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Camionistas e Antram voltam a negociações. Mas acordo ainda está longe

Os sindicatos representativos dos camionistas e a associação empresarial do sector voltam esta segunda-feira à mesa de negociações, sob a mediação do Ministério do Trabalho, mas com uma ameaça de greve para meados de agosto.

Os sindicatos Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e Independente dos Motoristas de Mercadorias anunciaram no dia 6, após o seu 1.º Congresso Nacional, uma paralisação, com início a 12 de agosto.

Estes dois sindicatos independentes, juntamente com a federação sindical filiada na CGTP, têm vindo a negociar com a associação empresarial do sector, a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), a revisão do contrato coletivo, sob a mediação da Direção Geral do Emprego e Relações de Trabalho do Ministério do Trabalho.

O presidente do SNMMP, Francisco São Bento, disse à agência Lusa que, as negociações estão ainda numa fase inicial, pois o processo tem sido muito moroso, reconhecendo a existência de algumas divergências. No entanto, a ANTRAM foi surpreendida com o anúncio da greve, pois considerava que as negociações estavam a decorrer com normalidade.

A Federação Sindical dos Transportes (FECTRANS), filiada na CGTP, apresentou informalmente à ANTRAM no dia 4 de julho uma proposta para que, em janeiro de 2021, o salário base dos motoristas de pesados de mercadorias passe para os 850 euros, a que serão acrescidos os diversos subsídios de função. A FECTRANS deverá formalizar esta proposta esta segunda-feira à mesa das negociações.

Esta federação e o Sindicato Independente dos Motoristas e o dos Motoristas de Matérias Perigosas têm vindo a negociar a revisão do Contrato Coletivo do sector com a ANTRAM, desde Maio, tendo acordado um protocolo com a vista à implementação de um salário base de 700 euros para os camionistas, em janeiro de 2020. A este salário base, acresce, como agora, vários subsídios inerentes ao desempenho da atividade e as diuturnidades.

Os dois sindicatos independentes vão para as negociações com a intenção de entregar de imediato o pré-aviso de greve caso a associação patronal não responda às suas reivindicações.

O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas foi criado no final de 2018 e tornou-se conhecido com a greve iniciada no dia 15 de abril, que levou o Governo a decretar uma requisição civil e, posteriormente, a convidar as partes a sentarem-se à mesa de negociações.

A elevada adesão à greve de três dias surpreendeu todos, incluindo o próprio sindicato, e deixou sem combustível grande parte dos postos de abastecimento do país. O SNMMP reivindicava salários de 1.200 euros para os profissionais do sector, um subsídio específico de 240 euros e a redução da idade de reforma.

Segundo fonte sindical, existem em Portugal cerca de 50 mil motoristas de veículos pesados de mercadorias, 900 dos quais a transportar mercadorias perigosas. O sindicato presidido por Francisco São Bento tem cerca de 700 sócios.

Nova greve pode ter ainda mais impacto

O Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias avisa que o pré-aviso de greve que apresentaram em conjunto com o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas para vigorar a partir de 12 de agosto, por tempo indeterminado, pode ter consequências ainda piores que a greve de abril.

Desta vez a paralisação é convocada também por um sindicato que representa os motoristas de todo o tipo de mercadorias. O dirigente do Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias relembrou, em declarações à TSF, o que aconteceu quando a greve era apenas nas matérias perigosas, deixando vazias muitas bombas de gasolina.

Agora, segundo Jorge Cordeiro, é uma “greve das mercadorias em geral, pelo que se tiver a adesão esperada, tendo em conta as reações que já existiram, os supermercados ficam sem abastecimento… o país vai parar“.

ZAP // Lusa

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