China prepara “vingança” contra empresas americanas. Apple e Tesla na mira

Thomas Peter / EPA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o presidente da China, Xi Jinping

A China anunciou estar a preparar uma lista de empresas, pessoas e organizações “não confiáveis”, no que está a ser visto como uma retaliação pelas sanções impostas pelo governo de Donald Trump à Huawei.

O governo chinês anunciou esta sexta-feira que está a preparar uma lista de empresas, instituições e indivíduos “de pouca confiança – um “aviso sinistro mas vago” que pode ser visto como um sinal de retaliação pelas sanções impostas pelos EUA à gigante tecnológica chinesa Huawei, diz a Associated Press.

Os responsáveis chineses não adiantaram que entidades poderão constar da lista-negra, mas as empresas que aderiram ao boicote norte-americano à Huawei terão lugar garantido.

“As empresas não são de confiança se não cumprirem as regras de mercado, se quebrarem contratos estabelecidos e não respeitarem o espírito dos acordos em vigor com empresas chinesas por motivos não-comerciais”, especificou Gao Feng, porta-voz do Ministério do Comércio chinês.

Medidas adicionais contra os agressores serão anunciadas num futuro próximo”, acrescentou o porta-voz.

“Podemos estar a assistir ao início de um quadro retaliatório de Pequim“, disse à AP Paul Triolo, responsável da consultora de análise de risco Eurasia Group. “Isso pode incluir um conjunto de restrições à exportação de alguns minerais raros essenciais à actividade de certas empresas americanas.

As restrições poderiam afectar em particular os fabricantes norte-americanos de smartphones e veículos eléctricos, fortemente dependentes de minerais raros usados no fabrico de baterias, acrescentou Triolo. Entre as empresas afectadas encontram-se a Apple e Tesla.

Mas as opções da China são limitadas, diz o analista. “Há poucas medidas de retaliação económica que não afectem também fortemente o clima económico da própria China, líder mundial de exportações de minerais raros.

O anúncio do governo chinês surge depois de esta semana os EUA terem alargado o âmbito do cerco lançado à Huawei lançado por Donald Trump no início de maio, que nas últimas semanas escalou para uma guerra comercial entre os dois países, e que os norte-americanos querem ver alastrada aos seus aliados europeus.

Esta sexta-feira, o secretário de Estado Mike Pompeo disse-se preocupado com a capacidade de espionagem a partir de equipamentos e software 5G da Huawei, e avisou os seus aliados europeus de que “mudará o seu comportamento em relação às informações que partilha” se não tomarem medidas contra a empresa chinesa.

“Temos de mudar o nosso comportamento, porque não podemos permitir que informações de cidadãos privados dos EUA ou dados de segurança nacional cruzem redes que não consideramos confiáveis”, explicou o chefe da diplomacia norte-americana.

Os EUA e a China atravessam uma crise diplomática centrada numa guerra comercial que dura há dois anos, que levou a uma escalada de sanções e de aumentos de taxas tarifárias. Recentemente, o Governo norte-americano proibiu empresas norte-americanas de ceder tecnologia à empresa Huawei – colocando a empresa chinesa em desvantagem face aos seus concorrentes no mercado.

ZAP // Lusa / AP

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