China acusada de “assediar” jornalistas estrangeiros. Austrália retira repórteres por receio de detenção

Os Estados Unidos acusaram esta terça-feira a China de “ameaçar” e “assediar” jornalistas estrangeiros, após a decisão de Pequim de recusar a renovação das credenciais de vários correspondentes de órgãos de comunicação norte-americanos.

“Há várias décadas que a China ameaça, persegue e expulsa jornalistas norte-americanos e estrangeiros”, criticou a porta-voz da diplomacia norte-americana, Morgan Ortagus, citada em comunicado da embaixada dos Estados Unidos em Pequim.

A decisão de Pequim é a mais recente manifestação da deterioração das relações entre os dois países. Os Estados Unidos limitaram primeiro o número de cidadãos chineses que podem trabalhar nas delegações de alguns meios de comunicação social chineses no seu território e reduziram os vistos de trabalho dos jornalistas chineses para um período de 90 dias.

A China retaliou pela primeira vez em março, ao expulsar jornalistas do The New York Times, The Wall Street Journal e The Washington Post.

Washington justificou a sua decisão com queixas de que os jornalistas chineses que trabalhavam para a imprensa oficial agiam mais como propagandistas e agentes do Partido Comunista Chinês do que como repórteres.

Esta semana, as autoridades chinesas penalizaram pelo menos cinco correspondentes estrangeiros de quatro órgãos de comunicação norte-americanos, incluindo desta vez a cadeia televisiva CNN e a agência Bloomberg.

Os jornalistas foram informados que as suas credenciais, que são emitidas pelo ministério dos Negócios Estrangeiros da China, não foram renovadas, segundo o Clube de Correspondentes Estrangeiros na China (FCCC, na sigla em inglês).

Os repórteres em questão receberam antes cartas oficiais, que permitem que continuem a residir e trabalhar na China, mas que podem ser revogadas a qualquer momento.

Os Estados Unidos “estão a trabalhar incansavelmente” para convencer a China a permitir que jornalistas norte-americanos exerçam a sua profissão normalmente, disse Ortagus.

As autoridades chinesas expulsaram, no primeiro semestre de 2020, um número recorde de 17 jornalistas estrangeiros, de acordo com o FCCC.

Jornalistas australianos retirados da China

Os dois últimos correspondentes da Austrália na China foram retirados do país durante a noite por medo de que fossem detidos, na sequência da recente detenção de uma jornalista sino-australiana naquele país asiático, confirmaram esta terça-feira fontes oficiais.

Bill Birtles, correspondente em Pequim da televisão pública ABC, e Michael Smith, que trabalhava em Xangai para o diário Australian Financial Review, foram interrogados nos últimos dias por membros das forças de segurança do Ministério do Interior chinês.

“É bom estar em casa, mas é extremamente dececionante deixar a China em circunstâncias tão abruptas. Tem sido uma parte importante da minha vida e a passada semana foi surreal”, lê-se no tweet do jornalista da ABC, que deixou ainda um agradecimento à estação, amigos, colegas — nomeadamente a Michael Smith — e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros australiano.

Birtles tinha passado quatro dias refugiado na Embaixada da Austrália em Pequim, enquanto Smith procurou a proteção do Consulado australiano em Xangai, depois de as autoridades chinesas os terem notificado, nas suas casas, de que não poderiam deixar o país, por motivos de “segurança nacional”.

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Marise Payne, confirmou que os diplomatas australianos em Pequim e Xangai negociaram com as autoridades chinesas a autorização para a saída dos dois jornalistas, que já regressaram ao seu país.

De acordo com o Australian Financial Review, os jornalistas estão a ser investigados na China, num caso relacionado com a detenção no mês passado da jornalista sino-australiana Cheng Lei naquele país asiático.

Os problemas começaram na quarta-feira passada, quando sete agentes da polícia chinesa se dirigiram ao apartamento de Birtles em Pequim, interrompendo uma festa de despedida, já que planeava deixar o país no dia seguinte, de acordo com as recomendações das autoridades australianas.

Os agentes avisaram Birtle de que não poderia deixar o país e informaram-no de que seria contactado no dia seguinte para ser interrogado, num assunto relacionado com a “segurança nacional”, sem darem mais informações.

Birtle, que foi levado num veículo diplomático para a Embaixada da Austrália em Pequim, foi questionado pelas autoridades chinesas no domingo, na presença do embaixador australiano Graham Fletcher. O correspondente do jornal Australian Financial Review, Michael Smith, foi interrogado na noite de segunda-feira, depois de se refugiar no consulado do seu país, em Xangai.

Após negociações diplomáticas, os jornalistas puderam viajar para Sydney, onde se encontram em quarentena obrigatória por causa da pandemia de covid-19.

Em comunicado, citado pela agência de notícias espanhola Efe, a ministra dos Negócios Estrangeiros da Austrália salientou que o governo de Camberra continua a prestar assistência consular aos cidadãos detidos na China, incluindo Cheng Lei.

Jornalista há oito anos na estação de televisão chinesa de língua inglesa CGTN, Cheng Lei está a ser mantida pelas autoridades chinesas numa casa vigiada em local desconhecido, uma medida que permite isolá-la do mundo exterior e sujeitá-la a interrogatório durante seis meses, segundo a estação de televisão local ABC.

Detida em 14 de agosto por acusações desconhecidas, a jornalista, que cobria assuntos relacionados com economia e negócios, tem dois filhos menores, atualmente a viver com a sua família na cidade de Melbourne, acrescentou a mesma fonte.

O caso da jornalista detida por Pequim agravou as relações entre os dois países, que se deterioraram quando Camberra lançou, este ano, uma investigação sobre a pandemia de covid-19, levando a represálias comerciais por parte da China.

ZAP // Lusa

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