EUA, Reino Unido e França bombardeiam a Síria

A ofensiva lançada pelos EUA, Reino Unido e França contra o Governo sírio consistiu em três ataques contra instalações utilizadas para produzir e armazenar armas químicas, informou o Pentágono.

O primeiro dos ataques, perto de Damasco, teve como objetivo um centro de investigação científica utilizada, segundo o chefe de Estado Maior Conjunto dos EUA, general Joseph Dunford, para a “investigação, desenvolvimento, produção e testes de armas químicas e biológicas”.

O segundo objetivo dos EUA e aliados europeus foi um depósito de armas químicas situado a oeste de Homs, que segundo Dunford armazenava as principais reservas de gás sarin nas mãos do governo de Bashar al-Assad.

Por último, os três países atacaram um outro armazém de armas químicas e um “importante centro de comandos”, ambos situados perto do depósito de armas químicas a oeste de Homs.

“Os objetivos que foram atacados e destruídos estavam associados ao programa de armamento químico do regime sírio. Também selecionamos objetivos que minimizassem o risco para civis inocentes”, afirmou Dunford em conferência de imprensa.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condenou os ataques químicos “monstruosos” levados a cabo pelo regime de Damasco e prometeu que a operação irá durar “o tempo que for necessário”.

De Londres, a primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou que não existia “alternativa ao uso da força”. “Não podemos tolerar a banalização do uso das armas químicas”, afirmou, por sua vez, o Presidente francês, Emmanuel Macron, em comunicado.

Mais de 40 pessoas morreram e 500 foram afetadas no ataque de 7 de abril contra a cidade rebelde de Douma que, segundo organizações não-governamentais no terreno, foi realizado com armas químicas.

A oposição síria e vários países acusam o regime de Al-Assad da autoria do ataque, mas Damasco nega e o seu principal aliado, a Rússia, afirmou que o ataque foi encenado com a ajuda de serviços especiais estrangeiros.

Esta manhã, centenas de sírios reuniram-se na histórica praça Omayyad, da capital síria, acenando bandeiras, batendo palmas e dançando em sinal de vitória, festejando os ataques perpetrados pelos EUA e aliados.

(dv) US Department of Defense / EPA

Instalações sírias visadas no bombardeamento dos EUA, Reino Unido e França

Rússia avisa que este ataque terá consequências

“Os piores presságios cumpriram-se. Não ouviram as nossas advertências. Voltaram a ameaçar-nos. Tínhamos advertido de que estas ações não ficarão sem consequências. Toda a responsabilidade recai em Washington, Londres e Paris”, afirmou o embaixador da Rússia em Washington, Anatoli Antónov, numa declaração oficial difundida pela embaixada.

O chefe da delegação diplomática russa em Washington qualificou de “inadmissíveis” as palavras do Presidente dos EUA sobre a responsabilidade de Vladimir Putin no suposto ataque com armas químicas contra a cidade síria de Douma.

“Os ataques ao Presidente Vladimir Putin são inaceitáveis e inadmissíveis. Os EUA, um país que têm o maior arsenal de armas químicas do mundo, não têm o direito moral de culpar outros países”, assinalou Antónov.

Os ataques com mísseis foram realizados “sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, em violação da Carta das Nações Unidas e de normas e princípios do direito internacional” e constituem “um ato de agressão contra um Estado soberano que está na vanguarda da luta contra o terrorismo”, referiu Putin em comunicado.

“Especialistas militares russos que visitaram a cena deste incidente imaginário não encontraram evidências de uso de cloro ou outras substâncias tóxicas, e nenhum morador local confirmou um ataque químico”, afirma Putin no comunicado.

Segundo o líder russo, o Ocidente tem “mostrado um desprezo” pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), que deveria começar os seus trabalhos de verificação no local hoje, ao optar por “uma ação militar sem esperar pelos resultados da investigação”.

“Através das suas ações, os EUA agravaram a crise humanitária na Síria, trazem sofrimento para a população civil, favorecem os terroristas que assolam há sete anos o povo sírio e causam uma nova onda de refugiados”, considerou ainda a Rússia.

A Rússia anunciou que vai pedir uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU após os ataques ocidentais contra alvos na Síria.

Assad mais determinado do que nunca

O Presidente sírio já reagiu a estes ataques e garantiu estar mais determinado do que nunca em lutar contra o terrorismo na Síria. “Esta agressão não faz mais do que reforçar a determinação da Síria em continuar a lutar e esmagar o terrorismo, em cada parcela do seu território”, assegurou durante uma conversa telefónica com o seu homólogo iraniano Hassan Rohani, citado pela Presidência síria.

Antes, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Bahram Qasemi, já tinha denunciado, em comunicado, que o ataque realizado esta madrugada ignora “a soberania e a integridade territorial da Síria”. “Os EUA e seus aliados são responsáveis pelas consequências regionais dessa ação”, acrescentou.

Segundo o Irão, os EUA, a França e o Reino Unido decidiram bombardear a Síria “sem quaisquer provas” do alegado ataque químico e sem esperar pelos peritos internacionais.

Teerão, aliada de Damasco, considera que as acusações de ataques químicos foram “uma desculpa” para justificar o ataque militar de hoje.

A China também já criticou o ataque conjunto dos três países. “Qualquer ação militar unilateral sem o aval do Conselho de Segurança é contrária aos propósitos e princípios da Carta da ONU e viola os princípios e normas básicas do direito internacional”, afirmou uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying.

“Nós opomo-nos ao uso da força nas relações internacionais e apoiamos o respeito pela soberania, a independência e a integridade territorial de todos os países”, disse.

“A Guerra Fria voltou”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, exortou hoje os estados membros a exercerem moderação e se absterem de qualquer ação que possa levar a uma escalada após os ataques na Síria.

“Eu apelo a todos os Estados membros para que exerçam contenção nestas circunstâncias perigosas e para evitar todos os atos que possam agravar a situação e agravar o sofrimento do povo sírio”, referiu num comunicado citado pela AFP.

O secretário-geral adiou uma viagem planeada à Arábia Saudita para gerir as consequências deste incidente. A intervenção militar ocidental contra a Síria não foi autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU.

Esta sexta-feira, António Guterres já tinha alertado para o retorno da Guerra Fria e denunciou que a situação na Síria representa o maior perigo para a paz e segurança mundiais. “A Guerra Fria voltou”, afirmou na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas pedida pela Rússia.

O secretario geral da NATO, Jens Stoltenberg, já apoiou o ataque conjunto realizado esta madrugada e considerou que tal “reduzirá a capacidade do regime” de Assad de voltar a atacar a população com este tipo de armas.

A chanceler alemã, Angela Merkel, também já afirmou que o ataque foi uma resposta “necessária e apropriada”. “Nós estamos ao lado dos nossos aliados americanos, britânicos e franceses” que “assumiram as suas responsabilidades”.

Por cá, o Ministério dos Negócios Estrangeiros afirma que “Portugal compreende as razões e a oportunidade desta intervenção militar”, acrescentando que o objetivo foi “infligir danos à estrutura de produção e distribuição de armas que são estritamente proibidas pelo direito internacional”.

De acordo com o comunicado divulgado pelo Ministério de Augusto Santos Silva, o regime sírio “deve assumir plenamente as suas responsabilidades”, já que “é inaceitável o recurso a meios e formas de guerra que a humanidade não pode tolerar”.

No entanto, afirma o ministério, é necessário “evitar qualquer escalada no conflito sírio, que gere ainda mais insegurança, instabilidade e sofrimento na região”.

ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. 1º – Explique-me quem souber. Por que é que as armas químicas são proibidas e as nucleares, ou outras, não?
    2º – E se são proibidas, por que e para que é que os USA possuem o maior arsenal dessas armas?
    3º – A questão das armas químicas foi só o pretexto para este ensaio bélico.
    4º – É sabido que todos os países que ousam contrariar os interesses “dolarescos” dos USA sofrem, mais cedo ou mais tarde, as consequências perpetradas por essa gente que até se atreve a jurar sobre a Bíblia para enganar, conspurcando-a.
    5º – Se a Síria fosse capacho dos USA nunca teria problemas.
    6º – A França e o Reino Unido metidos nisto, significa que estes dois Estados também têm o rabo preso.
    7º – E, afinal, para que servem as Nações Unidas?

  2. Cuidado com os comentários feitos, pois o passado não muito distante, também os europeus deixaram outros comandar o mundo e tomar decisões unilaterais que infelizmente tardiamente veio a causar graves conflitos mundiais, por isso temos que ter a consciência de que ficar a ver os acontecimentos a acontecer nunca foi boa política. Estou de total acordo nesta intervenção, somente considero que devia ter sido em conjunto com toda a Europa, pois também está provado que a união é que faz a força!!!

  3. Já não era sem tempo, parabéns aos EU – UK e a França, acabem com esse assassino de uma vez por todas. só lamento que seja agora, mas lá diz o velho ditado, mais vale tarde de que nunca.

  4. Outra forma de crime organizado. E a justiça internacional, compreensiva. Mas aindiferença é a melhor aliada da guerra e isso está na nossa responsabilidade, cidadãos do mundo.

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