Autoridades chinesas ocultaram informações essenciais sobre o novo coronavírus

Franck Robichon / EPA

O hospital chinês onde trabalhava Li Wenliang, o primeiro médico que alertou para os perigos do novo coronavírus e que acabou por morrer, foi o mais atingido pelo surto devido ao ocultar de informações essenciais, revela uma investigação da revista chinesa Caixin.

Entre os 4.000 funcionários que trabalhavam no Hospital Central de Wuhan, 230 morreram devido a infeção pelo Covid-19, a maior taxa de mortalidade entre funcionários de saúde em Wuhan, cidade chinesa que é epicentro do surto.

O chefe de um dos departamentos do Hospital citado pela Caixin, uma das raras publicações independentes na China, culpou as autoridades por colocarem vidas em risco.

“As informações falsas divulgadas por departamentos relevantes [de que a doença era controlável e não era infeciosa entre seres humanos] deixaram centenas de médicos e enfermeiros no escuro, que fizeram tudo ao seu alcance para tratarem pacientes sem conhecerem a doença”, apontou o responsável, cujo nome não é identificado pela Caixin.

E mesmo aqueles que adoeceram não puderam denunciar. Não puderam alertar os seus colegas e o público a tempo, apesar do sacrifício. Essa é a perda e a lição mais dolorosas”, disse.

Segundo apurou a revista, o hospital estava sobrecarregado por pacientes com febre desde o início de janeiro. Vários ficaram ao cuidado de médicos não especializados em doenças contagiosas. Os médicos citados pela Caixin culparam a administração de “incompetência”.

O chefe do Partido Comunista no hospital não tinha conhecimentos sobre doenças infeciosas e proibiu os médicos de divulgarem informações críticas para a saúde pública, apurou a revista.

Um documento interno do Hospital Central obtido pela Caixin revelou ainda interferência direta das autoridades municipais de saúde de Wuhan, que tornou difícil para o hospital divulgar casos, sobretudo entre os dias 12 e 17 de janeiro passado, quando os quadros locais do Partido Comunista participaram nas reuniões do órgão legislativo local.

Segundo apurou a Caixin, um funcionário do ministério de Segurança Pública visitou o hospital no dia 12 de janeiro e ordenou que os formulários sobre doenças infeciosas só pudessem ser preenchidos e relatados após consultas com especialistas a nível municipal e provincial, atrasando o processo.

Em 13 de janeiro, Wang Wenyong, chefe do gabinete de controlo de doenças infeciosas do distrito de Jianghan, em Wuhan, ligou para o hospital e pediu que fossem alterados relatórios suspeitos de infeção pelo novo coronavírus, arquivados em 10 de janeiro, para que constassem outras doenças nos ficheiros.

Em resposta, o hospital pediu às autoridades de saúde do distrito que coletassem amostras, mas foram informados que deviam aguardar. A espera durou três dias.

Em 16 de janeiro, após terminarem as reuniões do órgão legislativo local, o centro de controlo de doenças da cidade de Wuhan finalmente foi coletar amostras. Na altura, o hospital tinha 48 casos suspeitos.

As novas revelações ilustram como as autoridades de Wuhan agiram para suprimir informações sobre a doença, que já causou 4.500 mortos e infetou mais de 124 mil pessoas numa centena de países e territórios.

Reportagens anteriormente publicadas pela Caixin apuraram como, em 30 de dezembro passado, Ai Fen, chefe do departamento de emergência do Hospital Central, compartilhou as primeiras análises a pacientes infetados com uma nova “doença misteriosa”, através do aplicativo de mensagens instantâneas WeChat, com amigos da faculdade e equipas médicas do hospital, alertando-os para que tivessem cuidado.

Na mesma noite, vários médicos em Wuhan, replicaram o aviso. As mensagens circularam amplamente ‘online’, mas várias pessoas, incluindo Li e outros dois médicos do hospital, foram posteriormente punidos pelas autoridades por “espalharem rumores”.

Ai Fen foi convocado pelos supervisores do hospital, em 02 de janeiro passado, e punido por instigar o pânico e “afetar o desenvolvimento geral” de Wuhan, segundo a revista.

No dia seguinte, o Hospital Central pediu a todos os departamentos que vigiassem a equipa de Ai e exigiu que não divulgassem “informações confidenciais” ao público, segundo uma gravação que vazou para o público.

O surto provocou forte descontentamento popular na China, com as redes sociais do país a encherem-se críticas diretas ao regime e apelos por liberdade de expressão, num fenómeno inédito no país asiático, onde ativistas ou dissidentes são frequentemente condenados por “perturbação da ordem pública” ou “subversão do poder do Estado”.

// Lusa

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16 COMENTÁRIOS

    • O Ocidente sempre muito prestável a matar tudo que ache que não se enciaixe na ideologia demoníaca anglo-saxónica, ainda em 2018 li que os gringos e os bifes assassinaram 1.200.000.000 de pessoas, além de terem despejado bombas incêndiárias sobre os civis de Dresden, Hamburgo e duas bombas atómicas sobre civis japaneses

      • É uma pena não podermos viajar ao passado e meter gente como você a viver numa realidade alternativa, na qual os Nazis e os Japoneses ganhavam a Guerra. Tanto uns como outros eram famosos pela forma afável como tratavam os civis nos países que ocuparam, pelo que certamente você estaria melhor a viver por exemplo na Polónia ou Sudeste Asiático. Nós estaríamos certamente melhor, não teríamos que levar com os seus comentários ridículos.

        • Lamentável é não voltar atrás e meter a si e sua família debaixo das bombas atómicas ou debaixo das bombas de fósforo dos criminosos aliados. Com certeza você seus familiares iriam delirar de tamanha alegria. Assim saímos todos a ganhar e não teríamos de apanhar com respostas delirantes como a sua.

          • É graças aos criminosos aliados que energúmenos como você gozam de liberdade para poder escrever as baboseiras que bem entendem neste fórum. Não fossem os criminosos aliados, e hoje você e a sua família estariam todos a viver sob o jugo Soviético ou Nazi.

            Sim, toda a gente sabe que os Aliados fizeram algumas coisas condenáveis. A guerra é assim mesmo. Não deixa de ser insignificante comparado com o que os Nazis e Japoneses fizeram. E as bombas atómicas puseram fim à Guerra. E já agora foi dado um ultimato ao Japão, não foi por falta de aviso, que é mais que os Japoneses fizeram aos povos que massacraram. Qual era a sua alternativa para acabar com a Guerra?

            • O único energúmeno aqui à vista é você que defende os jugos, as bombas, as guerras, as violações, a estupidez e não são calhaus como você que sabem distinguir entre a liberdade e a ditadura. Acabou a hora de alimentar defensor de criminosos.

          • Tu não tens mesmo noção!!
            Nem da manha típica dos chinocas, e muito menos do que os japoneses fizeram na II Guerra – até Timor invadiram, esses animais!!
            Duas “castanhas” atómicas ainda foi pouco!…
            Já que falas em violações, vai lá ver o que os japonenes fizeram na China e depois volta cá para criticar os aliados!…

            • Tu nunca tiveste noção da tua manhice e javardice cada vez que escreves ordinarices, tu é que tens necessidade de duas “castanhas” no teu querido e de seguida porrada no meio da tua chanfradura para ver se entra alguma inteligência no único neurónio de ervilha que tens grande animal mamífero.

    • Em que medida é que isto é diferente de Chernobyl? Ou da grande fome de Estaline? Ou do facto de terem morrido mais pessoas sob o jugo do comunismo de Lenin/Stalin do que durante todo o período nazi? Porque é que o comunismo/socialismo nunca é castigado pelas mortes destas pessoas?

  1. claro que ocultam, como dizem os cientistas indianos que têm analizado o virus isto é uma arma biológica que de alguma forma escapou do laboratório (militar) de wuhan que por coincidencia tb tem ligações à WHO e à França que o construiu.

    • Sim, exatamente o que tive conhecimento. Não era suposto ter escapado, não foi feito propositadamente, apesar de existir gente ruim por aí que gostaria de dizimar 2/3 da populaçao mundial.

    • Someone (nome de mafioso) claro que os comunistas mataram triliões foram os unicos que mataram muitas triliões,nem vale a pena fazer comparações foram unicos e ainda continuam em Cuba a matar triliões.

  2. Muita coisa possivelmente ainda estará oculta acerca desta pandemia, talvez não venha apenas da proclamada porcaria dos mercados chineses e de toda a javardisse que comem.

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