Caso das golas inflamáveis “é gravíssimo” se for verdade, diz Rui Rio

Hugo Delgado / Lusa

O presidente do PSD, Rui Rio, afirmou esta segunda-feira que o caso dos `kits´ de proteção do programa “Aldeias Seguras” “é gravíssimo”, caso seja verdade, defendendo um apuramento de responsabilidades.

“Se isto for verdade, tal e qual como está nas notícias, é gravíssimo. Não tem pés nem cabeças”, disse Rui Rio, que falava aos jornalistas em Vila de Rei, distrito de Castelo Branco, onde se reuniu com autarcas da região afetados pelos incêndios que atingiram esta região há cerca de uma semana.

Questionado sobre a demissão de Francisco Ferreira, adjunto do secretário de Estado da Proteção Civil, o líder social democrata referiu que este membro do Governo terá alguma responsabilidade na matéria, mas isso não quer dizer que o assunto “fique resolvido”. No entender de Rui Rio, este técnico não terá “responsabilidade em tudo”, estando ainda essa questão por esclarecer.

“Aquilo que já temos em cima da mesa é que há uma empresa constituída há muito poucos meses e que se dedica ao setor do turismo e que vende golas para usar durante os incêndios que são elas próprias inflamáveis”, salientou, frisando ainda que a empresa tem ligação a “um familiar de uma autarca do PS” e que as golas são vendidas a “preços superiores àqueles que são os preços de mercado”.

O técnico Francisco Ferreira, adjunto do secretário de Estado da Proteção Civil, demitiu-se hoje, após ter sido noticiado o seu envolvimento na escolha das empresas para a produção dos ‘kits’ de emergência para o programa “Aldeias Seguras”, tendo o pedido sido aceite pelo secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves.

Descoordenação em Mação

Também esta segunda-feira, Rio afirmou que houve descoordenação no ataque às chamas que afetaram Vila de Rei, Mação e Sertã, considerando que a organização do combate está “muito longe” daquilo que deveria ser.

“Houve uma assinalável desorganização no combate ao incêndio, quando eu pensava e todos pensavam e o ministro da Administração Interna tem dito que está tudo melhor desde os incêndios de 2017. As coisas poderão estar melhor, mas estão muito longe de estarem como deveriam estar“, disse Rui Rio.

Segundo Rui Rio, até poderá ter havido meios de combate ao incêndio suficientes, mas a operação foi “desorganizada e descoordenada”.

“Os autarcas, como pessoas que tendo estado no terreno, puderam ver a forma como as coisas evoluíram e a descoordenação foi completa”, declarou, referindo que, por exemplo, “não se chega a saber que quantidade de refeições é que é necessária num determinado sítio porque não se sabe sequer quantos homens estão nesse sítio”.

Rui Rio salientou que o ministro da Administração Interna, Eduarda Cabrita, tem dito que “está tudo bem, coordenado e seguro”. “Se estivesse tudo bem, coordenado e seguro, não acontecia aquilo que aconteceu”, frisou.

Segundo o líder do PSD, além da descoordenação há também questões de fundo que precisam de ser resolvidas, como é o caso do despovoamento do interior e a gestão da floresta em Portugal, considerando que “ninguém pode pedir ao Governo que resolva, no espaço de 30 dias, 60 dias, um ano ou dois anos” essas questões.

Questionado sobre a possibilidade de alterações da moldura penal para o crime de fogo posto, Rui Rio mostrou-se recetivo a um endurecimento da pena, apesar de admitir que não sabe qual a percentagem dos arguidos que são condenados a penas suspensas.

“Temos de pensar bem qual a moldura penal que deve ser aplicada e a forma como os próprios tribunais aplicam a moldura penal”, considerou.

Vários incêndios deflagraram no distrito de Castelo Branco ao início da tarde do dia 20. Dois com origem na Sertã e um em Vila de Rei assumiram maiores dimensões, tendo este último alastrado, ainda nesse dia, ao concelho de Mação, no distrito de Santarém. Neste caso, o fogo apenas foi dado como dominado no dia 23.

Estima-se que tenham ardido cerca de 9.500 hectares de floresta nestes três concelhos.

ZAP ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Achei muito bem a ideia das golas oferecidas a populações locais em maior risco de incêncio. Pelo que percebi, são golas para proteger contra o fumo. Não são golas para proteger contra o fogo, porque se acontecesse a tragédia de alguém ser apanhado pelo fogo, não arderia apenas a gola, mas toda a roupa, certo? Portanto, as golas devem ter sido criadas com o objetivo de minorar ou anular os efeitos do fumo. Já para os bombeiros, claro, é necessário outro equipamento e para todo o corpo, como é óbvio. Ora se eu, que vivo numa aldeia, estiver vestida e for apanhada pelo fogo, que importa se tenho uma gola antifogo quando o resto da minha roupa é imflamável? Andamos a brincar às interpretações? Isto é de um aproveitamento político hediondo, até patológico, com o qual não posso, como cidadã, compactuar. Repito: boa ideia a das golas antifumo! Não antifogo. Por fim, é verdade o que dizem: enquanto houver árvores e malucos ou criminosos à solta a pegar fogo num ambiente seco e quente vai haver fogos. Portanto, pensem em formas de evitar isto, incluindo penas mais pesadas, mais sensibilização e educação, união de esforços entre políticos da administração central e local e, a médio/longo prazos, um planeamento racional que permita combater as assimetrias regionais e a velha dicotomia litoral-interior, urbano-rural. Terá de haver uma revolução na mentalidade de quem decide, mas também do cidadão comum. De outro modo, será difícil a reforma do que quer que seja neste país.

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