Ex-diretor de campanha de Trump foi acusado de partilhar informação com russos

Shawn Thew / EPA

Paul Manafort, ex-diretor da campanha presidencial de Donald Trump

O ex-presidente da campanha Trump, Paul Manafort, partilhou dados sobre sondagens durante a campanha presidencial de 2016 com um sócio acusado de ter ligações com os serviços de inteligência russos.

Segundo um processo judicial citado pela agência Associated Press (AP), trata-se da primeira vez que a equipa dos escritórios de Robert Muller acusa Paul Manafort de partilhar informações relacionadas com as eleições presidenciais com os seus contactos russos.

Embora a declaração não diga se a informação relacionada com a sondagem foi tornada pública ou não, levanta a possibilidade de a Rússia ter usado informações internas da campanha como parte de seu esforço para interferir na eleição em nome de Trump.

Esta acusação pode ter um papel importante na investigação em curso por parte da equipa de Robert Muller sobre a eventual coordenação entre a campanha de Trump e o Kremlin.

A informação foi acidentalmente revelada esta terça-feira num documento da defesa que conseguiu ver os dados pois o acesso ao documento não estava devidamente desativado.

Manafort esteve entre os primeiros americanos acusados na investigação de Mueller e esteve entre os personagens centrais do caso, tendo liderado a campanha durante a convenção republicana e, como dizem os serviços de inteligência dos EUA, a Rússia estava a fazer tudo para influenciar a eleição a favor de Trump.

O ex-diretor de campanha de Trump assumiu a culpa das acusações de conspiração em Washington e enfrenta uma condenação num outro caso na Virgínia.

O documento da defesa tinha como objetivo refutar as alegações de que Paul Manafort mentiu intencionalmente à equipa de Mueller depois de concordar declarar-se culpado em setembro passado.

Os procuradores dizem que Manafort violou o acordo por mentir, mas os advogados de defesa argumentaram que quaisquer distorções eram simples erros cometidos por um homem que lidava com algumas doenças, exaustão e um extenso interrogatório por parte dos investigadores.

Os advogados de defesa disseram que Manafort sofre de depressão e ansiedade, teve pouco contacto com sua família e, nos dias em que se encontrou com investigadores, foi acordado antes do amanhecer para ter longos interrogatórios com pouco tempo para se preparar. “Essas circunstâncias pesaram muito sobre o estado mental de Manafort e sobre sua memória quando ele foi longamente questionado”, escreveram os advogados.

Um porta-voz da equipa de defesa de Manafort recusou-se a comentar as alegações de Mueller, mas os advogados acabaram por fazer uma versão corrigida do documento. O documento contém novas informações sobre as ligações de Manafort a Konstantin Kilimnik, um associado de negócios russo-ucraniano que foi indiciado no ano passado por ter interferido com potenciais testemunhas.

Os EUA acreditam que Kilimnik está ligado aos serviços de inteligência russos, mas Konstantin, que não está sob custódia dos EUA, negou tais ligações. As últimas alegações detalham ainda mais como o trabalho de Manafort na campanha se cruzou com seu trabalho internacional com Kilimnik.

Emails abordados anteriormente mostram que, em julho de 2016, Manafort disse a Kilimnik que estava disposto a fazer “briefings privados” sobre a campanha de Trump a Oleg Deripaska, um bilionário russo ligado ao presidente Vladimir Putin. Além disso, o documento da defesa divulga uma reunião em Madrid entre Manafort e Kilimnik.

Os procuradores dizem que Manafort reconheceu a reunião apenas após ser informado de que estavam na mesma cidade no mesmo dia. O porta-voz de Manafort, Jason Maloni, disse que a viagem a Madrid ocorreu em janeiro ou fevereiro de 2017 – meses depois de Manafort ter sido expulso da campanha e quando Trump estava já a assumir o cargo.

Manafort também não revelou inicialmente ter discutido anteriormente um plano de paz da Ucrânia com Kilimnik em mais de uma ocasião durante a campanha. A Rússia e a Ucrânia estão envolvidas num conflito desde 2014 por causa da anexação da Crimeia pela Rússia. Os EUA e a União Europeia impuseram sanções à Rússia por esse motivo, bem como pelo apoio do país a rebeldes separatistas no leste da Ucrânia.

Os advogados de Manafort escreveram que Manafort disse aos procuradores em setembro que “teria pensado no plano de paz ucraniano, se a questão não tivesse sido levantada durante o período em que ele esteve envolvido com o trabalho da campanha presidencial”.

Os promotores também acusaram Manafort de mentir sobre seus contactos com funcionários da administração Trump, o que os advogados de defesa negam.

O documento diz que uma troca de mensagens em 26 de maio de 2018 com Manafort envolveu um “terceiro elemento”, não identificado, que pediu permissão para nomear Manafort se a pessoa se encontrasse com Trump. O pedido para usar Manafort como uma ponte para Trump surgiu quando o ex-diretor de campanha já tinha sobre si duas acusações em dois outros casos federais.

// Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Homem morre nos Estados Unidos depois de receber mais de 50 choques taser na sua detenção

Dos agentes da polícia da cidade de Wilson, no estado norte-americano do Oklahoma, foram nesta quarta-feira acusados de homicídio em segundo grau pela morte de um homem durante a sua detenção. De acordo com o …

TESS fornece novas ideias sobre um mundo ultra-quente

Medições do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA permitiram aos astrónomos melhorar bastante a sua compreensão do ambiente bizarro de KELT-9b, um dos planetas mais quentes conhecidos. "O factor de estranheza de KELT-9b é alto," …

Bill Gates elenca quatro pilares-chave para combater a pandemia

O co-fundador da Microsoft, Bill Gates, elencou quatro pilares que a sua fundação considera essenciais para combater a pandemia de covid-19, que já matou mais de 520 mil pessoas em todo o mundo. Segundo o norte-americano, …

Tesla já vale mais do que a Toyota, Disney e Coca-Cola

As ações da Tesla chegaram esta quarta-feira a um preço recorde de 1.120 dólares por ação, levando a empresa de Elon Musk a superar a cotação de mercado de grandes empresas como a Coca-Cola ou …

"Não é solução para o país". Costa rejeita Bloco Central e uma esquerda "só para os salários"

O secretário-geral socialista garantiu hoje que vai manter o rumo político e não haverá "Bloco Central" PS/PSD, frisando que recusa aceitar que a esquerda seja incapaz de se entender sobre uma visão comum para o …

RTP contestada por incluir "Baile dos Pretos" na corrida às 7 Maravilhas da Cultura Popular

Um grupo de deputados do PS pede explicações à ministra da Cultura e contesta a RTP por causa de uma das candidaturas finalistas ao programa "Sete Maravilhas da Cultura Popular" que vai começar a ser …

Vieira tramado por "cunha" de Rangel. Juiz pagava 19 mil euros por almoço e fugia a multas com documentos de migrantes

A magistrada Maria José Morgado está a ultimar a acusação da "Operação Lex" e, nesta altura, é quase certo que levará a julgamento o juiz Rui Rangel e Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, além …

"Apagão" de dados. DGS não está a revelar todos os infectados com covid-19

Há casos de infectados com covid-19 que não surgem contabilizados nos boletins diários divulgados pela Direcção Geral de Saúde (DGS). A denúncia é feita por profissionais no terreno que põem em causa a verdadeira dimensão da …

Tensão no Mar do Sul. China em manobras militares, EUA enviam dois porta-aviões nucleares

Os Estados Unidos enviaram os super-porta-aviões nucleares USS Ronald Reagan e USS Nimitz para o Mar do Sul da China, região onde forças navais chinesas estão a realizar exercícios militares. "O nosso objetivo é enviar um …

Portugueses querem Centeno no BdP. 72% considera "muito importante" Champions em Lisboa

Mais de 70% dos portugueses consideram “muito importante” a realização da fase final da Liga dos Campeões europeus de futebol em Portugal e 11,1% acham que é apenas “importante”, segundo um estudo da Eurosondagem divulgado …