EUA prontos a atacar de novo se existir outro ataque químico

Justin Lane / EPA

Embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley

Os EUA estão prontos a agir novamente caso exista um novo ataque químico na Síria, assegurou este sábado a embaixadora norte-americana junto da ONU, durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança.

“Estamos confiantes que incapacitámos o programa de armas químicas da Síria. Estamos preparados para manter esta pressão, se o regime sírio for insensato o suficiente para testar a nossa vontade”, disse a embaixadora dos EUA junto da ONU, Nikki Haley.

Os EUA, França e Reino Unido realizaram na madrugada de sábado uma série de ataques com mísseis contra três alvos associados à produção e armazenamento de armas químicas na Síria, em resposta a um alegado ataque com armas químicas na cidade rebelde de Douma, em Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco.

Segundo o secretário-geral da NATO, a ofensiva teve o apoio dos 29 países que integram a Aliança.

O presumível ataque químico foi realizado há uma semana e terá provocado mais de 40 mortos e afetado cerca de 500 pessoas.

“Os EUA não vão permitir que o regime de Assad continue a usar armas químicas”, reforçou ainda Nikki Haley na reunião de emergência do Conselho de Segurança.

A reunião de emergência deste sábado foi pedida pela Rússia, aliado tradicional do regime sírio liderado por Bashar al-Assad, horas depois da realização dos ataques. Pouco antes da reunião, o país distribuiu um projeto de resolução em que pedia à ONU que condenasse a “agressão” armada ocidental contra a Síria. A proposta foi chumbada.

Rússia, China, dois membros permanentes do Conselho de Segurança e a Bolívia, membro não permanente, votaram pelo texto, oito países votaram contra e quatro abstiveram-se.

França anunciou em paralelo a apresentação em breve de uma nova resolução para ultrapassar “o impasse sírio”. “Vamos apresentar em breve um projeto de resolução com os nossos parceiros britânicos e americanos”, declarou o embaixador francês nas Nações Unidas, François Delattre.

EUA respondem “às propagandas da Rússia”

O Departamento de Estado norte-americano divulgou hoje um comunicado como resposta “às muitas propagandas da Rússia que andam por aí“, sobre a guerra da Síria e o uso de armas químicas do regime de Assad.

“Não há dúvidas sobre a regularidade do uso de armas químicas por parte de Assad. Desde 2014, a Organização para a Proibição de Armas Químicas atribuiu a responsabilidade ao Governo sírio por múltiplos ataques com gás sarin e cloro“, lê-se no comunicado divulgado na página oficial do Departamento de Estado, no Twitter.

“A Rússia vetou seis vezes no Conselho de Segurança da ONU a condenação às ações de Assad”, acusou o Departamento de Estado norte-americano, denunciando ainda as autoridades russas de não terem cumprido com a promessa em “serem o garante da remoção das armas químicas na Síria”.

Segundo o comunicado, Assad apenas conseguiu travar uma guerra contra o “seu próprio povo” devido ao apoio iraniano, que, segundo o Departamento de Estado, “forneceu financiamento, treino, munições e até linhas de crédito” ao governo Sírio.

As autoridades norte-americanas reiteraram ter dado “uma chance à diplomacia”, declarando que esperaram “que ela conseguisse acabar com o horror dos ataques químico”. “Mas, como vimos, isso não aconteceu“, assinala.

Entretanto, investigadores da Organização para a Proibição de Armas Químicas devem chegar hoje a Douma, perto da capital da Síria, para investigar o alegado ataque químico que desencadeou ataques ocidentais contra o regime de Damasco, segundo um oficial sírio.

“A missão de investigação chegou sábado a Damasco e espera-se que vá hoje para Douma para começar o seu trabalho”, disse à agência France Presse o vice-ministro sírio dos Negócios Estrangeiros, Ayman Soussane.

A declaração surgiu depois de o regime de Bashar al-Assad ter anunciado o controlo de todas as áreas rebeldes do leste de Ghouta depois da saída dos últimos rebeldes da Douma. “Vamos deixar a equipa fazer seu trabalho profissional, objetiva, imparcial e longe de qualquer pressão”, afirmou, considerando que os resultados demonstrarão que são falsas as alegações de que é o regime sírio o culpado dos ataques.

ZAP // Lusa

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