Casos diários podem chegar aos 4 mil já em Novembro (e só uma medida pode evitar o pior)

Martin Divisek / EPA

A subida dos casos diários de covid-19 em Portugal, verificada nos últimos dias, é “muito preocupante”, segundo os especialistas que falam em “números assustadores”, prevendo que as novas infecções poderão ser da ordem das 4 mil por dia já em Novembro.

“Projectamos atingir 3500 novos casos no início de Novembro” e “estimamos atingir 4 mil por dia na segunda metade de Novembro”, considera o professor de Epidemiologia na Universidade de Lisboa, Manuel Carmo Gomes, um dos peritos que colabora com a Direcção-Geral da Saúde (DGS), em declarações ao Expresso.

Perante este cenário, teremos cerca de 28 mil infecções por semana, como aponta o semanário, o que constitui uma previsão que supera em muito o pior cenário que o Governo tinha traçado em Fevereiro.

Até ao final do ano, o país deve chegar aos 6 mil casos diários, mas o pico da curva só deve chegar em 2021, mantendo-se a tendência de subida dos números, conforme vaticina o professor da Nova Information Management School (IMS), Jorge Mendes, no Observador.

“No dia 14 de Novembro, estamos a prever acima de 3.000 casos diários, se nada se fizer”, aponta este especialista que é o autor do modelo epidemiológico Covid-19 Insight que tem acompanhado a evolução da pandemia em Portugal, com algum acerto.

“A tendência actual vai continuar a manter-se e o número diário de casos vai continuar a crescer”, alerta Jorge Mendes.

Todos os dias me assusto mais quando olho para os números”, assume, por seu lado, Manuel Carmo Gomes, em declarações à Rádio Renascença.

Ainda não é possível ver o pico desta epidemia, mas estará, à vontade, acima dos cinco mil casos por dia. A esmagadora maioria dos portugueses ainda não tem protecção para este vírus”, aponta o professor de Epidemiologia, destacando que “o vírus está a ir à frente da nossa capacidade de rastreio e identificação de casos”.

“A região Norte está ‘a ferver’”

Nos últimos dias, houve um aumento acelerado no número de novos casos, com um recorde de mais de 2 mil novas infecções por dia, destacando-se o aumento de infecções na região Norte para 1350 novos contagiados em 24 horas.

“A região Norte está ‘a ferver’”, considera o subdirector-geral da Saúde, Rui Portugal, em declarações ao Expresso.

O responsável do Departamento de Epidemiologia do Instituto Ricardo Jorge (INSA), Baltazar Nunes, sustenta no semanário que “é para a região Norte que se estima o índice de transmissibilidade mais elevado, sendo inclusive o mais alto desde a fase inicial de crescimento na primeira onda”.

E ninguém sabe se estes números reflectem mais contágios a Norte ou, simplesmente, maior eficácia na detecção do vírus.

Mas, Rui Portugal, acredita que “na origem de uma parte deste descontrolo estão as pequenas indústrias, muitas de âmbito familiar, onde as regras não são cumpridas”. “Não há distanciamento, não usam máscara e não temos a segurança de que o isolamento seja cumprido”, aponta no Expresso.

SNS perto da ruptura

Também preocupante é a pressão sobre os Hospitais. Na região de Lisboa, algumas unidades já estão a sentir maior pressão do que em Março.

A situação está a agravar-se. Estamos com menos enfermeiros por rescisões de contratos e, por esse motivo, tive de encerrar camas numa altura em que devia estar a aumentá-las. Prevejo muitas dificuldades na próxima semana“, conta ao Expresso o director dos Cuidados Intensivos do Curry Cabral, Nuno Germano.

As previsões apontam que, em meados de Novembro, haja 2 mil doentes hospitalizados, com os internados em Cuidados Intensivos a chegarem quase aos 300. Isto colocará o Serviço Nacional de Saúde (SNS) numa situação de ruptura.

De acordo com dados revelados por Jorge Mendes ao Observador, o SNS terá “um limite de cerca de 1.500 lugares em enfermaria e 300 em Cuidados Intensivos”.

No Hospital de São João, no Porto, já se anunciou o corte nas cirurgias previstas de doentes não-covid para aumentar camas para os infectados e o director da Unidade de Cuidados Intensivos, José Artur Paiva, assume ao Expresso que “é possível não haver recursos para responder à pandemia”.

O Hospital do Porto debate-se também com a falta de recursos humanos, dado que há infecções entre médicos e enfermeiros.

E, uma vez que “o número de internamentos é proporcional ao de infecções”, “um aumento de infectados traduzir-se-á também numa subida dos óbitos“, lembra a co-autora dos relatórios do INSA, Luísa Morgado, em declarações ao mesmo semanário.

“Uso universal de máscara” pode ser única solução

Enquanto isso, os especialistas não mostram grande confiança nas medidas anunciadas pelo Governo na semana finda. “São paliativos que têm um efeito marginal” e algumas até “podem ter efeito contrário”, considera Jorge Mendes no Observador.

“Se reduzimos horários, isso significa que as pessoas se vão concentrar mais em determinados horas em locais públicos”, alerta ainda o professor da Nova IMS.

“Portugal devia adoptar uma estratégia geral para o país, clara e transparente, relativamente à definição de níveis de risco municipais e essa definição devia ser acompanhada de um conjunto de medidas que deviam ser adoptadas localmente, no imediato”, sugere, por seu lado, Manuel Carmo Gomes na Renascença.

Para Jorge Mendes, perante os “números assustadores”, “o uso universal de máscara seria a grande ferramenta que teríamos agora para reduzir o número de infecções”. “No espaço de duas semanas iríamos começar a ver algum resultado”, aponta o professor.

“Se olharmos para o comportamento dos casos diários, entre a situação actual e aquela que se verificaria com o uso universal de máscara, estimamos que entre 1 de Setembro e 30 de Novembro poderiam ser poupadas cerca de 200 vidas“, aponta Jorge Mendes.

A proposta do Governo para o uso obrigatório da máscara, mesmo ao ar livre, será discutida no Parlamento a 23 de Outubro próximo.

ZAP //

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10 COMENTÁRIOS

  1. Vamos esperar mais um bocadinho para decretar o uso obrigatório das máscaras em qualquer local . É como uma gripezita Diz o Zé povinho, toma uma aspirina que isso passa.

  2. Para obrigarem as pessoas a usar máscara vai ser preciso algo tipo “EMEL das máscaras”. Já agora fazer as pessoas usarem como deve ser. O nariz também é para tapar. Não espirra pela boca. Se achas que não e preciso. Vai fazer voluntariado para uma de doentes covid sem máscara.

  3. Não entendo a razão do recolher obrigatório. Se o que é mau é haver ajuntamentos, porquê impedir as pessoas de circular de noite, que é precisamente quando há menos gente nas ruas?

  4. A única medida que pode ajudar. É individual e é a consciência.
    As pessoas sem consciência irão sempre tentar dar a volta a coisa.

  5. Na minha opinião é mais “uma acha para a fogueira” da pandemia do medo.
    O dia em que morreram mais por Covid19 foi em 03-04-2020, atingiu a marca de 37 óbitos. Se assim continuar, a morrerem 37 por dia o último português vai-se finar daqui a mais de 10 milhões de anos.
    O dia em que houve mais infecções por Covid19 foi em 16-10-2020, atingiu a marca de 2608. Se assim continuar, a serem infectados 2608 por dia o último português vai-se infectar daqui a mais de 10 anos.
    Com base nestes dados, que são as minhas estatísticas, parece-me “gravíssima” esta pandemia, não há cura que resista.
    Penso que se está a fazer uma tempestade num copo de água, está-se a promover o pânico colectivo que mata mais que o próprio vírus.
    Morrem mais nas estradas, por cancro e por outras doenças, incluindo a gripe comum, do que por covid19, mas só o covid é notícia, porque?
    Se é para acabar com a economia, têm conseguido.
    Se é para os mais ricos ficarem ainda mais ricos, têm conseguido.
    Se é para afectarem a saúde mental dos idosos nos lares, têm conseguido.
    Se é para resolverem o problema do vírus, não têm conseguido, nem com confinamentos, nem com máscaras, nem com álcool gel e nem sequer com viseiras.
    É a minha opinião e não passa disso, de uma opinião.

    • Caro José

      Raramente respondo a comentários que aqui leio mas como há aqui alguns pressupostos no seu raciocínio que são falaciosos. O primeiro é assumir uma taxa de infecção constante. A taxa de mortalidade actual é de 2,1% o que significa que a cada 100 portugueses morrem 2, a taxa de infecção tem crescido gradualmente contudo a expansão de uma doença desta natureza é de uma progressão exponencial o que significa que hoje são 2608 amanhã serão 2800 etc etc. O risco como diz a noticia é dentro de semanas estarmos a subir para cima das 4000 infecções diárias, e isto são as detetadas! Com 4000 casos 84 pessoas vão morrer garantidamente, o efeito é cumulativo. Ou seja assumindo o que diz ser verdade ate ao final do ano se assumíssemos uma tx de infecção constante de 2600 pacientes dia até ao final deste ano teremos 190 000 infectados com cerca de 4000 pessoas mortas! Num pais de 10 milhões 4 ou 5 mil pessoas mortas é demais, para mim as 2181 falecidas ao momento são já demais, não são números meu caro José são pessoas, e comparar taxas de mortalidade de acidentes rodoviários (ACIDENTES) com uma doença é uma péssima comparação, a gripe é uma doença sistémica da nossa espécie e para ela temos várias estratégias, a gripe não exige ventiladores nem provoca tecido cicartrizante nos pulmões e quem sobrevive a uma gripe mais séria fa-lo sem consequências por demais contrário ao Sars-Cov2. Isto não é uma opinião são factos.

      • Caro Paulo Freitas:
        É a sua opinião, que eu respeito. Não fosse o seu comentário dedicado à minha pessoa, que “há aqui alguns pressupostos no seu raciocínio que são falaciosos” e nem sequer responderia, respeitava apenas a sua opinião, cada um deve ter a sua.
        Eu dei-me ao trabalho de fazer o registo de alguns dados desde a primeira infecção relatada e assim estou à vontade para lhe dar números.
        Então, o dia em que teve mais mortes até hoje foi o dia 03-04-2020 com 37 óbitos, tendo sido detectados 852 novos casos em 9257 testes realizados no dia anterior.
        O dia em que houve mais infectados foi o dia 16-10-2020, sendo relatados 2608 novos casos em 29752 testes realizados no dia anterior. sendo também relatados 21 óbitos.
        Como vê, o efeito não é cumulativo nem proprocional.
        Nos 3 últimos dias, felizmente, o número de novos infectados foi inferior a 2000, não me parecendo uma progressão exponencial, nem parecido com isso.
        2213 óbitos até hoje são muitas pessoas, é certo, e não são apenas números, são seres humanos, concordo, mas falemos de números.
        Em 2019, último ano completo onde temos dados, faleceram 111793 indivíduos em Portugal dos quais:
        29% de doenças do aparelho circulatório, ou seja, cerca de 32420 pessoas;
        24% de tumores malignos, ou seja, cerca de 26830 pessoas;
        12% de doenças do aparelho respiratório, ou seja, cerca de 13415 pessoas;
        4% de diabetes, ou seja, cerca de 4770 pessoas;
        Outras tantas pessoas de doenças do aparelho digestivo;
        Mais de 3,5% de acidentes, envenenamentos e violência, ou seja, mais de 3910 pessoas.
        Isto são dados retirados do portal http://www.pordata.pt e sim, refere-se a pessoas, apesar de estar indicado em números.
        Covid19, uma doença em que uma grande maioria são detectados em teste e estão assintomáticos, sendo confinados sem qualquer medicação, em que, ao fim de 10 dias de confinamento, o médico pode dar alta, considerando-o “curado” mesmo que ainda teste positivo, como disse a senhora da DGS. Os restantes casos que têm sintomas e não carecem de hospitalização vão para confinamento com medicação para a gripe.
        Ontem estavam 1174 doentes internados para mais de 11000 camas disponíveis nas áreas de Lisboa e Porto apenas, como foi reportados pela DGS.
        Ontem estavam 165 pessoas internadas em UCI, local onde eventualmente poderão ser utilizados os ventiladores, cerca de 1800 dos quais os que foram comprados à China ainda nem sequer foram testados pelos técnicos portugueses.
        Isto são os factos que eu conheço e, apesar disso, é apenas a minha opinião e não pretendo mudar a opinião de ninguém, cada pessoa deve pensar pela sua própria cabeça.

    • “Morrem mais nas estradas, por cancro e por outras doenças, incluindo a gripe comum, do que por covid19, mas só o covid é notícia, porque?”
      Ah? De que caverna saíste??
      Por acaso já pensaste se os acidentes rodoviários ou o cancro são altamente contagiosos como o Covid??
      Pois…
      Quantos morreram de gripe em Portugal?
      E na estradas?
      Até 1 de Outubro houve 255 mortos na estradas portuguesas.
      Enfim… como se vê, só escreveste disparates e mentiras!!

      • Engraçado, foste escolher logo a parte deste ano em que o povo esteve em casa confinado por decreto governamental, davas um bom político.
        Comparei mortes de pessoas e capacidades de as poder evitar, mas tu não consegues atingir, é “muita areia para a tua camioneta”
        Depois eu é que digo disparates, tu não.
        Sabes o que é uma opinião? Ou também são disparates?
        Mais uma vez, cresce e aparece.

  6. Há um ou dois meses atrás vaticinava a realidade que temos atualmente. Mas pior ainda, sinto que em finais de novembro, princípio de dezembro a situação estará totalmente caótica. O SNS já está a dar sinais de incapacidade e o frio nem chegou.
    Não é preciso ser “profeta” para antecipar o atual cenário e o cenário que iremos encontrar em 1 ou 2 meses.
    Qualquer pessoa minimamente informada, concluiria facilmente o mesmo. Pena é que, aqui mesmo, quando referi este cenário dois comentadores ironizassem da “profecia” o que apenas ilustra que infelizmente no nosso país perde-se mais tempo com a bola do que com questões sérias e vitais para a nossa sociedade. Obviamente que um dos iluminados comentadores era o Eu!
    E assim vai o país.

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