Um ultimato e uma proposta “bizantina”. BE dá 4 dias ao Governo para ceder (senão pode chumbar o OE)

Nuno Fox / Lusa

O secretário-geral do Partido Socialista, António Costa, e a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins

A longa cimeira negocial com o Bloco de Esquerda arrastou-se até às duas e meia da manhã e não deu em nada. Catarina Martins dá quatro dias ao Governo para ceder, caso contrário admite a possibilidade de o BE votar contra o Orçamento do Estado para 2021.

A reunião entre o Governo e o Bloco de Esquerda, na terça-feira, foi longa mas não deu em nada. Numa breve entrevista no Telejornal da RTP, Catarina Martins admitiu estar preocupada com o facto de “as matérias essenciais” não terem tido uma resposta por parte do Executivo de António Costa.

“A nossa esperança é que nos próximos quatro dias o Governo dê resposta a essas preocupações”, disse a bloquista. Quatro dias é o prazo para o Orçamento do Estado para 2021 ser entregue no Parlamento e o tempo que o partido está disposto a dar a António Costa para ceder.

Se o primeiro-ministro mantiver a mão firme e preferir não dar o braço a torcer, o Bloco de Esquerda poderá votar contra, garantiram fontes do partido ao Expresso. O BE nunca votou contra o documento desde a formação da geringonça e, feitas as contas, é o único partido cuja abstenção “salva” Orçamentos deste Governo.

“Já vimos como, sem acordo escrito, a negociação na especialidade se pode tornar uma barganha, um pântano político sem coerência”, disse fonte do partido ao semanário, admitindo que o BE está pouco disposto a repetir o filme do Orçamento Suplementar (já que foi o Bloco e o PSD quem salvou o documento).

No fundo, se o partido de Catarina Martins votar contra agora, será difícil alinhar depois.

Várias exigências e uma proposta “bizantina”

A lista de exigências do Bloco de Esquerda é longa e começa com a nova prestação social. Apesar de ambos concordarem com o valor, que ficará pouco acima dos 500 euros, divergem no diferencial que fica para o subsídio de desemprego. Na reunião, o partido propôs um aumento do subsídio de desemprego, mas o Executivo só aceita um complemento (temporário).

A proibição dos despedimentos em empresas com lucro, uma das linhas vermelhas do BE, também não reúne consenso. Já em relação ao período experimental, o Governo surpreendem o partido de Catarina Martins com uma proposta “bizantina”: propôs que quem seja despedido a partir dos 120 dias de trabalho receba uma indemnização, sempre muito residual para o trabalhador.

O salário mínimo faz também parte do impasse, dado que o Governo coloca em cima da mesa um aumento de pouco mais de 20 euros, enquanto que os bloquistas registaram um tom mais condicional no que toca ao cumprimento das metas (de 750 euros) para a legislatura.

Mas o que afasta realmente o Governo do seu ex-parceiro de geringonça é o Novo Banco. Bloquistas não querem que entre mais dinheiro, nem via Orçamento nem através do Fundo de Resolução, mas a reunião não trouxe qualquer progresso. A última versão do Governo é impedir apenas a primeira parte.

LM, ZAP //

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7 COMENTÁRIOS

  1. Conclusão, as empresas são tidas como os malandros do costume, que não têm quaisquer direitos e só têm deveres, mesmo que não tenha capacidade de existir e suportar esses deveres.
    Viva a cegueira ideológica, vivam os contos-de-fada.
    O acordo e o colocar os pés-na-terra vai ser duro, mais cedo ou mais tarde…

  2. Continua o “fogo de artifício”.
    O Bloco pode chumbar o OGE mas não vai chumbar porque sabe que se chumbar “alguém” vai aprovar ou abster-se para que seja aprovado. Este alguém inclui o o PSD onde o Rui Rio está interessado em mostrar ao país que é muito certinho e defende os interesses da continuídade e o PCP comandado pela versão soviética do “Couraçado Potenkine”, exactamente evocando os mesmos princípios do Rui Rio.

  3. Deduzo que eles, PS, não vão ceder porque o partido irmão está lá para aprovar o OE.
    A consulta ao BE e ao PCP é só para mascarar e dar a entender aos Portugueses que o PS não tem no PSD o seu partido irmão e vice-versa e que juntos pretendem que o PR se mantenha, porque juntos dão a vitória incontestável ao candidato que ainda não o anunciou mas mesmo assim já tem o apoio público do PS.

  4. O bloco de esquerda, infelizmente já não tem nada a ver com o partido de causas que foi no passado , eu próprio cheguei a votar várias vezes nesse partido, agora usa a chantagem como forma de pressionar o ps para alcançar os seus propósitos, verdadeiramente o bloco de esquerda de hoje ,2020 é a grande desilusão da política portuguesa, só defende a ideologia de género e enfia-nos o racismo pelos olhos a dentro, quando é factual que os Portugueses na sua generalidade não são nem mais nem menos racistas que os restantes povos europeus, no entanto o BE pretende com tudo isto semear a discórdia e o confronto na sociedade portuguesa, é flagrante e por demais evidente, só não vê quem não quer, caiu-lhes a máscara, é isto o BE de 2020, TRISTE!

  5. Ora o que se pensava ser uma ” rapidinha” entre Costa e Martins transformou-se numa novela só porque esqueceram de levar uma ” azulinha “.

  6. Este fazer-se contra os Orçamentos é a tática habitual do BE e do PCP. Depois, em cima da hora, vendem-se pelos habituais rebuçados. E não passamos disto. Estas pseudo-exigências é só para iludir os seus eleitorados. A propósito, lembram-se daquela exigência do BE, para os cerca de 100.000 precários do Estado serem integrados nos quadros ? Foi treta. Isso ficou em águas de bacalhau. E como essa, outras. Vendem-se, aprovam o OE e depois, adeus até logo.

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