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Cuba exclui vacinas internacionais e dedica-se a produzir uma que vai imunizar a população até ao fim do ano

Ampe Rogério / Lusa

O mundo está numa verdadeira corrida às vacinas contra a covid-19, mas há quem prefira ficar de fora. Cuba ainda não inoculou nenhum cidadão, mas garante que toda a população estará imunizada até ao fim de 2021. O país está agora dedicado a produzir o seu próprio fármaco.

Atualmente, Cuba está a desenvolver quatro vacinas: a Soberana 01, a Soberana 02, a Abdala e a Mambisa, que tem a particularidade de ser administrada por via intranasal. A 3 de março, o Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, anunciou uma quinta candidata.

Com tantas vacinas na mira, Cuba espera produzir 100 milhões de doses, o que permitirá atender às necessidades internas e, ainda, exportar as restantes.

“Era expectável que Cuba tivesse uma vacina para a covid-19 na fase de ensaios clínicos. Cuba avançou na biomedicina durante décadas. Os Estados Unidos opuseram-se com ferocidade a esses avanços, rotulando falsamente as instalações cubanas de laboratórios de armas biológicas”, refere o historiador norte-americano Ronn Pineo, ao Expresso.

Pineo diz ainda que “Cuba já exportava vacinas para países em desenvolvimento necessitados, sem procurar lucro. E exportará esta nova vacina se ela se mostrar segura e eficaz, o que parece muito provável. No entanto, o bloqueio dos Estados Unidos está a dificultar o fornecimento de suprimentos, como frascos de vidro, por exemplo, na quantidade necessária”.

Para já, as vacinas que estão numa fase mais avançada são a Soberana 02 e a Abdala, que avançaram, este mês, para a fase III dos testes clínicos, a última antes da aprovação para uso. A eficácia está a ser avaliada em mais de 85 mil voluntários em Havana, Santiago de Cuba, Guantánamo e noutras 50 mil pessoas no Irão.

A aliança entre Cuba e o Irão é ditada por razões geopolíticas, já que ambos os países são alvo de sanções dos Estados Unidos que penalizam também os sectores da saúde.

Ainda assim, e segundo o Banco Mundial, Cuba é um dos países do mundo com mais médicos, com uma média de 8,4 profissionais por mil habitantes (dados de 2018).

Esse “exército de batas brancas”, como lhe chamou o líder cubano Fidel Castro, nasceu após a Revolução de 1959. A primeira missão foi enviada para o terreno em 1960, para o Chile, depois de um sismo na cidade de Valdivia ter provocado milhares de mortos.

De recordar que, em plena pandemia de covid-19, Cuba fez o envio de missões médicas para países em situações de emergência. Durante a primeira vaga, quando Itália era o epicentro da catástrofe, Cuba enviou 52 médicos para a região da Lombardia.

  ZAP //

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