Catroga critica “arrogância política” na gestão da pandemia (e diz que partidos “darão cabo” da TAP se for só do Estado)

Numa entrevista ao jornal ECO, divulgada esta quarta-feira, o antigo ministro das Finanças Eduardo Catroga falou da gestão da pandemia, da situação da TAP e dos apoios às empresas.

Em entrevista ao jornal ECO, o antigo ministro das Finanças Eduardo Catroga atacou a “propaganda”, “ideologia” e “arrogância política” do Governo na gestão da pandemia de covid-19.

Para Catroga, “Portugal geriu a sua crise sanitária no espaço europeu e a performance relativa, até à data, é fraca. Estamos muito mal posicionados no contexto europeu”.

Segundo o antigo ministro de Cavaco Silva, a política de comunicação “era mais orientada para a propaganda do que propriamente para a informação, e houve demasiada ideologia e um insuficiente diagnóstico na fase inicial”.

Catroga tem esperança que o Governo possa aprender com os erros: “Pode haver atenuantes para os erros cometidos, mas não há atenuantes para alguma arrogância política numa primeira fase. É preciso humildade quando sabemos pouco sobre uma determinada matéria. Eu agora vejo uma tentativa de se aproveitar os erros e caminhar na linha mais correta”.

Na mesma entrevista, o antigo governante afastou o cenário de um Governo de salvação nacional e pediu que o PS defina o rumo do país para os próximos anos.

“Eu sou partidário da estabilidade governativa e do princípio de que os Governos devem ser julgados no final dos seus mandatos. Não estamos perante nenhuma crise política”, considerou.

Para Catroga, “ultrapassada a fase de emergência, [o Governo] tem de ter um plano de reformas para aumentar a taxa potencial de crescimento económico”.

O ex-ministro apelou ainda que Marcelo Rebelo de Sousa tenha um papel mais ativo. “O senhor Presidente da República podia ter um papel fundamental na convergência de um conjunto de políticas estruturais condizentes a estes objetivos”.

Se TAP for só do Estado, partidos “darão cabo [dela]”

Em relação à situação da TAP, Eduardo Catroga considera que o Governo “não tinha alternativa” ao resgate da empresa e argumenta que este é um “setor estruturante” da economia.

Catroga sugeriu a contratação de “bancos de investimento internacionais para trazerem hipóteses de aliança dentro de um determinado modelo estratégico da TAP”.

Caso contrário, “se a TAP for essencialmente uma empresa do Estado, os partidos políticos, quaisquer que eles sejam, consideram-se os acionistas da empresa e darão cabo da empresa a prazo“, alertou o ex-político. O “Estado não tem vocação de empresário-gestor em setores altamente competitivos como é o setor da aviação”.

Assim, o ex-ministro defende que o Estado devia ficar com uma “posição acionista pequena e residual e não ser o maior acionista”.

Já em relação aos apoios às empresas, Catroga queixa-se da ajuda “insuficiente” dada às empresas neste momento crise e apela ao Governo que reforce os apoios temporários, mesmo que isso signifique um défice maior.

Para o ex-ministro, o apoio às empresas “deve ser prioritário porque apoia-se as famílias, o emprego, o investimento”. “Esta devia ser a prioridade, mas nem sempre está na cabeça dos nossos decisores políticos quer na política de apoios de curto prazo quer nos apoios estruturais ligados aos fundos europeus”, disse..

O ex-governante recomendou ainda que Governo que reserve uma parte significativa dos fundos europeus para a recapitalização das empresas. “Desta vez tem de diferente”, afirmou, pedindo que se aproveite esta “oportunidade de ouro”.

“O Governo deveria reservar 10 mil ou 15 mil milhões de euros para este objetivo que traria um reforço da estrutura financeira das empresas, traria uma maior confiança em termos de futuro e contribuiria para o não enfraquecimento do setor bancário, que é um risco que temos”, rematou.

Maria Campos Maria Campos, ZAP //

 

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6 COMENTÁRIOS

  1. A gestão privada da tap já de cabo da empresa. E se não fosse o estado já tinha dado de frosques. Mas o que é que este vem dizer !? Pura verborreia ideológica!

  2. A participação do estado devia ser residual diz este guru! Sim porque o estado tem que garantir é o lucro dos privados, como aconteceu com o anterior empresário brasileiro que foi daqui de bolsos cheios com a indemnização!! Mas afinal quando se aplica o capital não há o risco de o perder? Não, porque o estado vai logo a correr nacionalizar o prejuízo! É com isto é que o sr. Catroga concorda!! O sr percebe tanto de negócios “fair” que foi por isso que o da EDP deu no que deu! Com bancos, ministros da economia, oportunistas e tudo o mais que faz falta a uma boa privatização! Sente-se no sofá com a mantinha nos joelhos porque basta de trafulhice!

    • Este ‘guru’ tratou bem da vidinha dele e, enquanto isso vai dando palpites para que o tachão na EDP não acabe. Aliás os políticos portugueses tratam todos da vidinha quer da própria, da família e dos amigos do partido. É só contabilizar o que estes esquerdalhos já meteram, foram às dezenas de milhar nos melhores tachos e, este não é melhor que os que lá estão. Só tem conversa da treta daqueles que só saem da boa vidinha arranjada, quando morrem.

  3. Mais uma “múmia” que saiu do sarcófago para deitar uma espécie de “faladura”.
    Vendeu tudo ao desbarato e ninguém sabe do dinheiro. O que terá passado?

  4. Lá do alto da sua mansão, em S Bento, falou e disse! Agora até é “virologista”! Estes políticos dominam tudo!!. Nunca vi ciência mais abarcante do que a política! O Sr. sabe muito sobre energias? Não parece! A forma como ajudou a gerir o dossier EDP foi um verdadeiro desastre! Era preciso que tivesse a humildade de o reconhecer! Para não falar noutros casos escabrosos da política quando foi ministro!

    • Ele geriu o ‘dossier’ da EDP em função da ‘qualidade’ do tacho que lhe ofereciam. Ele anda por lá e nós não conseguimos alcançar o que é que a criatura ‘pentelhos’ anda por lá a fazer a não ser mandar ”bitaites” cá para fora porque por lá ninguém estará interessado em ouvi-lo. É um faz-de-conta que é, para ver como seria, se fosse!

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