Chefe de gabinete de Trump convocado a testemunhar no inquérito sobre destituição

O chefe de gabinete da Casa Branca, Mick Mulvaney, depõe esta sexta-feira no Congresso dos Estados Unidos no âmbito do inquérito com vista a um processo de destituição do Presidente Donald Trump.

Na missiva da convocatória, os representantes Democratas que lideram os três comités da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso) que estão a conduzir o inquérito referem acreditar que Mick Mulvaney tem “conhecimento em primeira mão” das relações de Trump com a Ucrânia.

“O inquérito revelou que poderá estar diretamente implicado na tentativa, orquestrada pelo Presidente Trump, pelo seu advogado pessoal Rudolph Giuliani e por outros” para pressionar Kiev para que investigasse o ex-vice-Presidente norte-americano e eventual candidato Democrata nas eleições presidenciais de 2020 Joe Biden, escreveram os líderes Democratas, que detêm a maioria na Câmara dos Representantes.

Segundo o documento, o testemunho de Mick Mulvaney, o mais alto funcionário da Casa Branca a receber uma convocação no âmbito deste inquérito, será realizado à porta fechada.

Em outubro, numa conferência de imprensa na Casa Branca transmitida na televisão, Mulvaney fez declarações que deram a entender que Trump teria retido ajuda militar à Ucrânia por motivos políticos. Posteriormente, Mick Mulvaney negou que tinha feito tais declarações.

A Casa Branca já fez saber que não irá cooperar com o inquérito em curso, questionando a legitimidade constitucional e a imparcialidade do processo. Como tal, é provável que o chefe de gabinete ignore esta convocatória para testemunhar no Congresso.

O Presidente norte-americano foi acusado de pressionar o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, a investigar o seu rival político e ex-vice-Presidente Joe Biden. Trump negou sempre.

Esta chamada, cuja transcrição foi revelada na última semana após a queixa de um denunciante, levou os democratas a darem início a um processo de impeachment presidencial. Na segunda-feira, o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, recebeu uma intimação relacionada com os seus contactos com as autoridades ucranianas.

Mais tarde, o Governo australiano confirmou que houve uma segunda chamada, em que Donald Trump pressionou o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, para que este o ajudasse a descredibilizar a investigação do procurador especial Robert Mueller. O governo australiano confirmou que a chamada aconteceu e que o primeiro-ministro concordou em ajudar.

A Casa Branca restringiu o acesso à transcrição da conversa telefónica entre o Presidente dos EUA e o primeiro-ministro da Austrália a um pequeno grupo de assessores. A decisão é invulgar mas semelhante à que foi tomada no caso da chamada com o Presidente da Ucrânia.

ZAP // Lusa

 

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