Wikimedia

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un
A Coreia do Norte distancia-se da Rússia depois de Vladimir Putin ter voltado a ameaçar o mundo com o uso de armas nucleares. O país de Kim Jong Un assegura que não vendeu, nem pretende vender armas aos russos.
Depois de Putin ter anunciado a mobilização geral dos russos para a guerra na Ucrânia, ameaçando o mundo com o uso de armas nucleares, a Coreia do Norte vem garantir que nunca vendeu armas à Rússia durante a guerra na Ucrânia e que não tem intenções de o fazer.
Uma posição que surge num comunicado oficial divulgado pela imprensa estatal norte-coreana e citado pela Associated Press (AP).
Neste documento, o vice-director-geral do Ministro da Defesa Nacional norte-coreano refere-se ao alerta dos serviços secretos dos EUA quanto à exportação de armas do país para a Rússia como “falso”.
“Foi apenas uma tentativa de “denegrir” a imagem da Coreia do Norte, aponta o mesmo representante do Governo norte-coreano que aconselha os EUA a pararem com as “observações imprudentes” e a manterem “a boca fechada”.
No início deste mês, surgiram notícias sobre documentos da Inteligência norte-americana que revelam que a Rússia estaria a preparar a compra de armas à Coreia do Norte.
Uma situação motivada pelas dificuldades de acesso da Rússia a armamento por causa das sanções de que é alvo.
Coreia do Norte “nunca exportou armas para a Rússia”
A exportação de armas da Coreia do Norte para a Rússia seria uma violação da resolução das Nações Unidas que baniu o país de comercializar armamento, seja a compra ou venda.
O comunicado do representante norte-coreano atesta que o país nunca reconheceu as sanções “ilegais” do Conselho de Segurança da ONU, frisando que foram “cozinhadas pelos EUA e as suas forças vassalas”.
A compra e venda de equipamento militar é um “direito legítimo de um Estado soberano”, nota ainda o mesmo responsável.
Apesar disso, a Coreia do Norte quer “tornar claro” que “nunca exportou armas ou munições para a Rússia” e que “não planeia exportar”, frisa o referido representante.
Tanto os sistemas de defesa russos, como os norte-coreanos, são compatíveis por terem origens soviéticas.
Norte-coreanos preparam primeiro teste nuclear desde 2017
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, e Putin sempre mantiveram boas relações.
De resto, a Rússia tem sido um dos grandes aliados da Coreia do Norte no Conselho de Segurança da ONU, a par da China, bloqueando sucessivas tentativas dos EUA de apertar as sanções contra o regime de Pyongyang.
Os norte-coreanos também têm insistido em culpar os EUA pela guerra na Ucrânia, criticando a “política hegemónica” do Ocidente e defendendo o direito da Rússia a “proteger-se”.
O Governo norte-coreano chegou a anunciar a intenção de enviar trabalhadores da construção civil para ajudar a reconstruir as regiões pró-russas que são controladas pela Rússia.
E, em Julho passado, a Coreia do Norte foi o único país, para além da própria Rússia e da Síria, a reconhecer a independência dos territórios ucranianos ocupados, Donetsk e Luhansk.
Pelo meio, os norte-coreanos têm mantido viva a ameaça nuclear sobre os EUA, com vários testes de mísseis. Neste mês, o país também aprovou uma medida que autoriza a Defesa a usar armas nucleares em cenários onde a liderança norte-coreana esteja ameaçada.
Entretanto, informações da Inteligência norte-americana indicam que a Coreia do Norte está a preparar-se para fazer o seu primeiro teste nuclear desde 2017, como reporta a AP.