EUA e China ganham 90 dias para evitar guerra comercial

Thomas Peter / EPA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o presidente da China, Xi Jinping

Donald Trump e Xi Jinping conseguiram, no sábado à noite em Buenos Aires, sair do encontro com o melhor resultado possível na presente conjuntura: uma trégua que dá tempo às duas partes para negociar um acordo comercial.

O jantar entre os dois presidentes, apesar de não fazer parte do programa oficial do G20, era um dos momentos mais esperados do encontro de líderes mundiais que decorreu este fim-de-semana em Buenos Aires.

Os EUA e a China, os dois países com as maiores economias do planeta, têm estado envolvidos numa guerra comercial que tem assustado os mercados e que, a agravar-se, poderia ter consequências para todo o mundo, recorda o Público.

Os EUA aumentaram as taxas alfandegárias de importações provenientes da China no valor de 250 mil milhões de dólares. Primeiro, aplicaram uma taxa de 25% em 50 mil milhões de dólares de produtos e, depois, uma taxa de 10% em 200 mil milhões de dólares, agendando uma subida para 25% nestes produtos no início do próximo ano.

A China retaliou com subidas de taxas nos produtos norte-americanos, o que levou a que Donald Trump ameaçasse com a possibilidade de alargar as suas medidas a todos os produtos importados da China.

Este sábado, depois de horas intensas de negociações entre os dois países, o jantar acabou por resultar numa pausa no cenário de ataque e contra-ataque ao nível das taxas alfandegárias. Os EUA já não vão subir de 10% para 25% as taxas aplicadas a 200 mil milhões de dólares dos produtos chineses.

Em contrapartida, a China comprometeu-se a aumentar o volume de compras de produtos agrícolas, industriais e energéticos norte-americanos, embora não tenham sido tornados públicos os montantes em causa nem o prazo em que tal deverá acontecer.

Os EUA e a China irão, nos próximos 90 dias, reunir as suas equipas com o objetivo de definir taxas alfandegárias estáveis e de aplicação de regras menos apertadas para os fluxos de investimento entre os dois países.

Contudo, não há sinais neste momento de avanços significativos entre os dois países em direção a um entendimento final. A Casa Branca deixou claro que, não havendo um acordo ao fim destes 90 dias de negociação, o agravamento das taxas alfandegárias para 25% irá mesmo concretizar-se.

Como é normal nestes casos, a forma como os dois lados descreveram o acordo foi bastante diferente. Os responsáveis norte-americanos destacaram sobretudo o compromisso chinês de realizar mais compras de produtos norte-americanos e assim reduzir o seu excedente comercial com os EUA.

Pequim preferiu salientar o facto de Washington ter aceite não subir mais a taxas, com o ministro dos Negócios Estrangeiros a descrever a promessa de mais compras por parte da China apenas como “uma expansão das importações de acordo com as necessidades do mercado doméstico e da população”, que irá “gradualmente aliviar o problema do desequilíbrio comercial”.

Donald Trump centro o seu discurso na sua relação com o presidente chinês. “A relação é muito especial. Penso que esta vai ser a razão principal para que nós, provavelmente, consigamos alguma coisa boa para a China e para os EUA”, afirmou. Já Xi Jinping afirmou que “apenas a cooperação pode servir os objetivos da paz mundial e da prosperidade”.

ZAP //

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