Depois de Rui Moreira, mais autarcas admitem fundar o “partido dos independentes”

André Kosters / Lusa

Os movimentos de cidadãos independentes querem que a Assembleia da República altere a lei eleitoral autárquica – e já admitem fundar um partido, que poderia ser o “partidos dos independentes” para se poderem candidatar às eleições.

Esta semana, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, admitiu criar um partido político para contornar as alterações aprovadas pelo PS e PSD, cujas novas regras criam dificuldades às candidaturas independentes, obrigadas a recolher assinaturas para a candidatura a cada órgão que concorram.

E não é o único. De acordo com o jornal Público, José Manuel Silva, principal rosto do movimento “Somos Coimbra”, considera que a lei “inconstitucional” e acusa os partidos de “não gostarem das pessoas que pensam pela cabeça delas”.

“Os partidos estão a fazer com que os movimentos independentes, para além da sua intervenção cívica nas autarquias, passem a ter também uma intervenção cívica no país para defender a democracia, a cidadania e a Constituição e isso poderia passar pelo recurso a um partido já existente ou pela criação de um novo partido”, admitiu.

Para o vereador independente, este grupo de cidadãos servia apenas para “intervir a nível autárquico”. “Se formos obrigados a juntar forças e intervir a nível nacional, fá-lo-emos, com muita força e muito impacto, e não sei se os partidos do arco da governação já pensaram nisso”, disse. “Vão ter uma nova força política no terreno para os enfrentar olhos nos olhos ou então arrepiam caminho e alteram a legislação”.

Teresa Cardoso, autarca de Anadia, também apela a que reponha a lei, mas não se regozija com a fundação de um partido, apesar de reconhecer que aliviaria a carga burocrática de uma candidatura. “Um partido viria a facilitar a vida do ponto de vista processual, mas aos olhos do eleitorado deixaríamos de ser um verdadeiro movimento de cidadãos independentes”, disse.

Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, concorda. “Há pessoas que vão fundar partidos políticos como forma de contornar a lei, e o que vai acontecer é que esses partidos não se vão limitar às autarquias locais, vão aspirar a mais e vão concorrer à Assembleia da República. Imagine o que será a Assembleia da República com 15 ou 16 partidos, é a balcanização política do país”, alertou.

O autarca disse ainda que “PS e PSD ainda têm margem de manobra para recuar” “Ao aprovar esta lei, o PSD e o PSD mostraram ter medo da sociedade civil, dos movimentos independentes, e entenderam que o melhor era dar-lhes uma cacetada e arrumá-los de vez. Esta alteração foi mesmo para esmagar os movimentos independentes e reduzir a democracia”.

O presidente da Associação Nacional dos Movimentos Autárquicos Independentes (Amai), Aurélio Ferreira, revelou que a ideia de fundar um partido tem vindo a ser discutida, mas não há ainda uma decisão. “A criação de um partido político funciona como um plano B, mas nós estamos ainda no plano A. Todavia, se chegarmos à conclusão que o risco de as candidaturas independentes serem excluídas é enorme, por a denominação da candidatura não ser considerada correta pelo juiz, podemos avançar para o plano B”.

Maria Campos, ZAP //

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9 COMENTÁRIOS

    • Estes partidos que há 40 e alguns anos se veem a servir do País e vez de o servirem tem medo dos abstencionistas (espécie de maioria silenciosa) e dos independentes.
      Tem se de pôr cobro a isto.

  1. Criem o PAI (Partido Autárquico Independente). Ganharão facilmente muitas eleições, pois a maior parte dos portugueses votará no PAI.

  2. Regionalização? Não obrigado.
    No dia em que se implementar a regionalização então, o país ficará mais próximo de um buraco sem fundo.

    “O eleitorado tem o dever cívico de votar mas, os políticos, apesar dos compromissos que dizem assumir, não têm o dever cívico de servir o eleitorado.”

    Votar na corrupção? Não obrigado.

  3. Os políticos partidários portugueses, mais concretamente os do PS e do PSD, são uma autêntica VERGONHA nacional ….. digo isto porque é incompreensível este retrocesso na lei que vigora para as eleições autárquicas, pois não é aceitável que se retire ao Povo a possibilidade de constituir listas compostas por cidadãos de pleno direito, independentes e que por variados motivos não se revêm nos partidos existentes. Por isso, antes que seja tarde é necessário obrigar a Assembleia da República a repor a anterior legislação, ou então criar um partido nacional independente, porque composto por cidadãos independentes, que em qualquer região do País possa com esta sigla concorrer às eleições. Em suma, conclui-se que os partidos actuais receiam o povo e os cidadãos independentes, porque sabem a “merda” que têm feito desde o 25 de Abril. Eu serei um dos cidadãos que aderirei a tal partido. Força ….

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