Bloco rejeita coligações mas apoia “geringonças autárquicas”

José Sena Goulão / Lusa

Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda

O Bloco de Esquerda (BE) acredita que o Governo está num bom caminho, mas que vai fracassar se “não houver uma nova estratégia para o país”, avisando que a Europa e a escassez de recursos podem deitar abaixo a maioria. 

A moção de estratégia da direção do Bloco, intitulada “A Força da Esperança – O Bloco à Conquista da Maioria”, traça a estratégia do partido para os próximos dois anos e já foi discutido em reuniões distritais do BE no Porto e em Lisboa.

O Bloco defende que sem uma nova estratégia “não é possível vencer a austeridade e sustentar o compromisso de recuperação de rendimentos em que assenta a maioria parlamentar. Ainda que tímida, essa recuperação, se não criar nova margem de manobra, ficará em causa pela pressão externa e pela escassez de recursos“, refere o texto da moção conjunta à próxima Convenção, subscrita pelas principais tendências, citado pela TSF.

No projeto de moção, o Bloco insurge-se contra a “chantagem europeia”, que é atualmente “o grande apoio da direita para tentar repor o ciclo de concentração da riqueza e austeridade permanente e assim ameaçar a maioria parlamentar”.

Nesse contexto, até Marcelo Rebelo de Sousa é criticado: “É sob esse pano de fundo que também ocorre a presente tentativa de presidencialização do regime político, que marca o início do mandato do novo Presidente da República. As suas pressões para ‘acordos de regime’ visam repor as relações históricas e o alinhamento à direita dos partidos da alternância”.

Depois de sublinhar as “pressões regressivas das instituições europeias e às características do PS perante elas”, o BE deixa o aviso à navegação: “Como ficou claro na assinatura do acordo com o PS, o Bloco não aceitará cortes em salários e pensões ou nova carga fiscal sobre esses rendimentos, por via direta ou através do agravamento da tributação de bens essenciais e espera que os parceiros deste entendimento não o violem”.

No que toca às outras partes da aliança de Esquerda, “o Bloco de Esquerda valoriza o contributo que o PCP tem dado para uma política de recuperação de rendimentos, direitos e serviços públicos e está disponível para encontrar novas formas de diálogo e cooperação com o PCP para a solução dos problemas dos trabalhadores”.

O partido sublinha esta “atitude construtiva mesmo perante a ocorrência de episódicas expressões de sectarismo“, numa possível alusão ao recente Congresso da CGTP, no qual a maioria comunista impediu o desejo do BE de ter um elemento na comissão executiva da central sindical.

“Geringonças locais”

Na parte respeitante às eleições locais, a moção conjunta das suas principais tendências do BE faz um “balanço positivo das candidaturas de movimentos cívicos em que participou nas anteriores autárquicas e aposta na sua continuidade” para 2017.

No entanto, o BE recusa coligações pré-eleitorais antes das autárquicas de 2017, mas quer “maiorias de transformação à esquerda” pós-eleições – ou, como apelida o Expresso, “geringonças locais“. O Bloco afasta, assim, apelos como o do PS, nomeadamente por parte de Fernando Medina, para as eleições em Lisboa.

“As eleições regionais de 2016 e as autárquicas de 2017 são importantes para o Bloco, para reforçar a sua intervenção política quotidiana. O Bloco apresentará a sua alternativa nos Açores e nas autarquias, concretizando as maiores convergências locais em torno de programas que ponham as pessoas à frente dos interesses financeiros e imobiliários“, diz o texto.

A moção conjunta que as principais tendências do Bloco de Esquerda (BE) levam à próxima Convenção do partido pede o reforço da “intervenção política quotidiana” do BE, nomeadamente com o aumento da representação do partido nas autárquicas de 2017.

E a moção prossegue: “Em cada executivo, o Bloco contribuirá para maiorias de transformação à esquerda, nelas estando disponível para todas as responsabilidades, contribuindo para isolar e derrotar a direita nos órgãos autárquicos”.

O texto tem como proponentes figuras de várias tendências do Bloco, nomeadamente Catarina Martins, Jorge Costa e Pedro Soares (os três da Plataforma Unitária), Pedro Filipe Soares, Joana Mortágua e Mariana Aivaca (da Esquerda Alternativa) e Adelino Fortunato, Helena Figueiredo e Paulino Ascenção (da tendência minoritária “Refundar o Bloco”).

A próxima Convenção Nacional do Bloco está agendada para 25 e 26 de junho e irá decorrer em Lisboa.

ZAP

PARTILHAR

1 COMENTÁRIO

  1. Se estão no bom caminho necessitam de uma nova estratégia, será que vão mudar de estratégia todos os dias?

RESPONDER

Polícia dispara balas de borracha sobre manifestantes em Hong Kong

A polícia disparou no domingo balas de borracha em confrontos com manifestantes pró-democracia, em Hong Kong, perto de um centro comercial no qual causaram distúrbios. Pelo décimo sexto fim de semana de mobilização, milhares de manifestantes …

Portugal já paga juros mais baixos que Itália e Espanha, diz Costa

"Todos em Portugal estão hoje a viver melhor do que viviam há quatro anos", afirmou António Costa, durante uma ação de campanha do PS. António Costa disse, este domingo, que Portugal já está a pagar a …

Os últimos cinco anos foram os mais quentes de sempre

Um relatório das Nações Unidas revelou que, entre 2015 e 2019, foram atingidos níveis históricos. Desde 1850, as temperaturas aumentaram 1,1ºC. O período entre 2015 a 2019 é o mais quente alguma vez registado, indicou este …

Duarte Lima perde último recurso e deve ser julgado pela morte de Rosalina Ribeiro em Portugal

O Supremo Tribunal brasileiro indeferiu um novo recurso de Duarte Lima que assim está mais próximo de ser julgado em Portugal, pelo homicídio de Rosalina Ribeiro, em Maricá, em 2009. Ao recurso extraordinário, interposto de uma …

Governo britânico cumprirá decisão do Supremo sobre suspensão do Parlamento

O Governo britânico cumprirá a decisão do Supremo Tribunal do Reino Unido sobre a legalidade ou ilegalidade da suspensão do Parlamento, uma decisão que deverá ser anunciada esta semana. A garantia foi dada este domingo à …

Bancos vendem créditos à habitação a Fundos de Investimento (e é "dramático" para muitas famílias)

Estão a chegar à DECO cada vez mais pedidos de ajuda de famílias que viram os seus créditos à habitação serem adquiridos aos Bancos por Fundos de Investimento e que estão a ser pressionadas para …

BE fará uma campanha "sem energia perdida, palavras ocas ou provocações"

Um partido que pretende ao mesmo tempo trilhar um "caminho de alternativa" e "caminhos de convergência". Assim definiu Catarina Martins a orientação do Bloco de Esquerda (BE) na campanha eleitoral. Ao discursar num almoço com agentes …

Jornalistas não podem ser condenados por violação de segredo de justiça, defende Costa

No primeiro dia da campanha eleitoral para as eleições legislativas de 06 de outubro, António Costa, primeiro-ministro e líder do PS, deu uma entrevista à CMTV e aproveitou para mostrar divergências em relação a Rui …

Défice fica nos 0,8% do PIB no primeiro semestre do ano

O défice situou-se em 0,8% do PIB no primeiro semestre deste ano, em contas nacionais, abaixo dos 2,2% registados no período homólogo, mas longe da meta para o conjunto do ano, de 0,2%. "No conjunto do …

Pelo menos sete crianças morreram após colapso de escola no Quénia

Pelo menos sete crianças morreram e 57 ficaram feridas após o colapso do edifício de uma escola em Nairobi, no Quénia, esta segunda-feira, confirmaram os serviços de socorro e as autoridades locais. "Depois do colapso do …