Aviso de Bruxelas a Portugal. Desinvestimento na Saúde levou a mais mortes por covid-19

Tiago Petinga / Lusa

António Costa e Mário Centeno

A pandemia de covid-19 veio pôr a nu a “fragilidade” de algumas estruturas de cuidados de Saúde em Portugal, onde se verificam “taxas de contaminação e mortalidade mais elevadas” devido à infecção. A conclusão é da Comissão Europeia (CE) que fala do desinvestimento nesta área.

“A crise de covid-19 demonstrou a fragilidade das estruturas de cuidados de longa duração em Portugal, que registaram taxas de contaminação e mortalidade mais elevadas“, analisa a CE na avaliação semestral que faz ao país e que foi divulgada nesta semana. Estas estruturas servem, sobretudo, a população mais idosa.

“Não obstante as melhorias verificadas na cobertura territorial dos cuidados de longa duração ao longo da última década, as taxas de acesso universal são baixas em todas as regiões do país”, sublinha ainda Bruxelas.

“Antes do surto de covid-19 previa-se que as despesas consagradas aos cuidados de saúde de longa duração registariam um dos maiores aumentos na União (em percentagem do PIB)”, lembra ainda a CE.

“Impõe-se continuar a desenvolver esforços para melhorar a eficiência e a capacidade dos cuidados de saúde e dos cuidados de longa duração para combater a crise actual, bem como para enfrentar os desafios colocados pelo envelhecimento demográfico“, aconselha também Bruxelas.

A CE acrescenta que “são necessários investimentos para melhorar a resiliência do sistema de saúde, a fim de garantir a disponibilidade dos equipamentos, produtos e infraestruturas necessários para reforçar as capacidades de resposta a situações de crise, nomeadamente em matéria de cuidados intensivos, testes de diagnóstico, investigação médica aplicada e tecnológica e em termos de acesso universal, incluindo fora das zonas urbanas e nas regiões ultra-periféricas da Madeira e dos Açores”.

Na análise de Bruxelas, a pandemia fez “recair uma grande pressão sobre o sistema de saúde”, mas logo no início do surto, o Governo português pôs “progressivamente em prática um plano que visava introduzir um novo modelo de governação para os hospitais públicos, que previa aumentos substanciais dos seus orçamentos anuais”. “A sua firme implementação, na conjuntura actual, pode contribuir para reforçar a resiliência do sistema de saúde”, constata a CE.

Aquando do balanço da execução orçamental do primeiro trimestre de 2020, o gabinete do ministro das Finanças vincou um “expressivo crescimento da despesa” no Serviço Nacional de Saúde (SNS), falando num aumento de 12,6%, nomeadamente em gastos com pessoal (7,2%). Antes já tinha anunciado que, em 2019, o investimento no SNS cresceu 17%, “atingindo o máximo desde pelo menos 2012”.

CE recomenda investimentos em transportes

Na análise semestral, a CE recomenda ainda ao Governo que faça mais investimentos públicos em infraestruturas, designadamente transportes e portos para fomentar uma saída mais rápida da recessão provocada pela covid-19.

“Para promover a recuperação económica, será importante antecipar a realização de projectos de investimento público robustos e promover o investimento privado, nomeadamente através de reformas”, destaca a CE. Bruxelas recomenda investimentos em “investigação e inovação, digitalização, conectividade e transição ecológica”, considerando que “contribuirão para a retoma da economia portuguesa” e para o “crescimento sustentável” a curto prazo.

A CE fala ainda em “investimentos nas infraestruturas de transportes que poderão contribuir para dar resposta à situação periférica de Portugal, nomeadamente ao colmatarem as lacunas em matéria de ligações ferroviárias com Espanha e ao permitirem explorar o potencial, actualmente subutilizado, dos portos portugueses”.

Bruxelas refere também que as medidas de contenção tomadas pelo Governo por causa da pandemia “têm limitado severamente a actividade económica na maioria dos sectores, afectando de forma particularmente grave o turismo e as actividades conexas, ensombrecendo as perspectivas sociais e económicas em Portugal, em especial no que respeita às micro, pequenas e médias empresas (PME)”.

Nas previsões da CE, a economia portuguesa deverá contrair “6,8% em 2020 e crescer 5,8% em 2021”. “O desemprego deverá aumentar para 9,7 % da população activa em 2020 e, em seguida, descer para 7,4% em 2021 (situava-se em 6,5% em 2019)”, destaca ainda Bruxelas.

ZAP ZAP //

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12 COMENTÁRIOS

  1. O atual governo fica para a história como o governo com menor investimento público da última década. Conseguiu investir menos do que o governo Passos / Porta que estava estrangulado pela TROIKA. E mesmo assim conseguiu investir mais do que o atual desgoverno. Os números não mentem.

    • E porque não marrar vc sozinho, continua a defender a ideologia politica do governo do Dr. Passos Coelho porque de certeza absoluta que tinha um tacho que ele lhe deu e que agora não tem. Dou-lhe um conselho trabalhe e não esteja á espera de tachos só assim o País vai para a frente. Realmente os números não mentem.

      • Esqueça os tachos homem. Nunca tive, nem nunca terei. Não sou filiado. Sou totalmente apartidário e já não voto há mais de 20 anos.
        Mas, entretanto, pelo seu comentário já deu perceber o que defende, o tacho. É pena. Números são números e o amigo não apresenta números. Até porque não os tem.
        Valeu pela tentativa. Venha a próxima marrada.

        • Não me interessa o tema da discussão mas sim o facto de dizer que não vota há mais de 20 anos. Quer dizer que não participa no regime que lhe dá esse direito de exprimir as suas opiniões e que usufrui como se vê. A alternativa será um regime que não lhe reconheça o direito de voto nem o de expressão. Esse regime que quer existe em vários países. Recomendo-lhos.

          • Que estupidez. Então, não apoiar um regime totalitário é votar na trampa que se candidata. Que mentalidade miserável. Se calhar não vota há 20 anos porque não se identifica com nenhuma opção. Isso não é um problema de quem não vota, é um problema do sistema e da opções. Se calhar, ao fim de 20 anos passou agora a ter opção… ou não.

        • Quer números? Ora venham eles: Dívida Publica/PIB em %
          – em 2005 e
          – no inicio de 2011

          entre 2005 a o inicio de 2011,o peso da Divida Publica no PIB em % subiu muito… e, por isso, o país esteve à beira da bancarrota… O país estava falido e sem dinheiro para nada… E como sabe, os mercados olham atentamente para este ratio e para a sua evolução que traduz o risco de “default” de um determinado país… Então gostou dos numeros? Percebeu?Pode confirmá-los junto do INE e do Banco de Portugal…

      • Mais um bicho a soldo do PS! Não defendo o Dr Passos Coelho (houve exageros nas medidas aplicadas e, aliás, em 2015, o PSD + PP venceram as Legislativas…), mas se não fosse a sua acção como governante o governo, saído das Legislativas de 2015, não teria feito os floreados conhecidos… E quem disser o contrario ou é atrasado mental ou está senil…

    • Concordo em absoluto. Neste governo, a treta é rainha e a vontade de fazer melhor que o executivo do Dr Passos Coelho (estrangulado e pela Dívida Pública) é uma obsessão… …Aliás, basta ver o aumento da Dívida Pública entre 2005 e o início de 2011, quando o segundo governo de Sócrates caiu. E, já agora, basta olhar para o ratio Divida Publica/PIB em % entre 2005 e no inicio de 2011, para se avaliar o esbanjar de dinheiros públicos, ocorrido naquele período… Aí se pode avaliar esses dois governos de Sócrates – aumentaram imenso a Despesa Pública, deixando a conta desse esbanjamento para os vindouros… O resto desse folhetim de péssima qualidade já todos conhecemos…

  2. Era para rir se o caso não fosse tão sério, então há dezenas de anos que o desinvestimento na Saúde acontece e só agora a CEE reparou? Onde andou todos estes anos? Não houve um governo que em vez de investir na Saúde não tenha é cortado na Saúde, quando os sucessivos governos coravam na Saúde a CEE assobiava para o lado, a CEE deveria preocupar-se com os cidadãos sempre e não só quando lhe convém vão mas é lamber sabão.

  3. Portugal sempre gastou mais que a riqueza produzida, antes tinha as Colónia onde foi buscar Ouro e Diamantes como Brasil, Angola a algum diamante na Guiné, esse tempo acabou, agora temos de produzir mais para que possamos pagar o que devemos e dar bem estar ao povo, para isso Portugal precisa de políticos que pensem no nosso futuro e ponham Portugal à frente dos interesses partidários e dos seus próprios interesses caso contrário a Divida irá sempre aumentando gastar mais que o que se produz não é saudável para o País, assim como eu gastar mais que o que ganho um dia ficarei em maus lençóis é tão simples quanto isso, basta ver a nossa Dívida desde 1995 quando o Cavaco saiu do governo a divida já ia em 61,6 e tem sempre aumentado

    https://www.pordata.pt/Portugal/Administra%C3%A7%C3%B5es+P%C3%BAblicas+d%C3%ADvida+bruta+em+percentagem+do+PIB-2786

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