Lista de grande devedores. Deputados de mãos atadas pelo sigilo bancário

Mário Cruz / Lusa

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa

Depois de um esforço hercúleo para conseguir acesso à lista dos grandes devedores da banca, os deputados veem-se agora incapacitados devido ao sigilo bancário e ao fim da legislatura.

A lista dos grandes devedores em incumprimento nos bancos que pediram ajuda pública nos últimos 12 anos foi tirada a ferros ao Banco de Portugal. Além de os deputados terem acesso completo, foi também divulgada publicamente uma versão anónima dessa lista, que apesar de não referir nomes, indica os montantes e os respetivos períodos de tempo.

Todavia, os deputados enfrentam um desafio que parece limitar a sua ação. Com a legislatura a aproximar-se do fim e com o sigilo bancário que impede a divulgação a terceiros da informação pormenorizada das três mil posições de crédito, os deputados ficam impossibilitados de debater publicamente a questão.

O sigilo bancário não inclui toda a informação e os membros da Comissão de Orçamento e Finanças delimitaram aquilo que pode ser usado para servir os objetivos de transparência. Segundo o Observador, os membros do conselho de administração em funções aquando da atribuição dos créditos, as ações tomadas para recuperar as posições financeiras e outras informações disponíveis no relatório do Banco de Portugal estão livres do segredo bancário.

O PSD propôs um debate sobre o tema “com base em informações que não violem o segredo bancário”. Isto porque senão, como explica o deputado António Leitão Amaro, “estivemos a fazer um trabalho para nada”.

O deputado social-democrata questiona ainda a utilidade do relatório divulgado pelo Banco de Portugal, já que as imparidades e provisões para os créditos não foram reveladas por razões comerciais. Estas permitiriam dar uma perceção das perdas.

No entanto, a realização do debate proposto pelo PSD é limitada pela aproximação do fim da legislatura e os deputados dos outros partidos não mostraram interesse na proposta. Assim sendo, um eventual debate só será feito na próxima legislatura, já com novos deputados.

A deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua admitiu ter ficado “perplexa”, uma vez que o Partido Social Democrata não permitiu que os nomes dos devedores fossem tornados públicos e agora insiste em fazê-lo. Ainda assim, Mortágua reitera que os nomes devem ser de conhecimento público.

Alguns deputados sugeriram mesmo a alteração da lei para que possa ser divulgada informação mais detalhada. “O PSD não mudou de ideias e acha que não é preciso mudar a lei“, atirou Leitão Amaro. “Achamos que não devemos ficar por ter recebido este relatório e nada fazer”, explicou.

ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Os bancos surgiram para proteger o nosso ouro, bens de valor e dinheiro de ladrões. O proprietário deve ter confiança absoluta que nenhum ladrão pode ter acesso ao seu dinheiro.
    Certos governos podem ser considerados como ladrão. Não estou me a referir ao Governo de Portugal. Durante periodos de insurgencia de comunistas e socialistas como em Venezuela, USSR, países Escandinavos, é importante que o sigílio bancário é respeitado sem excepções.
    Portugal, Suiça, Singapore, Hongkong sabem a importância que o sigilio bancário tem para atrair investimentos e capital.

    • Hahahaaaaa… só pode set ironia!…
      “…importância que o sigilio bancário tem para atrair investimentos e capital.”
      Que é como quem diz, importante para esconder dinheiro roubado ou de terroristas ou criminosos em geral!…

  2. Foram os próprios deputados da Comissão de Inquérito que pediram que a lista dos grandes devedores fosse confidencial; agora o que querem. No entanto na lista de devedores ao fisco existem contribuintes que nada devem ao fisco, e, que contrariam o artigo 26º da Constituição da República Portuguesa. Esses grandes devedores pediram os empréstimos – e até se soube bem na altura, no entanto chegou a data de pagamento é que foram elas. Resultado: Pagam os contribuintes. Na minha óptica deveriam ser divulgados na íntegra os caloteiros, porque afinal nós todos andamos a “sustentar” uma cáfila de ladrões.

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