“Depois da grande festa e do relógio, caíram o BES e o Banif”

Miguel A. Lopes / Lusa

O ministro das Finanças, Mário Centeno

O ministro das Finanças, Mário Centeno

Mário Centeno deixou críticas arrasadoras ao anterior Governo, nomeadamente pela forma como lidou com a Caixa Geral de Depósitos e vincando o facto de a “saída limpa” só ter durado três semanas, findas as quais caíram o BES e o Banif.

A saída limpa só durou três semanas. Depois da grande festa e do relógio [para o fim do programa de resgate financeiro internacional] que publicitaram, caiu o BES, caiu o Banif, a CGD não tinha capital, o BPI tinha dificuldades e o BCP não conseguia pagar os CoCo [obrigações convertíveis]”, afirmou Mário Centeno durante intervenção na Comissão Parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA).

Ouvido no âmbito da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Centeno reparou que, quando a ‘troika’ (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) saiu, no Verão de 2014, “não se conseguia atrair capital estrangeiro para Portugal”, algo que “mudou” com o actual Governo socialista.

Quanto à recapitalização do banco público, o ministro considerou que “o PSD ainda não percebeu a complexidade deste processo” e que “é muito fácil perceber” porque não entende, uma vez que “não o fez”.

A CGD esteve quatro anos sem estratégia e sem plano. O que aconteceu foi só isso. Os senhores não sabiam se queriam uma caixa pública, ou privada, ou assim-assim. Quem não sabe o que quer, não pode ter um plano para a CGD. E não havia”, realçou Centeno.

De resto, o ministro assinalou que “o desvio na execução do plano que estava comprometido entre o [anterior] Governo português e Bruxelas era evidente” e que esta “não era uma situação virgem porque no Banif passava-se a mesma coisa”.

O governante reforçou que “os planos não estavam a ser cumpridos e era urgente fazer alguma coisa” e que “essa coisa era a recapitalização”.

O titular da pasta das Finanças vincou ainda que “um processo de capitalização não é ir comprar três carcaças“, reforçando que “a CGD estava a seguir o caminho do Banif porque não estava a cumprir o plano”.

De acordo com Centeno, as grandes prioridades do atual executivo passaram por “garantir que não havia resolução da CGD, e que o processo fosse feito sem ajuda de Estado para garantir que a CGD ficasse pública”.

Nada disto foi conseguido pelo anterior Governo, tudo foi conseguido por este Governo. E por isso a CGD está hoje capitalizada com níveis adequados à sua função de maior banco nacional e capaz de garantir o plano de negócios que adotou”, salientou.

Voltando ao ataque ao Governo de Passos Coelho, Centeno notou que “a vertigem de não fazer nada, quando se vê alguma coisa a ser feita, gera confusão”. “Foi isso que tentaram este tempo todo, mas falharam, porque o Governo teve sucesso”, concluiu.

Quanto aos resultados de 2016, marcados pelo prejuízo de 1.859 milhões de euros, Centeno considerou que “os resultados de 2016 refletem um conjunto de operações que foram reconhecidas na CGD e que resultam de um conjunto de decisões que trouxeram perdas potenciais para a CGD”.

Não vai haver despedimentos na CGD

Para Centeno, que respondia a questões lançadas pela deputada do PSD Margarida Balseiro Lopes, se a parlamentar “estava convencida que se podia fazer uma limpeza assética sem impacto nos balanços dos bancos, está muito enganada”.

Isto, porque “quando a economia atravessa uma recessão deste tamanho há sempre impacto”, acrescentou.

“Também houve com certeza más decisões na CGD. A anterior administração nomeada pelo anterior Governo não conseguiu apresentar um plano de risco que convencesse os supervisores”, exemplificou, acusando o anterior Governo PSD/CDS de ter deixado a CGD “sem plano, sem estratégia e sem capital”.

Ora, segundo o governante, “não há nenhum banco que consiga resultados neste contexto”.

“Não é possível querer fazer o processo que os senhores fizeram em Portugal e esquecer que há um setor financeiro em que tudo vai ter repercussões”, reforçou.

Sobre o plano de redução da capacidade instalada do banco estatal no mercado português, Centeno disse que o mesmo está “em curso” e que não implica despedimentos, mas sim rescisões voluntárias e um programa de pré-reformas.

Já o “ajustamento do número de agências está incluído no contexto de redução de custos”, justificou, frisando que “a CGD tem que gerar resultados” e que “o capital colocado na CGD foi o necessário para garantir o retorno do investimento que o Estado fez”.

ZAP // Lusa

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6 COMENTÁRIOS

  1. Só se esqueceu de contabilizar os outros dois caídos com o governo do Sócrates e a doença crónica dos que refere já traziam de lá, qualquer das maneiras pergunto se é aos governos que compete administrar Bancos, se assim é será por essa razão que o senhor Centeno investe tantos milhares de milhões na CGD, para a reduzir a um pequeno Banco e possivelmente para continuar a injetar lá mais dinheiro, tal como as criancinhas passam o tempo a criticar-se uns aos outros e nenhum teve até agora a coragem de condenar a prisão aqueles que de facto usaram e abusaram do poder que tiveram, mas melhor entendendo talvez reconhecemos que em gente da mesma classe não se deve tocar.

  2. Cinico e mentiroso. O banif assim como o Bes veem da grande festa do credito facil e lavagens de dinheiro dos senhores do qual o seu lider foi governante e numero 2. Venderam o novo banco com grandes vantagens para o comprador e por um valor irrisorio tao bom negocio que ainda hoje o contribuinte é chamado para pagar os buracos sucessivos do novo banco e o banif para la caminha. A cgd, essa é uma historia de terror. De roubos autentico feitos por governantes que hoje lutam para evitar que seja difulgada a lista dos negocios ruinosos, esses que pretencem a esquerda. Ate o BE se opem a divulgação.

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