Desinformação dificultou resposta ao ébola. O mesmo pode acontecer com o coronavírus

Kim Ludbrook / EPA

A desinformação pode ser uma arma perigosa no combate à pandemia de covid-19. Tal como aconteceu no Congo com o ébola, o mesmo pode acontecer no resto do mundo com o novo coronavírus.

No pico do surto de ébola, a República Democrática do Congo era um dos países mais afetados. Desinformação e boatos relativamente a este vírus levaram a ataques a hospitais e profissionais de saúde. O Congo aprendeu a sua lição e, no fim de março, atingiu o marco de 40 dias sem novos casos no país, numa altura em o número de infetados aumentava um pouco por todo o mundo.

“A desinformação dificulta os esforços para interromper a transmissão de uma doença infeciosa, onde quer que ela se espalhe – e parece alastrar-se ainda mais rapidamente do que a própria doença”, explica Margaret Harris, porta-voz e médica da OMS que ajudou a combater o ébola no Congo e agora está a trabalhar na resposta à covid-19.

“Pode até levar a comportamentos perigosos que aumentam a probabilidade de serem infetados ou não receberem tratamento que permite salvar vidas”, acrescentou, citada pelo The Intercept.

Nos Estados Unidos, replicam-se casos de pessoas que resistem às medidas de contenção no combate à covid-19. “Acreditamos que o vírus seja politicamente motivado”, diz Tony Spell, pároco de uma igreja norte-americana. E caso alguém da sua igreja contraísse o novo coronavírus, Spell alega que os cura com a ajuda divina.

O mesmo aconteceu no Congo com o ébola. O pastor congolês Jules Mulindwa disse que podia criar um antídoto para o vírus rezando uma garrafa de água. “Depois você bebe e será curado, mesmo se tiver ébola”, garantiu Mulindwa.

Algumas das teorias de conspiração no país alegavam que o vírus era uma campanha ocidental de extermínio apoiada por elites locais. Outra teoria sugeria que era um esquema para o roubo de órgãos. E surpreendentemente, havia quem jurasse que a doença nem sequer existia.

Um estudo publicado em março do ano passado na revista científica The Lancet: Infectious Diseases, revelou que 92% das pessoas questionadas no leste do Congo foram desinformadas sobre o vírus do ébola. Além disso, quase metade dessas pessoas acreditou em alguma dessa informação enganosa.

Também nos Estados Unidos, o próprio presidente já mostrou ser capaz de desinformar a população. No início da pandemia, Donald Trump alegou que tinha o vírus sob controlo e disse que “quem quiser um teste pode fazê-lo”. Para além de não ter a situação controlada, os EUA também não têm testes suficientes para todos os casos suspeitos.

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