Covid-19 arrombou a porta das prisões. E trouxe exploração e violência

Franco Cautillo / EPA

Presos sobem as grades de um centro de detenção durante os tumultos nas prisões em Foggia, na região de Apúlia, no sul da Itália

O novo coronavírus está a ter efeitos avassaladores um pouco por todo o mundo: Cidades (e países) em quarentena, ruas desertas, pessoas fechadas em casa. Mas qual está a ser o impacto dentro das prisões?

Esta semana, o jornal New York Times noticiou que o Governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, decidiu usar trabalho prisional para fabricar desinfetante para as mãos, cada vez mais em falta devido à “louca” corrida que se instalou nas superfícies comerciais e nas farmácias.

Mas, segundo o The Guardian, não é só nos Estados Unidos que isto está a acontecer. De acordo com o jornal britânico, em Hong Kong, as prisões também estão a servir como fábricas improvisadas para produzir não só este produto, mas também máscaras.

No estabelecimento prisional de Lo Wu, as reclusas estão a trabalhar em turnos noturnos para produzir 2,5 milhões de máscaras por mês. Recebem cerca de 800 dólares de Hong Kong mensais — cerca de 90 euros —, um valor significativamente abaixo do salário mínimo desta região administrativa especial chinesa.

Esta terça-feira, as autoridades prisionais não negaram que as reclusas estão a trabalhar à noite para dar resposta às necessidades, mas afirmaram que estas podem recusar-se a fazê-lo. Segundo a mesma fonte, cerca de 100 mulheres estão a trabalhar seis dias por semana, em turnos de seis a dez horas, incuindo turnos noturnos.

De acordo com o Governo de Hong Kong, citado pelo jornal inglês, cerca de 1200 guardas prisionais reformados ou que estão fora do serviço também estão a produzir máscaras.

Mas o Covid-19 não trouxe apenas exploração. Os motins nas prisões também têm sido uma constante. Em Itália, país na Europa mais afetado pelo coronavírus (o número de óbitos já ultrapassa os mil), sete prisioneiros morreram durante os confrontos.

Os conflitos surgiram depois da aplicação de medidas para conter a propagação do coronavírus, incluindo restrições a visitas familiares. Em várias prisões deflagraram incêndios e guardas foram feitos reféns.

No Irão, outro dos países muito afetados pela pandemia, e que já pediu até ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI), cerca de 70 mil prisioneiros foram libertados numa tentativa de combater o surto.

Esta quinta-feira, a agência noticiosa France-Presse (AFP) adiantou que o número de pessoas infetadas pelo novo coronavírus no mundo aumentou para 131.460 e que o número de mortes subiu para 4923.

ZAP //

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12 COMENTÁRIOS

  1. O pânico instalado, sobretudo na caquética UE que não vale um caracol, tudo fazem para espalhar o medo dum vírus criado em laboratório

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