Brasil “de joelhos”. 824 mortes no dia em que um ministro se demite e outro critica palco para cadáveres

Erasmo Salomão / MS

O ex-ministro Nelson Teich durante discurso sobre a sua demissão do ministério da Saúde

O Brasil registou 824 mortos e 15.305 novos casos de infeção pelo novo coronavírus, informou esta sexta-feira o MInistério da Saúde brasileiro, no dia em que o ministro Nelson Teich pediu a demissão do Governo.

Segundo os números anunciados esta sexta-feira pelo Ministério da Saúde, há mais 824 mortos e 15.305 novos casos de infeção pelo novo coronavírus.

O aumento no número de mortes no Brasil foi de 5,8%, passando de 13.993 na quinta-feira para 14.817 hoje. Em quatro dias, esta é a terceira vez em que o país tem mais de 820 mortes causadas pelo vírus.

Quanto ao número de infetados, o crescimento foi de 7,5%, passando de 202.918 para 218.223 casos confirmados de infeção. O ministério anunciou ainda a recuperação de 84.970 doentes infetados, sendo que 118.436 doentes continuam sob acompanhamento.

No total, o país sul-americano já contabilizou 14.817 vítimas mortais e 218.223 casos confirmados, sendo que ainda está a ser investigada a eventual relação de 2.300 óbitos com a doença covid-19.

Estes números foram anunciados no dia em que Nelson Teich pediu a demissão do executivo liderado pelo presidente Jair Bolsonaro. É o segundo ministro da saúde do Brasil a abandonar o cargo, em plena pandemia, em menos de um mês.

O atual ministro da saúde brasileiro tinha assumido a pasta a 17 de abril, depois de o presidente Bolsonaro ter exonerado o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, por discordâncias deste na condução das medidas de combate ao novo coronavírus.

 

Ministro critica uso de “cadáveres para fazer palanque”

O ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes, criticou esta sexta-feira os políticos que usam “cadáveres para fazer palanque” durante a pandemia de covid-19, acrescentando que a população brasileira irá punir essa prática.

“A reconstrução de um país leva anos. Passamos um ano e meio a tentar reconstruir-nos. Quando estamos a começar a descolar, somos atingidos por uma pandemia. Vamos aproveitar-nos de um momento de maior gravidade, de uma crise de saúde, e vamos subir em cadáveres para fazer palanque?” questionou Guedes, numa conferência de imprensa em Brasília que assinalava os 500 dias do atual executivo.

“Vamos subir em cadáveres para arrancar recursos do Governo?”, acrescentou o ministro da Economia brasileiro. “Isso é inaceitável, a população não vai aceitar. A população vai punir quem usar cadáveres como palanque”, acrescentou o governante.

Paulo Guedes lançou as críticas logo após enumerar medidas direcionadas pelo Governo para estados e municípios e, em seguida, voltou a criticar a possibilidade de aumento salarial de funcionários públicos durante a atual crise.

Fabio Rodrigues Pozzebom / ABr

O ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes

“Na hora em que estamos a fazer esse sacrifício, é inaceitável que tentem saquear o gigante que está no chão. Que usem a desculpa da crise da saúde para saquear o Brasil na hora que ele cai. Nós queremos saber o que podemos fazer de sacrifício pelo Brasil, e não o que o Brasil pode fazer por nós”, reforçou o ministro da Economia, no dia em que o país registou 824 mortos e 15.305 novos casos de covid-19.

Paulo Guedes declarou que não é hora de pedir aumento de salários para polícias ou médicos que “vão às ruas para exercer a sua função”, acrescentando que o Governo não deve “dar medalhas antes da batalha”.

As medalhas são dadas após a guerra, não antes da guerra. Os nossos heróis não são mercenários. Que história é essa de pedir aumento de salário porque um polícia ou médico vai à rua exercer a sua função?”, questionou o responsável pela pasta da Economia.

Segundo Paulo Guedes, quem trabalhar em horário alargado durante o combate ao coronavírus já vai receber um pagamento adicional, na forma de horas extras.

“Só vamos pedir uma contribuição, por favor, enquanto o Brasil está de joelhos, tentando se reerguer, por favor, não assaltem o Brasil. Não transformem um ano eleitoral, onde é importante tirar o máximo possível do gigante que foi abatido, deixem ele se levantar”, disse Guedes, referindo-se às eleições municipais, agendadas para outubro.

Paulo Guedes acabou ainda por afirmar, durante a conferência de imprensa, que a pandemia acabou por ser “uma bênção” para o Brasil, em relação às exportações de matéria prima que o país tem realizado.

“O Brasil é a única economia do mundo que está a aumentar as exportações. Foi uma maldição, mas, curiosamente, no momento em que o meteoro atinge o Brasil com essa pandemia, o que era maldição virou uma bênção. As cadeias produtivas estão rompendo e o Brasil está a vender produtos agrícolas e minérios”, disse o ministro.

 

38 povos indígenas atingidos pela pandemia

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) informou esta sexta-feira que 38 povos indígenas do país já foram afetados pelo novo coronavírus desde o início da pandemia. A associação, que coordena a luta dos povos originários pelos seus direitos, reportou 446 casos de infeção e 92 mortes entre os povos indígenas afetados.

“É com assustadora velocidade que o vírus chega aos territórios indígenas de todo o país”, afirmou a APIB em comunicado. A maioria das infeções pelo novo coronavírus foi registada na Amazónia brasileira, onde está localizada a maioria das tribos isoladas.

Na quinta-feira, a Comunidade Parque das Tribos-Tarumá despediu-se do cacique Messías Kokama, considerado o principal líder indígena da cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, que morreu devido ao novo coronavírus, aos 53 anos.

Os índios não puderam prestar homenagem através dos seus rituais tradicionais, tendo a cerimónia fúnebre sido feita com o caixão fechado e coberto por plástico, para evitar qualquer contaminação, observou um fotógrafo da AFP.

A APIB indicou que foram também registados casos de infeção em tribos do sul do Brasil, nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, assim como nas regiões nordeste e centro-oeste.

Fernando Crispim / Amazônia Real

Enterro de pessoas de baixo rendimento em Manaus, Brasil

Estudo de propagação

Na sexta-feira, o Ministério da Saúde anunciou um estudo que medirá a propagação do coronavírus em cidades brasileiras, de forma a criar políticas públicas mais eficientes. Ao todo, 99.750 pessoas de 133 municípios de todas as regiões do país serão submetidas ao teste rápido (sorologia), que deteta se a pessoa já teve a doença.

São Paulo continua a liderar a lista dos estados que concentram o maior número de casos, totalizando oficialmente 58.378 pessoas diagnosticadas com covid-19 e 4.501 mortes, sendo seguido pelo Ceará, que conta com 22.490 casos confirmados e 1.476 óbitos. O Rio de Janeiro superou o Ceará no número de vítimas mortais (2.438), mas tem menos casos confirmados (19.987).

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 304 mil mortos e infetou perto de 4,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 1,5 milhões de doentes foram considerados curados.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Politicagem total. No Brasil, até atropelamento de trem soma às mortes de COVID-19. Lamentável o Governo que temos. Um país lindo, com muitos recursos naturais e riquezas e gente de péssima qualidade tentando derrubar o atual presidente para voltarem às falcatruas e roubalheiras. Não tenho político de estimação, apenas amo meu país e gostaria que, principalmente, o STF fosse exterminado… A pandemia está tirando o foco da nossa guerra política…

  2. Todos os números estão superdimensionados para extorquirem o Governo Federal.
    São 100 mil curados. Nenhuma palavra sobre isso?
    O Brasil é o único país em que uma pandemia vira motivo de disputa eleitoral.

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