Charlie Hebdo faz sátira com Aylan, o menino sírio que morreu afogado

O Charlie Hebdo volta a estar envolto em polémica com um cartoon da sua última edição sobre os recentes abusos sexuais em massa na Alemanha: “O que teria sido o pequeno Aylan se tivesse crescido? Apalpador de rabos na Alemanha”.

Atentado ao Charlie Hebdo

O semanário satírico publicou um desenho em que usa o pequeno sírio de três anos – que apareceu morto em setembro do ano passado numa praia da Turquia depois do naufrágio de um barco de refugiados – ao lado da imagem de dois homens a perseguir mulheres, para relacioná-lo com os casos de abuso sexual na cidade de Colónia que chocaram a Alemanha e que têm como presumíveis autores requerentes de asilo, na sua maioria originários do Norte de África.

O cartoon, intitulado “Migrantes”, é da autoria do caricaturista e diretor da publicação satírica francesa, Laurent Sourisseau, o Riss.

No entanto, a instrumentalização do pequeno Aylan Kurdi criou uma grande resistência no público, que se divide entre acusações de racismo e xenofobia, por incentivar estereótipos sobre os refugiados – como se qualquer um fosse à chegada à Europa um violador (ou um terrorista) em potência – e os que veem o cartoon como uma crítica a estes mesmos estereótipos distorcidos provocados pelas informações publicadas pela comunicação social e pelas autoridades alemãs.

Esta não é a primeira vez que o jornal francês usa a imagem da criança síria. Em setembro do ano passado, Aylan apareceu caracterizado na capa do Charlie Hebdo, ao lado de um cartaz com uma famosa personagem de uma cadeia de fast food americana, no qual se podia ler “Promoção! Dois menus criança pelo preço de um”.

Também estava visível a mensagem “Sejam bem vindos refugiados” e, logo a seguir, uma frase que ficava a meio: “Tão perto do objetivo…”.

Ainda na mesma edição aparecia outra imagem, com uma personagem que aparentava ser Jesus Cristo a andar sobre a água, na qual se podia ler: “A prova de que a Europa é cristã. Os cristãos andam sobre a água. As crianças muçulmanas afundam”.

A redação do Charlie Hebdo foi devastada a 7 de janeiro de 2015 por um ataque do grupo terrorista Estado Islâmico, que 11 meses depois voltou a atacar Paris num massacre que chocou o mundo e deixou a França em estado de alerta.

Morreram oito membros do jornal: os cartonistas Charb, Cabu, Tignous, Honoré e Georges Wolinski, o economista Bernard Maris, a colunista Elsa Cayat e o editor Mustapha Ourrad.

Na última semana, a marcar um ano desde o atentado, o cartoon de um deus assassino e “ainda a mexer” valeu ao Charlie Hebdo novas críticas de vários sectores da sociedade, em especial da igreja.

ZAP

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24 COMENTÁRIOS

  1. Mais dia menos dia aquele paskim e todos os parvalhões que lá estão vão todos pelos ares, tipo cogumelo atómico. A cratera que vai lá ficar passa a ser o lugar de pregrinação dos imbecis que se dizem “Charlie”. Suponho eu :

    • Se isto incita à violência, então aqueles que se sentem incitados a ser violentos devem ser presos e expulsos da Europa pois não sabem viver nela. Nossa Europa, nossas regras: Zero tolerância contra intolerância.

  2. Não é função do humor respeitar o que quer que seja, nem ele próprio. É humor, ponto final. Depois podemos considerá-lo humor negro, gostar, não gostar, criticá-lo, achar a graça infeliz, de mau gosto, racista, xenófoba, etc., mas isso é outra história. A crítica deve ser tão livre quanto o humor. Podemos educar o gosto (em parte), mas não me parece correto querer impor o nosso gosto (ou falta dele) aos outros. Em suma, deixem os humoristas e cartonistas do Charlie Hebdo e os outros continuar a trabalhar. Uma sociedade sem humor é uma sociedade zombie.

    • Humor!? Deve estar a brincar! Isto é apenas mau gosto levado ao limite! E tudo para vender jornais! Humor!? Nem quero imaginar como devem ser as suas piadas…

      • Será que leu bem o que escrevi?… Estava a defender os humoristas e não aquele cartoon em particular. Seja como for, como sabe, os ditadores, os regimes totalitários e toda a espécie de fanatismos costuma classificar de mau gosto aquilo que outros, em sociedades abertas, consideram humor, mesmo quando não gostam dele. Também têm o mau hábito de prender, matar ou fazer desaparecer humoristas. É que o humor incomoda e não faz rir toda a gente.

      • Caro RoyRodgers, será que leu bem o que escrevi?… Estava a defender os humoristas e não aquele cartoon em particular. Seja como for, como sabe, os ditadores, os regimes totalitários e toda a espécie de fanatismos costuma classificar de mau gosto aquilo que outros, em sociedades abertas, consideram humor, mesmo quando não gostam dele. Também têm o mau hábito de prender, matar ou fazer desaparecer humoristas. É que o humor incomoda e não faz rir toda a gente.

  3. Uma coisa é a liberdade de expressão, outra o mau gosto.
    Esta é uma piada de tremendo mau gosto, no entanto todos temos o direito de as exprimir, é isso a liberdade de expressão !

    Como dizem os espanhóis: “Deal with it”

  4. Não sou nem nunca fui Charlie.
    A liberdade de opinião não é um valor. É um direito. Mas os direitos têm de se basear nos valores. O respeito é um valor, um princípio. Faltar ao respeito não tem valor nenhum. Se Aquela criança fosse um filho de um dos “escritores” daquele pasquim certamente que não serviria como objecto para eles exercessem a propagada “Liberdade de Opinião”. Sou e sempre fui contra os atentados perpetrados em França, mas esta cultura do “tudo é permitido” leva ao ódio dos mais extremistas. Na linha da “Liberdade de Opinião” que este pasquim defende, poderiamos conjecturar que os atentados foram encomendados ao Daesh para aumentar as vendas de um jornaleco que estava preste a acabar por falta de vendas. Agora vendem 100.000 exemplares por mês. Gostariam que lhes atirassem isto à cara? Eu acho que não, mas a linha humorística é a mesma. O melhor humor que se praticou no último século (cartoons, filmes, séries, etc.) nunca precisou de recorrer à falta de respeito, mas a inteligência daqueles jornaleiros pelos vistos não dá para mais. Tristes as almas que compram aquele pasquim…

  5. Quer se goste / concorde ou não com a linha editorial do jornal (eu pessoalmente não a aprecio) não se deve misturar alhos com bugalhos; uma coisa são gostos pessoais outra coisa é começar a censurar jornais , revistas, seja o que for, por medo de eventuais represálias. Se fizermos isso estamos a dois passos de admitir a derrota perante os energumenos que consideram o modo de vida europeu, baseado nas liberdades (incluindo a de expressão), uma heresia.

    • Antes da censura, como diz, existe o respeito pelo outros (quem quer que sejam – refiro-me a religiões/credos, etc). A liberdade existe, mas tem limites… Limites? Sim! Quando atingem as liberdades dos outros! Liberdade de imprensa? Sim! Mas antes demais com respeito pelos outros. Não poder ser uma “geringonça” cega que tudo vale para fazer “massa”. É preciso respeitar os outros (TODOS!). Se não respeitam, como querem ser respeitados?

  6. O problema, é que esta gente confunde a liberdade
    de expressão, com liberdade para a provocação!
    A somar a isso, temos o problema da carneirada,
    que age por simpatia em manada, a apoia-los…

    • Á “liberdade para a provocação” acrescento liberdade de fazer o que lhes dá na gana, protegendo-se a seguir com a liberdade de imprensa e a não obrigatoriedade de revelar as fontes (que, por vezes, nem existem…). Isto não pode ser o vale tudo! R-E-S-P-E-I-T-O!!!

  7. Isto não é, nem nunca foi liberdade de expressão. É apenas parvoíce. É apenas ofensa gratuita. Enfim… anda tudo doido…

  8. Quando a liberdade excede os limites e ela como tudo na vida tem limites, passa a ser libertinagem, não vejo graça ou razão para tantos excessos para mais num país praticamente sequestrado pelo islamismo por culpa própria.

  9. Mais do que racismo, o chauvinismo e mais os outros ismos todos, o que me incomoda mesmo é a estupidez humana e para essa só há uma resposta. O meu desprezo à tua estupidez, Charlie…Saberás traduzir?

  10. Mais não, não e não posso defender quem não devo, não seria justo e honesto da minha parte, agora estou do lado do IE sejam eles assassinos ou não, arrebentem com tudo que seja charlie, o interesse está em arrecadar euros, pois o anterior massacre deu bastante dinheirinho ao charlie, até os portugueses caíram na esparrela, o que os franceses procuram e merecem com estas provocações é levarem com um massacre de pessoas inocentes muito maior que o anterior e não deve estar a demorar muito, sem mais.

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