Uma portuguesa morta e uma desaparecida. Dois atentados em Barcelona fazem 14 mortos e 100 feridos

Na Catalunha, em Espanha, quinta-feira foi dia de terror: uma carrinha percorreu cerca de 500 metros de uma zona pedonal, atropelando todos os que conseguisse, numa das mais movimentadas artérias da cidade de Barcelona. Em Cambrils, durante a noite, a polícia espanhola evitou outro atentado abatendo os cinco terroristas.

Foram precisas menos de 12 horas para que a Catalunha fosse atingida por duas vezes: ainda que o segundo atentado não tenha tomado grandes proporções, com a ação eficaz das autoridades espanholas a evitar outro ataque, o terrorismo vai ganhando força quando semeia o medo.

Eram 16h50 quando a cidade de Barcelona começou a ser afundada numa espiral de terrorismo e medo. Uma carrinha branca irrompeu pelas Ramblas, uma das mais movimentadas e turísticas avenidas da cidade, atropelando mortalmente 13 pessoas e deixando mais de 80 feridos.

Inicialmente, a imprensa local dissera que se tratara “apenas” de um veículo que tinha atropelado cerca de dez pessoas. As horas passaram e com elas, o número de vítimas mortais e de feridos foi aumentando.

Às 21h36, o balanço oficial era de 13 mortos e 80 feridos – 15 em estado muito grave, 23 em estado grave e 42 leves. Segundo o Observador, uma das vítimas mortais é uma portuguesa de 74 anos. De acordo com o Secretário de Estado das Comunidades, “outra pessoa, de 20 anos, que a acompanhava, está desaparecida”.

Até ao momento não há mais registos de portugueses entre as vítimas, mas o governante pede cuidado com a divulgação da informação, porque o processo de identificação das vítimas ainda prossegue.

Na altura do ataque, a imprensa local falou em dois homens barricados dentro de um bar, que teriam, inclusive, feito reféns. Mais tarde, através do twitter, as autoridades catalãs desmentiram, acabando por confirmar que se tratava de um atentado terrorista e que, à data, já tinham feito uma detenção.

Os ataques foram reivindicados pelo Estado Islâmico, mas a identidade dos autores continua por revelar. Inicialmente, a polícia catalã dizia ter prendido um dos suspeitos: Driss Oubakir, de 28 anos e origem marroquina. O homem estaria ilegal em Espanha e teria chegado a Barcelona há quatro dias.

Horas depois da detenção, o provável verdadeiro Driss Oubakir apresentou-se às autoridades, pelo que se depreende que o primeiro suspeito terá roubado os documentos de identificação de Oubakir e ter-se-á feito passar por ele. A polícia continua então a investigar se o homem que se apresentou é quem diz ser.

Depois de terem fechado todos os acessos às zonas das Ramblas e áreas envolventes, às 22h49, a polícia catalã reabre o acesso. O principal suspeito continua a monte.

Mas a história não acabaria aqui. O relógio já marcava a 1h da madrugada de sexta-feira quando um veículo voltou a investir sobre uma multidão, numa zona balnear, em Cambrils, a 117 quilómetros de Barcelona.

Seis civis e um polícia ficaram feridos As autoridades catalãs prontamente reagiram tendo abatido de imediato quatro dos suspeitos e ferido o quinto (e último), que acabou por não resistir aos ferimentos e também morrer.

Já na manhã de sexta-feira, uma mulher que tinha ficado ferida em Cambrils – e que foi descrita como a mais grave -, acabou por morrer no hospital, fazendo a primeira morte deste segundo atentado.

O conselheiro de Interior do Governo regional catalão, Joaquin Forn, disse à rádio RAC1 que o ataque de Cambrils “segue o mesmo método, há uma ligação”, em relação ao de Barcelona. O governante não explicou o que relacionava os ataques.

Os autores do atentado de Cambrils levavam cintos de explosivos falsos, dizem as autoridades da Catalunha. Já não é a primeira vez que terroristas usam cintos falsos para maximizar o medo: os autores do ataque na London Brigde, em Junho, fizeram o mesmo, levando cintos falsos, feitos com garrafas de água cobertas com fita adesiva prateada.

Antes do ataque em Barcelona, uma pessoa morreu numa explosão numa casa onde se estavam a preparar bombas, em Alcanar (cidade a sudeste da capital catalã).

O município de Alcanar, na província de Tarragona (Catalunha), está a ser central na investigação. Foi lá que na quinta-feira foi detido um dos suspeitos, natural de Melilla, e foi lá que na quarta-feira se deu uma explosão num edifício – aparentemente não relacionada com terrorismo, mas que agora está a ser vista como tendo sido um primeiro teste para os atendados que se seguiriam.

Em causa está o facto de os explosivos que foram ativados naquela casa estarem a ser testados para virem a fazer parte dos atentados do dia seguinte em Barcelona.

A polícia está a concluir que os cinco ocupantes do veículo que preparava novo atropelamento esta madrugada em Cambrils (todos abatidos) estavam “ligados ao grupo de Alcanar e relacionados coma pessoa que conduzia a carrinha no atentado em Barcelona.

Também no centro da investigação está Moussa Oukabir, o principal suspeito de estar ao volante da carrinha que atropelou dezenas de pessoas em Las Ramblas. Tem 17 anos e é o irmão do homem marroquino que se entregou à polícia na quinta-feira.

Quatro pessoas já foram detidas, relativamente ao atentado nas Ramblas, mas nenhuma delas seria o condutor do veículo. De acordo com o El País, Moussa Oukabir já foi encontrado e é um dos terroristas abatidos durante a madrugada desta sexta-feira e, Cambrils.

CF, ZAP //

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