Nem Estado, nem Banca. Apoios às empresas só devem chegar em abril

Nem os apoios do Governo, nem os da Banca destinados a enfrentar a pandemia de Covid-19 deverão chegar às empresas neste mês.

De acordo com o Correio da Manhã, que avança a notícia esta quarta-feira, os empresários ainda não têm legislação que lhes permita aceder aos milhões ou apoios anunciados pelo Governo através de linhas de crédito ou regimes especiais (lay-off).

Do lado da Banca, as instituições bancárias estão a demorar cerca de um mês para apreciar e avaliar os pedidos de ajuda que lhe chegam.

Assim, os salários do mês de março devem ser processados ainda sem qualquer apoio financeiro do Governo ou dos bancos.

No caso do regime lay-off, exemplifica o matutino, foi inicialmente publicado nesta quarta-feira, tendo já sofrido duas alterações. Os parceiros sociais aguardam agora que a regulamentação seja publicada. Contactado pelo CM, o Ministério do Trabalho, não adiantou uma data específica para a publicação.

No dia em que anunciou o novo lay-off, o Governo anunciou que está ainda a preparar os requerimentos e que os primeiros pagamentos serão feitos em abril.

“Aquilo que desejamos e é para isso que estamos a trabalhar muito intensamente é que os pagamentos possam começar já a ser feitos e ocorrer no mês de abril, disse o secretário de Estado da Segurança Social, Gabriel Bastos, citado pelo Jornal de Negócios.

Questionado sobre se isso significa que o novo regime não se aplicará relativamente aos salários processados no mês março, o ministro da Economia e do Estado, Siza Vieira, não garantiu retroativos, voltando a falar em “abril”.

Regime de lay-off

Neste regime, os trabalhadores de empresas que estejam em situação de “crise empresarial” continuam a receber 2/3 da remuneração bruta – 70% pagos pela Segurança Social e 30% pelo empregador – até um máximo de 1.905 euros.

Serão as empresas que terão de adiantar, à cabeça, a totalidade desses 2/3 do salário, com a Segurança Social a acertar contas com as empresas um mês depois”, disse ao diário o presidente da Confederação do Comércio (CCP), João Vieira Lopes,

“Era suposto a Segurança Social ter um site dedicado a todos os problemas económicos da Covid-19 mas, até esta terça-feira, apenas existia um campo dedicado a esses temas (…) Nem os trabalhadores por conta de outrem nem as empresas têm formulários à disposição para aceder ao lay-off simplificado”, lamentou, vaticinando que o pior momento para as empresas será mesmo em abril.

Temo que o estouro se dê no final de abril. Este mês as empresas ainda têm alguma almofada de liquidez dada pelo adiantamento do pagamento das contribuições à Segurança Social, mas no próximo as empresas não terão dinheiro porque não venderam nada”.

O mesmo responsável acusa ainda a Bancade não ter mecanismos flexíveis de avaliação das linhas de crédito: “Estão a demorar um mês a apreciar os pedidos de ajuda. As empresas não aguentam tanto tempo”, considerou.

ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Algo aqui não bate certo, os cidadãos vão ter que pagar ou financiar com o seu dinheiro as empresas e negócios privados dos outros?

    Se o negócio não dá têm bom remédio, mudem de profissão ao invés de viverem à custa dos dinheiros públicos.

    • Deixe estar Figueiredo. A solução é fácil: as empresas despedem todos os trabalhadores. Depois quero ver como é que o caro Figueiredo vai viver. Deve ser do ar. E se é funcionário público ou reformado não pense que escapa. Veja já no final deste mês a queda das receitas fiscais e em particular do IVA. É só um pequeno exemplo do que se avizinha. E neste momento ainda há muitas empresas a funcionar. Espere mais dois ou três meses e quero ver o Figueiredo com o mesmo discurso.
      Infelizmente há pessoas que pensam que as empresas geram rodos de dinheiro e que o papel do empresário é roubar o máximo. A esmagadoras maioria das nossas PMEs EXCELÊNCIA (ou seja as melhores PMEs num vasto conjunto de indicadores económico-financeiros e de risco) não aguenta mais de 3 ou 4 meses sem atividade. E as PMES representam 99,9 % das empresas nacionais e mais de 70% do emprego.

        • O amigo não faz a mínima ideia do que fala nem do que está pela frente. Não comente sem saber o que está a comentar.
          As primeiras estimativas falam numa quebra do PIB entre 10% e 20%. Pessoalmente acho que se este cenário se mantiver será ainda superior. Em 2008/2009 o PIB caiu “apenas” 3%. Na década de 70 com o choque petrolífero caiu 5%. Deixe isto para quem sabe. É como na ciência e medicina. Todos são experts. Também na economia existe uma ideia generalizada que todos podem mandar palpites.
          E ainda refere: “mudem de profissão”. Esta frase demonstra bem que desconhece por completo o que está pela frente.

          • Temos pena, se o negócio não dá mudem de profissão.

            O dinheiro dos cidadãos tem de ser usado em benefício dos mesmos e não para proveito de empresas privadas ou negócios privados.

            Peguem nos dinheiros públicos e criem trabalho, invistam esse dinheiro reactivando a indústria nacional em todas as suas vertentes, na agricultura, ciência, serviços, educação, saúde, forças armadas e de segurança, pesca, marinha, florestas…

            Não falta o que fazer com o dinheiro dos cidadãos, basta o Estado ser honesto e bem-intencionado, servir a República e os Portugueses e não interesses alheios aos mesmos, gerando e administrando empresas, visto que os privados aquilo que trazem é exploração, desemprego, instabilidade, e má-gestão.

            E lembrem-se, pare de ser piegas e seja empreendedor(a) mas com o seu dinheiro e não com o dinheiro dos outros.

            P.S.: O seu papo furado sobre economia não leva a lado nenhum, se quer resolver o problema do corrupto sistema financeiro dominado pelo regime da Inglaterra e que nos afecta na Europa devido à união europeia (ue), basta reactivar o Sistema Breton Woods e a Lei Glass–Steagall.

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