“Missão cumprida”. Trump fala em ataque “perfeito”

David Maxwell / EPA

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

O resultado dos ataques realizados pelos EUA, em conjunto com o Reino Unido e a França, contra alvos na Síria “não poderia ter sido melhor”, escreveu o Presidente norte-americano no Twitter.

“Missão cumprida”, disse o chefe de Estado norte-americano no Twitter, frisando que o ataque foi “perfeitamente executado”. Donald Trump também fez questão de agradecer o apoio dos aliados ingleses e franceses.

“Obrigado à França e ao Reino Unido pela sua sabedoria e pela capacidade dos seus excelentes exércitos”, salientou o Presidente dos EUA na rede social.

Trump dirigiu palavras elogiosas aos militares norte-americanos, afirmando estar orgulhoso e prometendo que em breve, após a aprovação de novas verbas para as forças armadas norte-americanas, estes serão “os melhores” que os EUA alguma vez tiveram.

Numa conferência de imprensa realizada esta tarde, a porta-voz do Pentágono, Dana White, afirmou que o país conseguiu ter “atingido com sucesso” todos os alvos sírios que estavam previstos na ação militar.

Não tencionamos intervir no conflito na Síria, mas não podemos permitir tais violações das leis internacionais”, disse. “Atingimos com sucesso cada alvo”, acrescentou.

Na mesma conferência de imprensa, um alto responsável do Pentágono, o general Kenneth McKenzie, referiu que os ataques representaram um grande golpe para o programa de armas químicas da Síria e que “levará anos para recuperar”.

As unidades de defesa antiaéreas russas, um dos principais aliados de Damasco, não foram ativadas e as do regime sírio só foram depois do fim dos ataques, acrescentou o general.

Os EUA, a França e o Reino Unido realizaram esta madrugada uma série de ataques com mísseis contra três alvos associados à produção e armazenamento de armas químicas na Síria, em resposta a um alegado ataque com essas mesmas armas na cidade rebelde de Douma, em Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco.

Conselho de Segurança da ONU reunido de emergência

O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se, esta tarde, para analisar o ataque conjunto dos três países, a pedido da Rússia, aliada do regime sírio. Trata-se da quinta reunião que o Conselho de Segurança da ONU realiza esta semana sobre o assunto.

Antes de a reunião começar, a Rússia distribuiu um projeto de resolução que pedia à ONU para condenar a “agressão” armada ocidental contra a Síria. O documento de cinco parágrafos, citado pela AFP, refere uma “grande preocupação” perante a “agressão” contra um Estado soberano que viola “o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas”.

Na sua intervenção, o embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, afirmou que os ataques ocidentais foram um “ato de agressão” contra um Estado soberano e acusou EUA, Reino Unido e França de “hooliganismo diplomático”.

Para Nebenzya, os ataques “tornam uma situação humanitária catastrófica ainda pior”, por isso, pediu ao Conselho que votasse favoravelmente o projeto de resolução.

No entanto, o Conselho de Segurança acabou por rejeitar a resolução, ao não garantir os nove votos necessários para a aprovação. Rússia, China, dois membros permanentes do Conselho de Segurança e a Bolívia, membro não permanente, votaram pelo texto, oito países votaram contra e quatro abstiveram-se.

França anunciou em paralelo a apresentação em breve de uma nova resolução para ultrapassar “o impasse sírio”. “Vamos apresentar em breve um projeto de resolução com os nossos parceiros britânicos e americanos”, declarou o embaixador francês nas Nações Unidas, François Delattre.

Fonte diplomática francesa citada pela France-Presse referiu que Paris pretende a formação de um mecanismo de investigação sobre o recurso às armas químicas, favorecer o acesso humanitário sem limites e obter uma nova dinâmica do processo de paz iniciado em Genebra sob égide da ONU.

Hoje, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que se evite uma situação “fora de controlo” na Síria, mas também que se evite um agravamento do sofrimento do povo sírio. “Insto todos os Estados-membros a que mostrem moderação nestas perigosas circunstâncias”, disse Guterres, no início da reunião de emergência.

O secretário-geral adiou uma viagem planeada à Arábia Saudita para gerir as consequências deste incidente. A intervenção militar ocidental contra a Síria não foi autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU.

Serguei Lavrov quer provas do ataque químico

“Disseram que os factos eram incontestáveis, mas que não os podem partilhar connosco”, disse Serguei Lavrov num encontro com jornalistas em Moscovo, citado pela BBC.

“Não nos dão mais nada, limitam-se a citar meios de comunicação, redes sociais e o vídeo, o que é absurdo da parte de especialistas“, acrescentou, citado pela agência Tass.

“A Rússia seria a primeira a querer travar um tal ataque”, assegurou o ministro russo.

“Isto aconteceu um dia antes de os inspetores chegarem a Douma para investigar”, disse Lavrov, referindo-se à missão da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) que se deslocou à Síria para investigar o ataque.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, disse na quinta-feira, numa entrevista à televisão nacional francesa, ter provas de que o regime sírio usou armas químicas no ataque e afirmou que isso constitui uma violação de uma “linha vermelha” que podia levar a ataques ocidentais.

Hoje, depois dos ataques, o Governo francês divulgou um relatório, baseado em “informações fiáveis” e “fontes abertas”, que concluiu que o ataque a Douma foi lançado pelo regime de Bashar al-Assad.

Também hoje, a Casa Branca divulgou um relatório citando “um significativo conjunto de informações” que aponta para o uso de cloro em Douma e “informações adicionais” que apontam para o uso de gás sarin.

“Com base nas informações recolhidas pelos nossos serviços e na ausência até à data de amostras analisadas por laboratórios nossos, França considera, para lá de dúvida possível, que um ataque químico foi perpetrado contra civis em Douma e que não há outro cenário plausível que ter sido um ataque das forças sírias”, lê-se no relatório.

Esta manhã, centenas de sírios reuniram-se na histórica praça Omayyad, da capital síria, acenando bandeiras, batendo palmas e dançando em sinal de vitória, festejando os ataques perpetrados pelos EUA e aliados.

ZAP // Lusa

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  1. Jesus disse certa vez: “E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas ainda não é o fim.” (Mateus 24:6) O Armagedon realmente ainda está longe. A Terceira Guerra Mundial também não nos ameaça agora. Quando isso acontecerá? A Bíblia diz: “E [o rei do norte = Rússia desde a segunda metade do século XIX. (Daniel 11:27)] tornará para a sua terra com muitos bens [1945], e o seu coração será contra a santa aliança [a hostilidade em relação aos cristãos. A União Soviética introduziu o ateísmo estatal]; e vai agir [isso significa alta atividade no cenário internacional], e voltará para a sua terra [1991-1993. A dissolução da União Soviética e o Pacto de Varsóvia. As tropas russas retornaram a sua terra]. No tempo designado voltará [isso significa também a desintegração da União Europeia e da NATO. Muitos países do antigo bloco de Leste voltará à esfera de influência russa]. E entrará no sul [provavelmente a Geórgia]; mas não serão como antes [Geórgia – 2008] ou como mais tarde [Ucrânia].” (Daniel 11:28, 29) Mas a terceira vez será a intervenção dos EUA. (Daniel 11:30a)

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