Bruxelas ainda está a avaliar plano de reestruturação (mas TAP tem “carta branca” para decidir despedimentos)

Bruxelas ainda está a avaliar o plano de reestruturação da TAP, mas não tem opinião sobre a forma como os cortes nos custos da massa salarial são feitos e que o importante é que aconteçam.

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A Comissão Europeia ainda está a avaliar o plano de reestruturação da TAP, submetido por Portugal a Bruxelas há dois meses, sem prever data para uma decisão, que visa garantir a “viabilidade da empresa a longo prazo”.

“A avaliação da Comissão sobre o plano de reestruturação apresentado por Portugal para a TAP está em curso. Não podemos comentar o conteúdo do plano de reestruturação nem, nesta fase, prever o calendário ou o resultado da avaliação da Comissão”, indica fonte oficial do executivo comunitário em resposta escrita à agência Lusa.

A mesma fonte disse que o objetivo da Comissão Europeia é “assegurar que, com a reestruturação, a viabilidade da empresa a longo prazo seja restaurada sem necessidade de mais e continuado apoio estatal“.

No entanto, de acordo com o ECO, sabe-se já que a Bruxelas vai dar carta branca ao Governo para decidir despedimentos na TAP, não tendo opinião sobre a forma como os cortes nos custos da massa salarial são feitos.

“Não temos qualquer comentário. São os Estados-membros que desenham o plano de reestruturação e determinam as suas condições“, disse fonte oficial da Comissão Europeia.

O executivo comunitário está a analisar se o plano de reestruturação da TAP “está em conformidade com os requisitos e condições estabelecidos nas orientações relativas aos auxílios estatais de emergência e à reestruturação concedidos a empresas em dificuldade”, enquadramento ao abrigo do qual foi autorizado um apoio público 1,2 mil milhões de euros de Portugal à transportadora de bandeira portuguesa em junho de 2020.

Tal avaliação “assegura que a empresa possa regressar à viabilidade e, após a reestruturação, concorrer com base nos seus próprios méritos e em condições de igualdade com outras empresas no mercado“, adianta a mesma fonte.

“A Comissão continua a manter contactos estreitos e construtivos com as autoridades portuguesas sobre esta matéria”, conclui.

Após a declaração de empresa em situação económica difícil – que permite suspender cláusulas dos acordos de empresa em vigor ou dos instrumentos de regulamentação coletiva aplicáveis e tomar medidas para cortar nos custos com pessoal -, a TAP entregou aos sindicatos propostas de acordos de emergência para vigorarem até 2024 ou até à celebração e implementação de novos acordos de empresa, no âmbito do processo de reestruturação de que está a ser alvo.

O Conselho de Administração da TAP anunciou numa mensagem aos colaboradores a que a Lusa teve acesso, que a empresa tinha chegado a um entendimento com todas as estruturas representativas dos trabalhadores relativamente aos acordos de emergência.

Segundo a informação transmitida pelos sindicatos de trabalhadores de terra da TAP, foram acordados cortes para salários acima de 1.330 euros (de 25% entre 2021 e 2023 e 20% em 2024). Por seu lado, para os pilotos, foram acordadas com os sindicatos reduções salariais de entre 50% e 35%, entre 2021 e 2024, que já incluem o corte transversal de 25% aplicado a todos os trabalhadores.

  Maria Campos, ZAP // Lusa

 

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