600 euros, remetendo a discussão para o último trimestre do ano.

Iremos surpreender a sociedade portuguesa na próxima discussão do salário mínimo, porque provavelmente teremos algumas surpresas daquilo que é o entendimento do valor do salário mínimo e daquilo que desejamos que venha a ser o salário mínimo”, disse António Saraiva.

Segundo os dados apresentados aos deputados por Vieira da Silva, ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, o número de trabalhadores com salário líquido entre 600 a 900 euros cresceu 8,7% (mais 111,6 mil), enquanto entre 900 a 1.200 euros houve um aumento de 8,2% do número de trabalhadores, entre 1.200 e 1.800 euros aumentou 9,5% e acima de 1.800 euros o crescimento foi de 7,2%.

“Esta é provavelmente a informação mais relevante no sentido positivo dos dados sobre emprego e desemprego que foram conhecidos há poucos dias”, sublinhou o ministro, citado pelo Observador. Vieira da Silva disse ainda que os índices da negociação coletiva também continuam a crescer, com um aumento de 10,5% de trabalhadores abrangidos por convenções coletivas nos três primeiros trimestres, para 780.379.

O Governo tem manifestado abertura para acolher propostas de atualização dos parceiros, sublinhando porém que o único compromisso assumido é de que o valor chegará aos 600 euros em 2019, tal como está expresso no programa do executivo.

Subida do salário mínimo custa 17 milhões no Estado

A parcela de despesa com pessoal que o governo prevê gastar com a subida do salário mínimo em 2019 ronda os 17 milhões. As contas foram feitas assumindo um aumento de 5% na remuneração mínima mensal, se o salário mínimo for fixado nos 600 euros.

O impacto da despesa com da subida do salário mínimo na função pública em 2019 será menor do que o observado em 2018 – em que a fatura foi de 20 milhões de euros -, o que se justifica, explica o DN, pelo facto de, este ano, com o descongelamento, alguns milhares de trabalhadores se terem passado a ter como remuneração base um valor de 635 euros.

O universo de funcionários da administração central que atualmente recebe o salário mínimo nacional ronda os 61 mil, a que se somam cerca de 17.500 das autarquias. O valor apenas terá em conta os trabalhadores do Estado porque a fatura do pagamento dos salários nas autarquias sai dos respetivos orçamentos.

Ao que foi possível apurar, este acréscimo de despesa de 17 milhões de euros, não será retirado à margem de 50 milhões de euros que o governo diz ter disponível para aumentar os salários da função pública em 2019.

Além disto, está ainda prevista uma parcela de 9 milhões de euros para reposicionamentos na tabela dos assistentes operacionais – jardineiros, motoristas auxiliares de educação ou de ação médica, por exemplo – para acautelar que os que estão agora no salário mínimo e progridam em janeiro, avançam de imediato para os 635 euros.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Adorava que TODOS os ministros, deputados, autarcas & Companhia Ilimitada, recebessem mensalmente € 650,00, SEM MAIS QUAISQUER MORDOMIAS, para se governarem!!! 650,00 euros é uma verba que hoje em dia não vale NADA, quando se tem de pagar rendas de casa de 500, 600 ou mais euros e não são condomínios privados…!

  2. Pois, porque é que trabalhadores por conta própria, como tantos milhares e milhares de portugueses, que muitas vezes levam para casa ao final do mês bem menos que o salário mínimo (quando levam alguma coisa, ou quando não levam apenas despesas), têm de suportar o aumento do salário mínimo, quando simultaneamente são penalizados em impostos regressivos (como o IMI ou o ISP, só para citar 2 exemplos)?
    Se Portugal não está melhor, e por isso não pode diminuir a carga fiscal para todos, não vejo razão para puxar o cobertor mais para um lado se isso implica destapar do outro.
    Façam antes por aumentar o tamanho do cobertor e depois tapem todos por igual, que todos têm frio e todos têm direito a aquecerem-se!

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