“Acabou a festa”. Suécia anuncia restrições após aumento de casos

Daniel Pockett / EPA

A Suécia vai impor, a partir de 1 novembro, novas restrições ao funcionamento de restaurantes e de espaços de diversão noturna devido ao aumento de novas infeções pelo novo coronavírus naquele país.

Ao comentar as novas medidas, o primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, declarou que “a festa acabou”, numa altura em que o país totaliza 109.000 casos de infeção e 5.929 mortes desde o início da crise sanitária provocada pela doença covid-19.

Com uma incidência de 101,7 casos por cada 100.000 habitantes nos últimos 14 dias, segundo os dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, a Suécia contabilizou, na quarta-feira, 1.206 novas infeções.

De acordo com o chefe da Agência de Saúde Pública sueca as novas restrições para o setor da restauração impõem um limite máximo de oito pessoas por mesa.

O primeiro-ministro sueco reforçou que as novas restrições também se aplicam aos espaços de diversão noturna (bares, discotecas), frisando que estes estabelecimentos não têm seguido os padrões recomendados para lidar com a pandemia.

O ministro do Interior sueco, Mikael Damberg, esclareceu, por sua vez, que os clubes noturnos só podem acolher, em simultâneo, um máximo de 50 pessoas, advertindo que serão aplicadas coimas aos estabelecimentos que não respeitarem as regras.

Os eventos públicos podem atingir uma capacidade até 300 pessoas, mas só se envolverem público sentado e se a regra de um metro de distanciamento físico estiver garantida. Agora, a capacidade permitida para os eventos públicos é de 50 pessoas.

Considerada por alguns como polémica, a Suécia adotou uma estratégia contra o novo coronavírus classificada como suave quando comparada com outros países nórdicos e europeus (manteve abertas, por exemplo, escolas, jardins, restaurantes, bares e outros serviços), registando uma taxa de mortalidade muito superior face aos seus países vizinhos. Até agora, as autoridades suecas favoreceram os apelos à responsabilidade individual em vez de impor restrições e limitaram-se a “recomendar” certas precauções.

Cuidados intensivos na Europa à beira do limite

A Cruz Vermelha Internacional pediu à Europa para “não tirar o pé do acelerador” no combate à pandemia de covid-19, alertando que as unidades de cuidados intensivos em muitas cidades europeias já estão perto do limite da capacidade.

A organização referiu, por exemplo, que numa parte da Bélgica – país que registou um recorde diário de 13.227 novos casos de infeção pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas – as unidades de cuidados intensivos já atingiram os níveis máximos de capacidade.

Zonas em países como França, Rússia, Roménia, Ucrânia e República Checa também estão a aproximar-se de uma situação semelhante, segundo alertou a organização num comunicado, citado pelas agências internacionais.

Há um grande salto no número de hospitalizações e muitos países relatam que vão atingir o limite nas suas unidades de cuidados intensivos nas próximas semanas”, indicou a diretora regional da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), Birgitte Bischoff Ebbesen.

A representante realçou que o continente europeu tem atualmente a taxa de novos casos de infeção mais alta do mundo, três vezes maior do que a registada na primeira vaga da pandemia, entre março e abril.

O coordenador regional para a saúde da FICV, Davron Mukhamadiev, acrescentou, por sua vez, que o tempo de hospitalização dos doentes também está a aumentar, sendo agora o dobro, e até o triplo, face aos meses com menos internamentos.

A par de um possível aumento dos óbitos associados diretamente à doença na Europa durante o período do outono e do inverno, Davron Mukhamadiev alertou que outras potenciais mortes serão registadas no continente devido a causas indiretas, uma vez que, por causa da atual crise, as pessoas têm maior dificuldade em receber tratamentos para outras patologias, como doenças coronárias e oncológicas, tuberculose, entre outras.

A pandemia da doença covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 41,3 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. A Europa é a terceira região do mundo mais afetada pela pandemia, contabilizando um total de 8,3 milhões de pessoas infetadas.

Ao nível dos óbitos, é a segunda região com mais vítimas, já tendo ultrapassado a barreira dos 260 mil mortos. Em Portugal, morreram 2.229 pessoas dos 106.271 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente (quarta-feira) da Direção-Geral da Saúde. Relativamente aos internamentos hospitalares, o mesmo boletim revelou que existiam então mais 35 pessoas internadas, totalizando 1.272, e 187 em cuidados intensivos, mais 11 em relação a terça-feira.

A doença é transmitida por um novo coronavírus (SARS-Cov-2) detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

ZAP // Lusa

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