Europa com cuidados intensivos à beira do limite. Apertadas medidas e um “circuit-breaker” são a esperança

Alejandro Garcia / EPA

O número de infeções diárias de covid-19 tem aumentando drasticamente em grande parte dos países da Europa. Apesar de estarem a tentar evitar um novo confinamento, os governos europeus estão com receio que os cuidados intensivos possam entra em colapso nos próximos dias caso nada seja feito.

A necessidade de medidas mais drásticas depende não só do número de casos de infeção e doença, mas também da capacidade dos cuidados intensivos e dos sistemas de rastreamento de contactos.

Na Bélgica, a situação tem-se mostrado preocupante e os especialistas já referiram os aumento de casos de como um verdadeiro “tsunami”. As autoridades já deixaram um aviso: se não melhorar, vai ser necessário um novo confinamento. Se a taxa de infeções atual se mantiver, haverá mais de mil doentes com covid-19 nas unidades de cuidados intensivos, antecipa o virologista Emmanuel André.

Contudo, “confinamento” é a palavra que todos os governantes querem evitar. Na Alemanha, Angela Merkel pediu que a população se abstenha “de todas as viagens que não sejam realmente mesmo necessárias e de todas as festas. Por favor, sempre que possível, fiquem em casa”.

Tal como aconteceu no início da pandemia, na Alemanha já começou a corrida aos supermercados para comprar papel higiénico à medida que os casos de covid-19 aumentam. Segundo o instituto federal de estatísticas alemão, já há um aumento nas vendas de papel higiénico e desinfetantes. “As compras de hamsters”, como chamam os alemães às compras por acumulação, “estão novamente a começar”, refere o organismo.

No entanto, alguns países viram-se entretanto levados a adotar confinamentos, mesmo que em versões menos estritas do que no início da pandemia, diz o Público.

Na República Checa, que está à frente na tabela dos países europeus na taxa de novas infeções por cem mil habitantes em 14 dias, o primeiro-ministro viu-se obrigado a voltar atrás na garantia de que não haveria um novo confinamento, embora este seja parcial.

Andrej Babis lamentou a decisão, mas defende que “não podemos esperar mais”. “O nosso sistema de saúde iria entrar em rutura entre os dias 7 e 11 de Novembro”, afirmou. Na sua intervenção, Babis pediu desculpa cinco vezes por ter de tomar estas medidas.

A Irlanda foi o primeiro país europeu a entrar num segundo confinamento, com regras estritas, limites de circulação num raio de 5km e de visitas, mas mantendo as escolas e creches abertas. O chefe de Governo, Micheál Martin sugeriu que poderá ter de haver confinamentos periódicos “até que haja uma vacina segura”. Este confinamento vai durar seis semanas.

Na Irlanda, a taxa de infeções por 100 mil habitantes a 14 dias está, como Portugal, a meio da tabela dos países europeus, mas o país tem poucas camas em cuidados intensivos, e o sistema de rastreamento já não estava a conseguir dar resposta ao aumento de infeções.

No País de Gales começa esta sexta-feira o chamado confinamento “circuit-breaker”, também conhecido como “corta-fogo”, em vigor por duas semanas. O objetivo é quebrar cadeias de transmissão. A ideia é que ter um confinamento restrito seja mais fácil para as pessoas fazerem o seu planeamento e mais leve em termos psicológicos.

Outros países têm optado por recolheres obrigatórios, como é o caso de França, que esta quinta-feira juntou mais regiões à lista daquelas de cidades onde não se pode sair à rua entre as 21h e as 6h.

Também as regiões das três maiores cidades de Itália — Lácio (Roma), Campânia (Nápoles) e Lombardia (Milão) vão ter um recolher obrigatório entre as 23h e as 5h, a partir desta sexta-feira e durante 30 dias.

Segundo o Expresso, os gregos também vão ter novas medidas, numa altura em que o país passa por um pico de infeções. O primeiro-ministro grego anunciou esta quinta-feira o recolher obrigatório a partir de sábado em algumas cidades, incluindo Atenas. É também imposto o uso “obrigatório” de máscara dentro e fora de Atenas. “A máscara é a vacina antes que a vacina chegue”, acrescentou o primeiro-ministro.

Na Suécia vão ser impostas medidas a partir de 1 novembro. Depois de uma postura mais tranquila em relação à pandemia, o país vai adotar novas restrições ao funcionamento de restaurantes e de espaços de diversão noturna devido ao aumento de novas infeções pelo novo coronavírus.

De acordo com o chefe da Agência de Saúde Pública sueca, as novas restrições para o setor da restauração impõem um limite máximo de 8 pessoas por mesa. O primeiro-ministro sueco reforçou que as novas restrições também se aplicam aos espaços de diversão noturna. Agora, a capacidade permitida para os eventos públicos é de 50 pessoas.

A Europa continua a somar zonas de risco. Num mapa do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças que divide a União Europeia em zonas com risco mostrado num sistema de semáforo há cada vez mais zonas vermelhas.

Portugal tem neste momento o território continental totalmente no “vermelho”.

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