Fim dos chumbos “não é para poupar dinheiro”

André Kosters / Lusa

O Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues

Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, afirmou esta terça-feira que o objetivo de diminuir os chumbos “não é o de poupar dinheiro”.

Esta terça-feira, durante uma audiência na comissão parlamentar da Educação e Ciência, o ministro Tiago Brandão Rodrigues e o secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa, estiveram a ser ouvidos sobre o plano de combate às retenções no ensino básico previsto no programa do Governo, uma audição requerida pelo grupo parlamentar do CDS.

A deputada centrista Ana Rita Bessa sublinhou que o plano de combate à retenção foi “associado a uma ideia de poupança orçamental”, frisando uma passagem do relatório do Orçamento do Estado para 2020, na qual se escreve que a “continuação e o aprofundamento das medidas de combate ao abandono e insucesso escolares também permitirão a obtenção de ganhos de eficiência através da diminuição do tempo médio de conclusão de cada ciclo de ensino”.

Não existe aqui nenhuma medida economicista. Não é para poupar dinheiro que queremos que não abandonem a escola ou que não reprovem”, garantiu o ministro da Educação aos parlamentares.

Brandão Rodrigues afirmou que a discussão mediática em torno desta medida que o Governo inscreveu no plano de ação para a legislatura “acabou por ser sensacionalista” e “desconexa” do que está no programa do executivo.

“O plano de não retenção não apareceu na imprensa, apareceu no programa do Governo. Está lá trabalho intensivo com alunos em mais dificuldades. Não está lá em lado nenhum passagens administrativas. Este foco é um alarmismo político absolutamente lamentável”, criticou o deputado socialista Porfírio Silva, dirigindo-se ao PSD e ao CDS-PP.

O ministro reiterou: “Não pactuaremos com passagens administrativas”, acusando ainda a direita parlamentar de ter “um certo pânico moral” em relação a este tema.

Ana Rita Bessa defendeu que o fim dos chumbos não é “uma coisa que se decrete” ou inscreva no Orçamento, mas, sim, consequência de não aprender, acusando o executivo de estar a “condicionar a atividade das escolas”, não as deixando reter alunos mesmo nos casos em que se justifique.

“Achar que o sucesso educativo se valida com insucesso de alguns é um absurdo lógico absoluto”, afirmou o ministro, que depois recusou qualquer facilitismo no plano que o Governo quer implementar.

“Verdadeiramente facilitista seria chumbar um conjunto de alunos sem investir na qualidade das suas aprendizagens. O mais facilitista seria mesmo nada fazer. O insucesso e abandono custam demasiado ao país. Não estou a falar de dinheiro. O principal custo é a desqualificação e iliteracia de um conjunto de portugueses. Limita as oportunidades desses jovens, faz perdurar ciclos de pobreza e desigualdade, e constitui o maior problema na nossa competitividade. Queremos tornar mais equitativo o nosso sistema”, disse.

Tiago Brandão Rodrigues referiu que os projetos de combate ao insucesso escolar têm 800 professores alocados e que entre 2015 e 2018 houve uma redução significativa do abandono escolar, um indicador no qual Portugal está neste momento “mais perto do sonho” de atingir a meta de 10% de abandono escolar até 2020.

Segundo o ministro, em 2019 a média nos três primeiros trimestres fixou-se nos 10,6%, mas no 3.º trimestre foi já de 10,2%.

“Entre 2015 e 2018 reduzimos o insucesso. E não foi por passagens administrativas, foi pelo trabalho feito nas escolas”, assegurou Tiago Brandão Rodrigues, o que levou Ana Rita Bessa a defender, no encerramento, que “o problema não são as reprovações em si mesmo, são o que se fez antes ou se vai fazer”, insistindo na necessidade de intervenção precoce.

“Houve uma diminuição da retenção que foram as escolas que a fizeram, por isso o que importa, de facto, é valorizar as escolas e deixá-las trabalhar”, defendeu a parlamentar, acrescentando que os exames de final de ciclo são importantes para aferir os resultados desse trabalho.

ZAP // Lusa

PARTILHAR

2 COMENTÁRIOS

  1. …claro que é para poupar dinheiro! Na (des)educação, para depois o gastar nos jobs e nos boys.
    Nem gramo o outro, mas isto é uma “vergonha” nacional.

RESPONDER

"Ministra da Insensibilidade Social". CDS pede a demissão de Ana Mendes Godinho

O CDS criticou este sábado a reação da ministra a Solidariedade Social à morte de 18 idosos num lar em Reguengos de Monsaraz e considerou que Ana Mendes Godinho desvaloriza o impacto da pandemia nos …

Esgotos de dois milhões de portugueses monitorizados para prever segunda vaga de covid-19

Os esgotos de dois milhões de portugueses estão a ser monitorizados para detetar a eventual presença do vírus da covid-19 e prever uma nova vaga. O Jornal de Notícias avança este sábado que a análise está …

Covid-19. Mais 198 infetados e 3 mortes em Portugal

Portugal registou nas últimas 24 horas mais 198 casos de infeção por covid-19 e três óbitos, de acordo com o boletim epidemiológico publicado pela Direção-Geral da Saúde (DGS). O boletim epidemiológico Direção-Geral da Saúde (DGS) desde …

Média já divulgaram publicidade institucional (mas Estado ainda não lhes pagou)

O Sindicato dos Jornalistas lamentou esta sexta-feira que o Governo não tenha disponibilizado os 15 milhões de euros relativos à compra antecipada de publicidade institucional, vincando que o executivo está em dívida com as empresas …

Autoridades admitem que extrema-direita vá vigiar manifestações antifascistas de domingo

A Frente Unitária Antifascista anunciou que vai organizar no próximo domingo duas manifestações - uma Lisboa (Praça Luís de Camões) e outra no Porto (Avenida dos Aliados). O mote é a luta contra o fascismo. Estas manifestações …

Marcelo não entende por que Portugal continua na "lista negra" do Reino Unido (e leu os relatórios de Reguengos)

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse, em declarações transmitidas pela RTP3, que não entende porque é que Portugal continua na "lista negra" do Reino Unido. Em declarações transmitidas pela RTP3 a partir de …

Estado só recuperou 21% dos créditos tóxicos do BPN

O Estado apenas recuperou 21% dos créditos tóxicos do Banco Português de Negócios, que derivaram da nacionalização da instituição bancária em 2008. Até final de 2019, o Estado só conseguiu recuperar 21% da carteira de créditos …

Novas matrículas "só" vão durar 45 anos (por causa das palavras obscenas)

O novo formato de matrículas entrou em vigor a 2 de março. As novas matrículas vão durar menos tempo do que poderiam porque não serão usadas combinações “que possam formar palavras ou siglas que se …

Novo lay-off conta apenas com 1% das adesões do simplificado

O sucedâneo do lay-off simplificado conta apenas com 1.268 adesões nas primeiras duas semanas. Este valor é apenas 1% do número de empresas que acederam ao primeiro apoio. Nas primeiras duas semanas desde a sua implementação, …

Trump promove falsa teoria de que Kamala Harris não nasceu nos EUA (e que não será elegível para vice)

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que ouviu que Kamala Harris, candidata democrata à vice-presidência da Casa Branca, não era elegível para o cargo, com base num boato que sugeria que pode não …