Relatório aponta “falhas graves” à resposta dos bombeiros na torre Grenfell

Andy Rain / EPA

A resposta dos bombeiros no incêndio na torre Grenfell, que matou 72 pessoas há dois anos, em Londres, foi marcada por “graves falhas”, indica um relatório oficial que deverá ser publicado na quarta-feira.

“Identifico uma série de lacunas graves na resposta do corpo de bombeiros de Londres, tanto no funcionamento da sala de controlo como no terreno do incidente”, declarou o presidente da comissão de inquérito, Martin Moore-Bick, neste relatório, segundo os trechos citados pela agência de notícias Press Association.

O texto de mil páginas deve ser publicado na quarta-feira, mas foi apresentado às famílias das vítimas esta segunda-feira e alguns trechos foram hoje divulgados pela imprensa.

O incêndio na torre Grenfell começou na noite de 14 de junho de 2017 e alastrou rapidamente aos andares superiores da torre de 25 pisos, alegadamente devido ao revestimento exterior inflamável.

Moore-Bick considerou que a tragédia teria causado menos mortes se algumas decisões tivessem sido tomadas antes e criticou, em particular, a decisão dos bombeiros de pedir aos moradores que permanecessem nas suas habitações, depois do início do incêndio, pouco antes da 01h00, antes de mudarem a estratégia às 02h47.

“Esta decisão poderia e deveria ter sido tomada entre a 01h30 e a 01h50 e provavelmente teria causado menos mortes”, salientou Martin Moore-Bick.

O presidente da comissão de inquérito considerou que “a preparação e a organização do corpo de bombeiros de Londres para um incêndio como o da torre de Grenfell foi gravemente inadequada“.

Enquanto enfatizava a coragem dos bombeiros, Moore-Bick acusou a comandante dos bombeiros, Dany Cotton, de ter demonstrado uma “incrível falta de sensibilidade” por ter declarado numa audiência que tomaria as mesmas decisões se revivesse a noite da tragédia.

Moore-Bick manifestou preocupação com o risco de os serviços de emergência “não aprenderem as lições” da tragédia. Dany Cotton anunciou em junho que pretende aposentar-se.

De acordo com o semanário Expresso, que cita o jornal The Guardian, o relatório assinala ainda que o edifício — revestido com painéis de alumínio e polietileno — foi reformado descurando as normas de segurança, contrariando o que a fabricante Arconic defendera.

Um porta-voz do corpo de bombeiros recusou-se a comentar sobre a fuga de informação na imprensa antes da publicação oficial do relatório. No Twitter, a comissão de inquérito indicou estar “dececionada” por esta fuga e não fez mais comentários.

Dos mais de 300 residentes, 70 pessoas morreram no incêndio, mais uma vítima que sucumbiu dos ferimentos dias depois no hospital e um bebé nado morto, filho dos portugueses Márcio e Andreia Gomes.

Logan Gomes, que já tinha quase sete meses de gestação, morreu devido à intoxicação com fumo da mãe, que foi hospitalizada juntamente com uma das duas filhas após escapar pelas escadas desde o 21.º andar.

Além do casal Márcio e Andreia Gomes e as duas filhas menores, viviam na Torre Grenfell outros seis portugueses, todos no 13.º andar: Miguel e Fátima Alves e dois filhos, e outros dois amigos portugueses, residentes num apartamento vizinho, que também sobreviveram.

ZAP // Lusa

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