Costa anuncia programa de emergência e assegura que não há “crise, mini-crise ou nano-crise”

António Pedro Santos / Lusa

O primeiro-ministro, António Costa

António Costa enterra, de vez, a polémica em torno de Mário Centeno, numa entrevista à CMTV, onde garante que “não há crise política”, mas sim “uma crise de saúde pública muito grande”. E para fazer face às suas consequências económicas e sociais, o primeiro-ministro anuncia um programa de emergência.

Na entrevista à CMTV, na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, António Costa revela que o Governo vai iniciar a partir do final da próxima semana o processo para lançar um programa de emergência económico e social com o objectivo de dar uma resposta estruturada à crise.

“Entre o final da próxima semana e o princípio da seguinte, iremos iniciar as consultas para o desenho de um programa de emergência económico e social”, sustenta Costa.

Sublinhando que, ao longo dos dois últimos meses, o Governo foi obrigado a “reinventar muitas coisas, desde a simplificação do regime de ‘lay-off’, até à criação de moratórias e de novas linhas de crédito”, o primeiro-ministro destaca que, agora, “começamos a chegar àquela fase em que se pode ter maior solidez no cenário da evolução da economia e em desenhar medidas concretas que permitam rapidamente estancar a hemorragia, reanimar as empresas, consolidar o emprego e lançar as bases para um programa de recuperação económica quando houver condições para poder ser lançado”.

Costa alerta que “vamos ter dois anos de combate à crise”, mas está certo de que “vamos sair dela mais fortalecidos”.

“Não há crise política”

Tema que não podia deixar de ser abordado na entrevista da CMTV é a polémica da “falha de comunicação” com Mário Centeno, no caso da transferência de 850 milhões de euros para o Novo Banco. “Como o senhor ministro das Finanças disse, não há crise, está tudo ultrapassado”, garante Costa.

“Não há crise, nem mini-crise ou nano-crise”, reforça, frisando que “não há crise política”, mas que, “infelizmente, temos uma crise de saúde pública muito grande” e “uma crise económica e social muito grave e é nessas que nos temos de concentrar e dar resposta”, constata.

“Não vale a pena perdermos mais tempo com um assunto que é um não assunto”, afirma Costa, encerrando a polémica e realçando que mantém com Centeno “uma relação pessoal, de amizade, e como em tudo na vida há coisas que correm menos bem“. “Já foi assumida a falha de comunicação, está ultrapassada”, conclui.

“Momento mais difícil foi fechar as escolas”

Confrontado com qual foi o pior momento que enfrentou, nestes dois meses de pandemia, Costa começa por desabafar que este período lhe parece mais “uma eternidade”.

“O momento mais difícil foi a 12 de Março, quando tive de anunciar a decisão de fechar as escolas”, confessa.

Não tive o suporte científico e tive de arriscar. Um primeiro-ministro tem de assumir riscos, as pessoas perceberam bem a decisão e foi importante, mas foi difícil”, diz ainda.

Sobre a reabertura das escolas na segunda-feira, 18 de Maio, Costa nota que os estabelecimentos “receberam mais de quatro milhões de máscaras e milhões de litros de gel” para garantir condições de higiene e segurança. “Só as Forças Armadas teriam a capacidade de uma operação logística destas”, frisa.

Quanto à reabertura dos restaurantes, Costa admite que “a lotação de 50% é uma grande limitação, mas nesta fase é importante para que as pessoas tenham confiança”. “Vamos avaliar na próxima quinzena como podemos flexibilizar”, refere.

“Vi na Autoeuropa uma solução com dois separadores de acrílico em cima da mesa, que nos restaurantes pequenos permitiria estarmos frente a frente, cada um a comer o seu bife, sem nos contaminarmos um ao outro”, acrescenta.

“Temos de ser polícias de nós próprios”

Costa assegura também que, este ano, vai de férias. “No Verão temos sempre uma perturbação que são os incêndios e que nem sempre nos deixam tranquilos, mas espero ir de férias”, realça.

Sobre as limitações e regras para o acesso às praias, o primeiro-ministro sublinha que “não é uma questão de boa vontade”, mas “de responsabilidade”. “Não podemos ter um polícia ao lado das pessoas em cada praia, temos de ser polícias de nós próprios“, alerta, frisando que confia nos portugueses. “Se foram capazes de sacrificar a liberdade em dois meses vão agora deitar tudo a perder e não saber estar na praia com civismo”, questiona em jeito de conclusão.

Quanto à possível realização da Festa do Avante, o primeiro-ministro começa por notar, entre risos, que não vai marcar presença.

“A Assembleia da República está a discutir uma proposta do Governo e o PCP também vai tomar uma decisão no momento próprio, mas há actividades que o Estado tem direito de proibir e outras não, como a actividade política”, defende.

“Já não há estado de emergência, pode-se fazer um comício desde que se cumpram regras. Também não podemos proibir actividades religiosas, desde que cumpram as normas de segurança”, afiança admitindo, assim, que a Festa do Avante pode acontecer.

Costa também nota que teve “muito gosto de anunciar que os portugueses podem finalmente estar com os familiares nos lares e também participar nas cerimónias fúnebres”.

Tem sido um período muito difícil, com momentos muito difíceis”, assume na certeza de que, no fim disto tudo, lhe “vão apresentar a factura” pelas decisões que tomou.

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