Espanha em guerra surda com Portugal por causa das Selvagens

Homem de Gouveia / Lusa

O Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pelo presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, numa visita às Ilhas Desertas

As Ilhas Selvagens voltam a estar no centro da polémica por causa das divergências entre Portugal e Espanha relativamente ao arquipélago desabitado que está integrado no território português.

Em Espanha, o jornal ABC noticia que as autoridades locais estão “preocupadas” por causa da soberania das suas águas territoriais e, especialmente, temendo que a actividade dos pescadores das Canárias seja afectada pela maior presença efectiva de Portugal no arquipélago.

No fim de Agosto, Marcelo Rebelo de Sousa visitou as Selvagens numa iniciativa que considerou como um “marcar de território“.

Mais recentemente, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) instalou uma estação meteorológica automática nas Ilhas.

No fim de Setembro, haverá “cinco funcionários portugueses” a trabalhar no arquipélago, evidencia o jornal espanhol, sublinhando ainda que a Polícia Marítima, a Força Aérea e a Marinha portuguesas estão a controlar “todas as actividades relacionados com o transporte e as actividades de pesca” na zona.

Estes dados levam o ABC a salientar que Portugal está a dotar, “a pouco e pouco” as Selvagens do “controle tecnológico para um uso efectivo da informação sobre o arquipélago”.

Circunstância que leva as autoridades espanholas a recear que estas medidas venham a “afectar o controle efectivo das suas águas territoriais” e a “colidir com os interesses pesqueiros canários”.

O ABC ainda destaca que as ilhas estão “rodeadas por águas espanholas” e que estão “mais próximas de Espanha do que de Portugal”, “a cerca de 140 quilómetros a norte das Ilhas Canárias e aproximadamente, o dobro dessa distância da Madeira”.

Conflito antigo com detenções, invasões e expulsões

Espanha nunca reconheceu a soberania de Portugal nas Selvagens, concedida pela Comissão Permanente de Direito Marítimo Internacional em 1938.

Em 2014, as autoridades espanholas apresentaram à Organização das Nações Unidas uma proposta para acrescentar cerca de 300 mil km2 ao seu território marítimo, incluindo nessa área as Ilhas Selvagens.

O conflito entre os dois países prolonga-se há vários anos, com “conflitos, detenções e expulsões”, conforme lembra o ABC, notando que, em 1975, um grupo de pescadores canários “invadiu” a Selvagem Grande, a maior ilha do arquipélago, para aí colocar uma bandeira espanhola.

“Um tesouro de vida selvagem”

O arquipélago foi declarado Reserva Natural pelo Governo português em 1971 e é visto como “um tesouro de vida selvagem”, segundo refere o ABC.

“São um autêntico laboratório de evolução que teria fascinado Darwin, um paraíso para a vida selvagem e um refúgio para algumas das mais singulares espécies de fauna e flora da Macarronésia”, explica o ornitólogo Juan José Ramos em declarações ao jornal.

O ABC também faz referência ao documentário “Ilhas Selvagens, as esquecidas do Atlântico”, dos realizadores canários Juan José Ramos e Germán Pinelo, que mostra a imensa riqueza natural das Selvagens.

SV, ZAP

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32 COMENTÁRIOS

  1. Só recentemente tive conhecimento da existência destas ilhas e sou do tempo em que se estudava a serio . Se nem o Salazar mandou dizer nas escolas que aquilo era nosso fico com muitas dúvidas pois era um verdadeiro patriota ! Nós só não daremos cabo delas , porque parece que lá não há nada nem ninguém . Os Espanhóis estou certo que farão nelas e por elas alguma coisa . Aquilo será mais uma GRANDE despesa e só isso

    • Dizer que dar 300 mil km quadrados de área de pesca Portuguesa a Espanha é “cortar na nossa despesa” – parece-me ser forçar a barra … e depois queixam-se que o país não cresce, que já não temos pescas, que a industria está a desparecer e que querem ser todos espanhóis. Se fosse assim tão bom os galegos, os bascos e os catalães não faziam a guerra que fazem aos chupistas castelhanos.
      Vamos mas é ser patriotas e lutar pelos recursos naturais que são nossos.

    • Caro Caallipi, com todo o respeito, e modéstia à parte, tenho algum orgulho em dizer que os portugueses em geral, preocupam-se mais com o ambiente do que os nossos vizinhos espanhóis, veja-se por exemplo o caso das centrais nucleares de Espanha, cujos subprodutos desaguam nos nossos rios (uma delas no Tejo). Nós aqui não temos nem uma, para além disso, o único interesse nessas ilhas, é o de aumentar o território marítimo, que iria aumentar consideravelmente a quota de pesca reservada aos nossos pescadores. Como pode ver, existe todo o interesse em que estas ilhas pertençam a Portugal, tanto economicamente como ecologicamente.

      • Pois é meu amigo Marco Silva, existem muitos Caallip´s que só veem o que está mesmo á frente dos olhos. São estes os verdadeiros patriotas que elevam tudo o que é estrangeiro e denigrem o que é nacional. Pena.

    • Você Caallipi, com todo o respeito, deve ter andado a dormir, isso aprendia-se logo na escola primária, Ilhas Selvagens como fazendo parte do arquipélago da Madeira. Salazar sabia isso muito bem, e assim nos mandou ensinar, só que na altura ninguém teve o atrevimento de o contestar. Era ponto assente.
      Os espanhóis que cuidem do que é deles… As Selvagens são nossas!

    • Na escola estes ilhéus também se aprendiam ( Madeira, Porto santo e selvagens)
      tal como nos Açores em que além das 9 ilhas também se aprendia a existência das Formigas. Não me recordo de falar nas Berlengas.

    • CAALLIPI, e se fosses até Madrid e por lá ficasses para nos aliviar a despesa de te aturar! Já agora, diz-me os rios, afluentes de Portugal, onde nascem e desaguam; não te esqueças das linhas férreas, também. Eis o grande saber do tempo de Salazar E se te fosses catar. Há cada cretino! O ABC é da Igreja Espanhola, como não poderia de ser.

    • Oh sr Caallipi, eu também sou do tempo em que se estudava a sério, e na minha escola oficial e liceu oficial do Estado Novo aprendi que as ilhas selvagens (chamavamos.lhes desertas ou selvagens) faziam parte do arquipelago centrado (ie, administrativamente regulado) na ilha da Madeira.
      Como tal ha mais de 58 anos que sei esta informacao.
      Como alias todo distrito de OLIVENÇA é territorio portugues, ja o era desde o tratado de alcanices no tempo de D Dinis, e que foi ocupado por espanhois no tempo das invasoes francesas (ou antes ainda com o 1º ditador sebastiao do karalho e melo) na chamada guerra das maças, mas que tratados internacionais (T de Viena??) reconheceram que era territorio portugues e que deveria ser devolvido mas nunca foi.
      Claro que geograficamente o distrito de OLIVENÇA é um cabo ou promontorio por espanha dentro, mas é territorio portugues OCUPADO à FORÇA pela espanholada.
      So daremos apoio a que Gibraltar seja espanhol, SE e SO SE OLIVENÇA regressar a adminostracao portuguesa, e por eles afirmado que foi ocupado indevidamente,

    • CAALLIPI – V. deve ser muito muito muito esquecido. Pela foto diria que somos da mesma idade mais ou menos…O sr deve ser daqueles que não sabe nem quer saber das iilhas, e nem lhes sabe o nome ou confunde niomes de cidades com nomes de ilhas.

  2. Caro Caallipi, a sua escolar deve ter sido diferente do comum dos Portugueses. Pois na minha escola aprendi que as Desertas, assim com as Selvagens, fazem parte do Arquipelago da Madeira!!!

    O espanhois andam desesperados, para alem das Desertas tambem reclamam Gibraltar!!

    • As desertas são e sempre foram nossas desde os primórdios de Gonçalo ZARCO e Tristão Vaz , assim como Olivença que foi subtraída ao nosso território e os nossos vizinhos nunca fizeram menção de devolver! Quanto a Gibraltar acho bem que os espanhóis reclamem a sua posse ilegalmente ocupada pelos ingleses como sempre foi o seu timbre, (ou não tivessem eles ás costas, as variadíssimas marcas da pirataria).

  3. A importância das selvagens vai muito além da riqueza.
    É que se forem consideradas ilhas e não ilhéus, permitem-nos expandir a plataforma continental e a área de pesca exclusiva de Portugal, permitindo-nos ser o país da Europa com maior área somando território continental e plataforma marítima exclusiva!!!
    Ou acham que os espanhóis têm algum interesse além desse?

  4. Fico sempre espantada pela ignorância de certas pessoas. Mais, ser ignorante, não querer aprender e ainda dizer tontices. Ter as Selvagens como território português deveria ser um orgulho para todos os portugueses. Tem uma fauna e flora autóctone importante. Abre em muito a área de mar português. É nosso

  5. Por essa ordem de ideias, as Canárias também são mais perto de Portugal Continental do que de Espanha Continental… vamos lá buscá-las! Ou melhor, vamos todos fazer parte de Marrocos (Madeira, Canárias, etc, fazem todos parte da plataforma continental africana!)

  6. Se o argumento dos espanhóis é o facto de as Selvagens estarem mais perto das Canárias do que da Madeira, o que é que dizem a propósito da escandalosa soberania britânica sobre Gibraltar?

  7. caricaturando diria que a Espanha é aquele único soldado que leva o passo certo…. casos: Olivença, Granada, Ceuta…. a posição muda consoante o vento

  8. Na verdade, após Gibraltar, contesta-se a interpretação que Lisboa faz da soberania das águas que rodeiam as Ilhas Selvagens. Fá-lo… ao abrigo do Direito internacional.
    Não pretendo discutir se a Espanha tem ou não razão. O que é espantoso nesta atitude é o facto de Espanha usar várias e opostas interpretações do mesmo Direito Internacional. Madrid parece não se dar conta de que está a “brincar” com coisas MUITO SÉRIAS e a despoletar indignações e a mexer num vespeiro.
    Os dirigentes e jornalistas espanhóis não se dão conta de que, ao reivindicarem Gibraltar com base nas teses anticolonialistas das Nações Unidas, terão de aceitar a validade das reivindicações de Marrocos sobre Ceuta e Melilla.
    Madrid parece não ter consciência de que agitar regras do Direito internacional (tenha ou não razão) em relação à Zona Económica Exclusiva das águas das Selvagens a faz cair numa abissal contradição, já que, em relação a Olivença, mantém uma situação de claro NÃO CUMPRIMENTO das determinações de 1814/15 e 1817, tomadas em Congressos Europeus onde esteve presente e de que foi signatária.
    Alguns articulistas e comentadores, a propósito ainda e apenas dos recentes acontecimentos em Gibraltar, optaram por não referir Olivença, ou por destacar o contraste entre a posição “cautelosa e prudente” da Diplomacia portuguesa ao reivindicar esta cidade (ou vila) alentejana de forma discreta e a “fúria” despropositada da Espanha no que toca às exigências sobre o Rochedo.
    O que estas notícias vêm aparentemente abrir caminha é à convicção de que Madrid não parece disposta a ouvir opiniões e razões que não sejam os seus, a fazer respeitar os tratados que lhe convêm, e que pouco lhe importam as consequências que tudo isso lhe poderá trazer. Este posicionamento pode abrir o caminho a numerosas crises e tensões, que não creio que venham a beneficiar minimamente ninguém, muito menos o Povo Espanhol.
    Resta ver qual vai ser a reação em Portugal. Continuar com a cabeça mergulhada na areia?

  9. CAALLIPI, e se fosses até Madrid e por lá ficasses para nos aliviar a despesa de te aturar! Já agora, diz-me os rios, afluentes de Portugal, onde nascem e desaguam; não te esqueças das linhas férreas, também. Eis o grande saber do tempo de Salazar E se te fosses catar. Há cada cretino! O ABC é da Igreja Espanhola, como não poderia de ser.

  10. “Se nem o Salazar mandou dizer nas escolas que aquilo era nosso fico com muitas dúvidas pois era um verdadeiro patriota !”

    De facto, sem margem para quaisquer dúvidas, nem eventuais discussões, SALAZAR foi um grande patriota, e HONESTO até à medula.

    E deve ter sido lamentável lapso, escrever que não se tenha ensinado/aprendido, no tempo do SAUDOSO SALAZAR, que as Selvagens/Desertas eram/são parte integrante de Portugal.

    Como sem margem para quaisquer discussões o eram também Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, à semelhança dos arquipélagos dos Açores e Madeira, que SÓ se tornaram independentes por puro RACISMO – os Portugueses da então metrópole “estavam fartos de pretos”, como ufanamente se ouvia amiúde na verborreia diária.

    Quero ver, de plateia, QUEM vai defender a dita “pátria”.

  11. Em Madrid a ambição pelo colonialismo parece não ter terminado ainda, mantêm povos subjugados sob o seu domínio, Galiza, País Basco e Catalunha como se estivéssemos ainda no tempo das conquistas, Olivença, Ceuta e Melilla são outros exemplos, o que os faz cantar de galo é a cobardia europeia e até a colaboração de alguns nas mesmas circunstâncias; a Jugoslávia já foi, pode ser que chegue a vez da atual Espanha e que os castelhanos fiquem reduzidos à sua verdadeira dimensão.

  12. Tenho 61 anos sempre estudei e lembro-me perfeitamente que no arquipélago da Madeira existia além de Porto Santo, as Desertas e as Selvagens.

  13. Vamos lá entender uma coisa. As ilhas Canárias foram descobertas pelos Portugueses e ilegalmente doadas por um papa aos espanhóis como prenda de casamento. Se alguem devia defender a soberania de territorio, seriam os portugueses sobre as Canárias. Pois, isso já não interessa aos nuestros hermanos que até se esquecem que poucos anos atrás prenderam marroquinos que ocuparam um rochedo nas aguas marroquinas mas que eles consideram espanholas. Que falta de honestidade.

    • Filipe, não foi bem assim como diz. As Canárias foram cedidas a Castela (Espanha ainda nem sequer existia) através do Tratado de Alcáçovas que, alguns anos depois, foi oficializado por Bula de Sisto IV.

  14. As Selvagens são território Português. Há dúvidas? Se querem a Gibralta, é problema vossa. Nós só queremos o que é nossa-Olivença.

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