Uso de máscara pode salvar 130 mil vidas nos EUA até final de fevereiro, revela estudo

As medidas de distanciamento social, principalmente o uso de máscaras em público, podem salvar até 130 mil vidas nos Estados Unidos (EUA), revelou um novo estudo divulgado na sexta-feira.

Em abril, o Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, escolheu um único modelo de previsão da disseminação do coronavírus. As estimativas desse simulador revelaram-se mais otimistas do que outros algoritmos, projetando muito menos mortes por covid-19, cálculos esses que atraíram fortes críticas dos epidemiologistas.

“Acreditamos que está a chegar uma grande vaga no inverno”, disse durante uma conferência Christopher Murray, principal autor do novo artigo e diretor do Instituto de Avaliação e Métricas de Saúde da Universidade de Washington (IHME). Nesta altura, essa vaga já não é totalmente evitável, mas “expandir o uso da máscara é uma das vitórias fáceis para os Estados Unidos”, afirmou o especialista, citado pelo Stat.

Este nova estimativa, publicada no Nature Medicine, mostra que poderá haver, aproximadamente, meio milhão de mortes relacionadas à covid-19 nos EUA até o final de fevereiro e que à volta de 130 mil podem ser evitadas com o uso de máscara. Segundo os autores, as máscaras podem reduzir o risco de infeção em cerca de 40%.

“Os números exatos são impossíveis de prever”, disse Ruth Etzioni, especialista do Centro de Pesquisa do Cancro Fred Hutchinson e da Universidade de Washington, que não esteve envolvida nesta nova pesquisa. “O que deve impulsionar as políticas [de saúde] é a diferença entre os cenários com e sem máscaras”.

O trabalho inicial da equipa do IHME, realizado na primavera, não modelar as taxas de transmissão e períodos de incubação do vírus, mas sim encaixou os país em dados de surtos noutros locias, com os casos a aumentar e a cair simetricamente.

As projeções do IHME também oscilaram bastante ao longo do tempo. Como apontou Nicholas Reich, um estatístico da Universidade de Massachusetts, cuja equipa compara vários modelos estatísticos diferentes para a covid-19, essas projeções “eram imprecisas”.

O IHME então mudou para uma forma mais tradicional de modelar doenças infeciosas, que visa calcular a cascata matemática da transmissão: o número de pessoas suscetíveis à doença; quantas foram expostas, quantas infetadas e quantas se recuperam e adquiriram, assim, imunidade, pelo menos temporária.

GovBogotá / Fotos Publicas

Assim que o instituto mudou a abordagem, disse Nicholas Reich, as “suas previsões mais recentes para prazos curtos, submetidas ao Centro de Previsão COVID-19, tiveram um desempenho razoavelmente bom relativamente à precisão. Não é o melhor modelo, mas parecem estar a fazer previsões de curto prazo razoavelmente precisas”, esclareceu.

No entanto, quanto mais se avança no tempo, maior é a incerteza das projeções. A equipa usou dados de todos os estados do país relativamente aos casos e a outras variáveis ​​- como dados de deslocação, flutuações sazonais de pneumonia, níveis de uso de máscara – para projetar como o ajuste dessas variáveis ​​pode alterar os resultados.

Esse tipo de análise não visa apontar a eficácia do uso de máscara na redução da propagação de doenças, sendo apenas um dos muitos dados que os investigadores inseriram no seu modelo. A sua previsão surge de uma meta-análise feita a estudos anteriores revistos ​​por pares e impressões que examinaram especificamente essa questão.

“Não é uma previsão em si, porque os resultados são condicionados por suposições muito específicas, como a eficácia das máscaras”, acrescentou Nicholas Reich.

Segundo o Stat, este tipo de análise pode fornecer uma dicas sobre a direção que se deve seguir para manter o maior número possível de pessoas seguras.

“Não precisamos de um modelo para nos dizer que devemos usar máscaras, não precisamos de um modelo para nos dizer que, se continuarmos do jeito que estamos, teremos dezenas de milhares de mortes a mais nos próximos meses”, referiu Ruth Etzioni. “Mas, às vezes, quando vemos um modelo, as curvas e os números, isso assusta-nos de forma apropriada”, sublinhou.

“Um modelo como este pode ser muito importante para os governadores que estão realmente a tentar fazer algo para impor o uso das máscaras. Politicamente isso não é popular, então pode tornar as coisas difíceis para um governador que está a tentar fazer o que é certo. Modelos como este podem fornecer um tipo de evidência que apoie essas políticas”, concluiu.

ZAP //

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