PCP marca comício para 7 de junho (e não abdica do Avante! “se estiverem reunidas condições”)

António Cotrim / Lusa

O PCP vai realizar um comício em Lisboa no dia 7 de junho contra a retirada de direitos, anunciou este domingo o secretário-geral dos comunistas, afirmando que este partido não abdica da atividade política como direito inalienável.

Em conferência de imprensa sobre as conclusões da reunião de sábado do Comité Central do PCP, Jerónimo de Sousa anunciou também “uma ação de defesa e valorização do Serviço Nacional de Saúde (SNS) incluindo a 28 de maio um dia de divulgação da proposta de programa de emergência para o SNS”.

Quanto ao comício de dia 7 de junho em Lisboa, referiu que marcará o início de um conjunto de iniciativas sob o lema “Nem um direito a menos, confiança e luta por uma vida melhor”, e rejeitou que se coloque em causa “o direito inalienável da atividade política”.

“Era o que mais faltava que neste momento se procurassem cercear as liberdades democráticas, a atividade política, coisa que o povo português não aceita, e que sacudiu e acabou há 40 anos. Teremos em conta, naturalmente, as medidas que se verificam em termos de segurança sanitária, isso posso garantir, corresponderemos à realidade e às medidas que se aplicam”, afirmou.

Não queremos nem mais nem menos direitos do que outras atividades incluindo no plano político”, frisou Jerónimo de Sousa, assegurando que o comício do PCP decorrerá “com sentido de responsabilidade” e tendo em conta “as medidas emanadas das respetivas entidades, designadamente da Direção-Geral da Saúde”.

O secretário-geral do PCP defendeu que no atual contexto os trabalhadores “têm de participar na defesa dos seus interesses, dos seus salários, dos seus direitos, da sua pequena empresa ou negócio”. “É nessa batalha que o PCP estará, não deixando os trabalhadores sozinhos ou, como alguns pretendem, que fiquem em casa”, acrescentou.

Jerónimo de Sousa anunciou ainda que o PCP vai realizar “uma jornada de contacto e informação junto dos trabalhadores com início em 21 de maio”, inserida na campanha “Valorizar o trabalho e os trabalhadores. Não à exploração!” e “uma linha de ação e contactos dirigida aos micro, pequenos e médios empresários e trabalhadores por conta própria a partir de junho”.

Não peçam ao PCP que se cale numa altura em que tanta gente sofre o drama do isolamento, da falta de rendimentos, sem futuro a olhar para a frente para a sua vida. Era o que faltava o PCP calar-se nesta altura em que a democracia continua a vigorar em pleno”, reforçou.

Na sua intervenção inicial, Jerónimo de Sousa sustentou que está em curso uma “intervenção articulada dos círculos de poder do grande capital visando em particular o PCP, o mais decisivo obstáculo aos projetos reacionários, e a CGTP IN, a grande central sindical dos trabalhadores” que procura “atingir o próprio regime democrático, a Constituição da República e a limitação, se não mesmo a liquidação, de direitos, liberdades e garantias fundamentais”.

Segundo o PCP, “perante um quadro político marcado pelas opções do Governo do PS, bem como pelo aproveitamento por parte de PSD, CDS, Chega e Iniciativa Liberal para branquear o seu posicionamento e projetar valores e conceções antidemocráticas, intensificou-se a ofensiva ideológica dirigida contra os trabalhadores e o povo português”, pretendendo-se “contrapor a ‘defesa da economia’ aos direitos de quem trabalha, ou a defesa da saúde ao próprio direito à liberdade”.

“As comemorações do 25 de abril e a jornada do 1º de Maio apontam o caminho. Enfrentando e vencendo a chantagem antidemocrática, garantindo as necessárias medidas de prevenção e proteção sanitárias, impõe-se, para o presente e para o futuro, a utilização dos instrumentos de intervenção e luta que a Constituição da República Portuguesa consagra”, declarou Jerónimo de Sousa.

Festa do Avante! só se estiverem reunidas as condições

O Comité Central do PCP avaliou no sábado os elementos da preparação da Festa do Avante nas atuais circunstâncias e o partido não abdica de a fazer se estiverem reunidas as condições, afirmou Jerónimo de Sousa.

Em conferência de imprensa sobre as conclusões da reunião de sábado do Comité Central, confrontado com a posição do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de que nenhuma festa partidária ou popular deve ter regras diferentes das demais, o secretário-geral do PCP retorquiu: “Pois não, nem direitos a menos”.

“Nestes próximos meses iremos tendo em conta a realidade social, sanitária, tendo em conta o desenvolvimento deste processo. Aquilo que garantimos é que faremos a festa se estiverem reunidas as condições para o fazer – disso não abdicamos”, afirmou.

Segundo Jerónimo de Sousa, “em relação à Festa do Avante, o Comité Central avaliou os elementos da sua preparação nas circunstancias atuais, designadamente no plano das medidas de proteção sanitária” face à pandemia de covid-19.

“Estamos a quatro meses da realização da festa, mas a garantia é que, tal como em outras festas anteriores, das primeiras entidades a que recorremos é sempre a Direção-Geral da Saúde para garantir as condições sanitárias na nossa Festa do Avante“, acrescentou.

O secretário-geral do PCP rejeitou que a Festa do Avante! seja considerada um festival e afirmou que o partido não tem uma “posição fechada” sobre a sua realização, afirmando que “os comunistas portugueses são muito criativos”.

O primeiro-ministro, António Costa, admitiu que este evento se poderá realizar, desde que sejam cumpridas as orientações sanitárias da Direção-Geral da Saúde devido à pandemia, porque a atividade política dos partidos “não está proibida”.

A pandemia de covid-19 atingiu 196 países e territórios, registando-se perto de 312 mil mortos e infetou mais de 4,6 milhões de pessoas infetadas a nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP feito com base em dados oficiais. Em Portugal, morreram 1.218 pessoas num total de 29.036 confirmadas como infetadas, e 4.636 doentes recuperaram, de acordo com o relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS).

ZAP // Lusa

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6 COMENTÁRIOS

  1. Ninguém devia era ir há Festa do Avante estes oportunistas nem a Saúde dos portugueses eles respeitam, se fossem gente decente e séria tinha adiado a Festa para o ano, só desejo que nas próximas eleições não elejam nem um deputado, vão lamber sabão.

    • Deves ter algum problema de interpretação… tenta ler outra vez:
      “Festa do Avante! só se estiverem reunidas as condições”

      • Não me lembro de lhe ter pedido a opinião sobre o que penso, e sim o PCP devia de adiar a festa como outras organizações fizeram. passe bem.

        • Eu tambem não me lembro de lhe pedir uma opinião sobre a minha opinião (sobre a sua opinião), mas isto é um espaço público de opinião onde tudo pode ser comentado!
          Tal como diz a notícia, a Festa do Avante só se realizará se houver condições para tal.
          As conjunções estundam-se no ensino básico e está uma no título da notícia – “se”!!

    • Não fale pelos portugueses, há quem queira respirar, viver em liberdade com responsabilidade e segurança.
      Se o Sr. quer ficar eternamente refém da situação e abdica dos seus direitos, aja em conformidade que certamente será respeitado.
      Viva a liberdade (com responsabilidade, sempre) não sou do PCP. Procuro ser livre todos os dias.

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