Covid-19. Austrália recua em força e Londres pondera vir a ter cerca sanitária

Ennio Leanza / EPA

Depois de ser retratado como um caso de sucesso no combate à covid-19, a Austrália começa a dar passos atrás. No Reino Unido, equaciona-se uma cerca sanitária na capital.

Melbourne, a segunda maior cidade australiana, vai fechar todos os estabelecimentos comerciais não essenciais a partir de quinta-feira, para travar a progressão de um surto de covid-19 iniciado há quase um mês, anunciaram as autoridades.

O governo regional daquele estado australiano já tinha anunciado no domingo medidas mais restritivas para combater a propagação da covid-19, incluindo recolher obrigatório das 20:00 às 05:00 da manhã.

O chefe do governo regional anunciou igualmente nessa altura que ia declarar o estado de catástrofe durante seis semanas, até 13 de setembro.

O chefe do executivo do estado de Victoria, cuja capital é Melbourne, disse que a maior parte das empresas deverão fechar portas a partir da meia-noite de quarta-feira. Alguns setores, como o da produção de carne ou o setor da construção, deverão reduzir as atividades a partir de sexta-feira, precisou Daniel Andrews.

Supermercados, farmácias e lojas de bebidas estão entre as empresas que irão beneficiar de uma isenção.

As autoridades anunciaram subsídios para as empresas afetadas, de até 10 mil dólares australianos (cerca de seis mil euros), para mitigar o efeito da medida, que vai enviar um milhão de trabalhadores para casa (um quinto da população de Melbourne).

“É desolador ter de fechar os locais de trabalho […] mas é a coisa certa a fazer para impedir a propagação deste vírus selvaticamente contagioso e mortal”, disse o governante em conferência de imprensa, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

As novas medidas isolam ainda mais Melbourne, num país que conseguira conter razoavelmente a epidemia, até ao surto no estado de Victoria.

Com 25 milhões de habitantes, a Austrália contabilizou mais de 18 mil casos de covid-19 desde o início da epidemia no país, em março, além de 221 mortos.

Londres pode impor cerca sanitária

O Reino Unido registou oito mortes e 744 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, elevando para 304.695 o número total de infeções e 46.201 o de óbitos divulgou este domingo o Ministério da Saúde britânico.

Estes números colocam o Reino Unido como o país da Europa mais afetado pela pandemia e o quarto do mundo.

No entanto, segundo assegurou o secretário de Estado da Habitação e das Comunidades, Robert Jenrick, citado pela agência Efe, o executivo conservador, liderado por Boris Johnson, não tem intenções de adotar “medidas extremas”, como seria o regresso do confinamento a grande escala.

As garantias de Robert Jenrick surgem depois de alguns jornais ingleses terem noticiado que o primeiro ministro, Boris Johnson, avalia a possibilidade de os idosos e pessoas de risco voltarem ao isolamento, sobretudo na cidade de Londres, para evitar uma segunda onda do vírus.

O The Telegraph e o Sunday Times escrevem que pode ser imposta uma cerca sanitária em toda a área de Londres, bem como a proibição de pernoitar na cidade. As medidas só seriam adotadas em último caso e na eventualidade de um crescimento muito elevado da taxa de infeção.

Novo confinamento rigoroso em Manila

O Governo Filipino anunciou hoje que Manila e as províncias que rodeiam a capital do país vão regressar ao confinamento rigoroso, tendo em conta o aumento dos contágios da covid-19, que agora ultrapassam os 100.000 no país.

As Filipinas acrescentaram no domingo mais de 5.000 novos casos, um recorde diário, e acumularam um total de 103.000 infeções, incluindo mais de 2.000 mortes, um dos saldos mais elevados do Sudeste Asiático.

Manila e as províncias de Bulacan, Cavite, Laguna e Rizal regressarão terça-feira ao confinamento até 18 de agosto, depois de 80 das associações médicas do país, representando milhares de médicos e enfermeiros, terem assinado no sábado uma declaração conjunta apelando a uma nova abordagem à covid-19, uma vez que após cinco meses os hospitais estão superlotados e o pessoal médico exausto.

“Compreendo perfeitamente porque é que os nossos trabalhadores da saúde estão a pedir uma pausa. Estão na linha da frente há meses e estão exaustos”, disse o Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte.

Apesar de ter imposto um dos confinamentos mais longos e rigorosos do mundo – cinco meses na capital – as Filipinas são o único país da região que ainda não quebrou a curva de infeção, que tem vindo a aumentar constantemente desde março, devido a deficiências nos testes e no rastreio de contactos.

A fase de confinamento aprovada para a capital e arredores – onde se concentra 67% da atividade industrial do país – restringe completamente a circulação, os transportes públicos são suspensos e apenas um membro de cada família é autorizado a sair e comprar artigos essenciais, pelo que os estabelecimentos que tinham voltado a funcionar a 30% da sua capacidade em junho, tais como lojas, cabeleireiros e restaurantes, serão novamente encerrados.

ZAP // Lusa

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